Abacate: nova produção de 128 hectares em Lagos em Consulta Pública

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O projeto agrícola de produção de abacates a desenvolver numa área de 128 hectares, nas freguesias de Luz e Bensafrim e Barão de São João, concelho de Lagos, está em fase de consulta pública.

O projeto é da Frutineves, uma empresa criada em 2006, com sede em Barranco Longo, Algoz, concelho de Silves, que se dedica ao cultivo de citrinos e de pêra-abacate na região do Algarve.

Todos os pomares da Frutineves são explorados em modo de produção integrada.

«A produção integrada é um sistema agrícola de produção, baseado em boas práticas agrícolas, com gestão racional dos recursos naturais, designadamente do solo, da água e de insetos polinizadores, que privilegia a utilização dos mecanismos de regulação natural em substituição de fatores de produção, contribuindo, deste modo, para uma agricultura sustentável», segundo se lê no Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental do projeto.

Ainda segundo aquele documento, «todos os pomares são certificados pela Global Gap, uma organização internacional que tem como objetivo promover a agricultura segura e sustentável. Esta organização desenvolveu normas de qualidade para a certificação de produtos agrícolas. O mercado da empresa é Portugal e Europa, principalmente Espanha. A área onde se desenvolve o projeto foi anteriormente ocupada por vinha e incultos».

Mais recentemente, «grande parte da área, foi sujeita a movimentação de terras para a construção de um campo de golfe cuja obra acabou por não avançar. A restante área era marcada pela presença da vegetação característica do barrocal» algarvio.

O projeto agrícola advém da intenção da Frutineves expandir a produção e ampliar a oferta de produtos frutícolas, «atualmente centrada nos citrinos. A procura crescente pelo abacate, a disponibilidade de área, e as condições edafoclimáticas do local, determinaram o desenvolvimento do projeto».

O projeto agrícola assenta na produção de abacate, «variedade Hass, visando o mercado interno e também a exportação, numa área de cerca de 128 hectares que compreende 27 sectores de plantação de abacates seccionados pelo sistema de rega. O compasso adotado para a plantação foi de 6 metros por 4 metros».

As plantações foram concluídas em agosto de 2019. A primeira colheita será realizada em 2021. A produção média estimada é de 12 toneladas/hectare.

O sistema de rega é gota-a-gota e o consumo de água por árvore adulta é de 50 a 60 litros por dia. O abastecimento de água tem origem em dois furos existentes dentro da propriedade.

O projeto prevê ainda a construção de um armazém com 500 metros quadrados (m2) para parqueamento das máquinas agrícolas e, a demolição de três construções existentes e renaturalização dessa área, correspondente a 551 m2.

A partir da avaliação ambiental desenvolvida pela equipa técnica que elaborou o Estudo de Impacte Ambiental, «verificou-se que pela natureza do projeto não serão originados impactes significativos e impeditivos da sua execução ou que sejam indutores de situações ambientais gravosas e/ou suscetíveis de comprometem o equilíbrio ecológico e biofísico da região».

A maior parte da área «tinha sido anteriormente intervencionada para a construção de um campo de golfe, pelo que as movimentações de terra terão ocorrido fora do âmbito do projeto em análise».

«Com a sua concretização, a Frutineves visa assegurar a sua sustentabilidade empresarial e com isso contribuir para o crescimento do setor frutícola, levando a que o projeto tenha um impacte positivo sobre a socioeconomia e o desenvolvimento territorial da região».

No entanto, «será nos primeiros anos de vida que os principais impactes negativos se farão sentir, nomeadamente, devido à exposição do solo e à dotação de herbicidas. Ao nível da água, haverá um consumo crescente até à fase de desenvolvimento intermédio».

«Contudo, em situação de seca ou escassez de água na região (eventos que são cada vezes mais frequentes), a disponibilidade de água poderá representar um problema», lê-se ainda nas conclusões.

O projeto está disponível no Portal Participa até 26 de janeiro à disposição de qualquer interessado.

O procedimento de avaliação compete à Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.