Falta de solução para a biomassa ardida preocupa Monchique

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Falta de solução para madeira ardida preocupa presidente da Câmara de Monchique, empresários e proprietários florestais do concelho.

O presidente da Câmara de Monchique Rui André reuniu hoje a Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios de Monchique, depois de ouvir as preocupações dos empresários ligados à extração de madeira e a associação de produtores florestais do barlavento algarvio (ASPAFLOBAL), que ameaçam abandonar os terrenos pela falta de mercado que permita a continuidade desta atividade e escoamento da madeira ardida nos últimos incêndios.

Até fevereiro de 2021 o mercado funcionou com regularidade, sendo os materiais lenhosos queimados encaminhados para a fábrica de biomassa mais próxima deste concelho, situada no Cercal do Alentejo, a cerca de 100 quilómetros, para transformação em pellets/produção energética.

Falta de solução para madeira ardida preocupa presidente da Câmara de Monchique, empresários e proprietários florestais do concelho.

Todavia, o recente processo de insolvência desta fábrica, que aparentemente se encontrava a executar obras de remodelação, originou um enorme entrave à retirada desta madeira queimada, uma vez que o corte e transporte deste material deixa de ter viabilidade económica, principalmente pelo aumento do preço do transporte para qualquer outra central de biomassa.

O inesperado encerramento desta fábrica apanhou de surpresa as empresas do concelho que entretanto foram retirando este material, acumulando-o em pilhas de madeira um pouco por todo o concelho, nos chamados «carregadouros», esperando a reabertura desta fábrica.

Esta situação constitui mais uma razão de preocupação, pelo facto destas toneladas de material poderem potenciar o risco de incêndio e um perigo acrescido, particularmente numa altura em que se aproxima o período crítico de incêndios.

Face a esta problemática situação e confrontado com os impactos que este alarmante problema pode constituir na gestão florestal e as repercussões em termos ambientais e comunitários, Rui André apela ao governo para a procura de uma solução, estando este município disponível para colaborar na mesma, desde que daí resultem medidas concretas e imediatas que permitam a retoma desta atividade e o normal funcionamento deste mercado.

O autarca de Monchique apela ao governo para uma solução e apoio imediato que permita ultrapassar esta situação que põe em causa a sustentabilidade da floresta do concelho, potencia o risco de incêndio, o abandono e desordenamento do território, e pode resultar também em problemas fitossanitários com o surgimento de pragas e doenças com impactos na flora e fauna.

A solução de curto prazo passa por viabilizar a extração desta matéria orgânica e fomentar o transporte e exportação para outra fábrica de biomassa, como é o exemplo de Huelva, em Espanha, sendo que os preços aí praticados são semelhantes aos da fábrica do Cercal do Alentejo.

O acréscimo de mais 100 quilómetros na viagem representa, contudo, um acréscimo para o dobro dos custos de transporte que inviabiliza a operação.

A preocupação pelo inevitável abandono dos povoamentos que ainda não foram intervencionados e o facto de se estar a aproximar o fim da janela de oportunidade para limpar estes terrenos, passados que estão quase três anos do grande incêndio, exigem uma pronta resposta.

Neste momento existem cerca de 5 mil toneladas cortadas e estacionadas em carregadouros e cerca de 30 mil por extrair dentro da área ardida no concelho de Monchique.

O presidente da Câmara Municipal de Monchique pretende ainda uma reunião com caráter de urgência com o governo de forma a sensibilizar a tutela para este problema grave que nunca foi atendido na fase pós-incendio mas que agora não pode ser mais adiado, sob pena de pôr em causa a gestão deste território e constituir uma dispensável desmotivação face ao ambicioso e estratégico Programa de Reordenamento e Gestão da Paisagem em curso.