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O presidente do Turismo do Algarve considera que, para a região, a insolvência da Thomas Cook não tem «o impacto que seria de pressupor quando cai um gigante».

Embora já não tivesse hoje o peso que teve no passado, a falência da Thomas Cook, «não é uma boa notícia. Mas também não tem o impacto que seria de pressupor quando cai um gigante, que na verdade, foi o primeiro operador turístico internacional», explica João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve ao «barlavento».

Na verdade, «já era conhecida a realidade da Thomas Cook há vários anos. Nos últimos tempo, sabia-se que o quadro de uma hipotética resolução estava numa altura crítica. Já era expectável que assim acontecesse», acrescento. E qual é o real impacto do Algarve? «Estamos a falar num operador responsável por cerca de 10 mil passageiros desembarcados, por ano, no Aeroporto de Faro, o que significa um peso relativo de 0,2 por cento» no tráfego.

«No fundo, a Thomas Cook é um ícone da operação tradicional, um modelo de negócio que perdeu algum espaço face à concorrência das low cost e das novas formas de reserva on-line. Neste caso concreto, a Thomas Cook deixou de ter a companhia aérea (Condor) a voar para o Algarve, deixou de ter propriedades no território, deixou de ter unidades hoteleiras e passou apenas a gerir pacotes de alojamento e transporte, típicos de operação turística, em parcerias com os hotéis», justifica.

Ou seja, o que está agora em causa «não é uma grande oscilação na procura. Aquilo que é mais crítico é sobretudo a questão do pagamento dos serviços já prestados, nomeadamente no verão, aos hoteleiros» algarvios.

«Os contratos que são firmados entre os operadores e os hoteleiros têm, regra geral, um prazo de pagamento de 60 dias. O que acontece é que se reportarmos a esse período, estamos a falar da altura mais crítica em termos de impacto na vida económica de uma empresa. Apesar de mesmo essa expressão no Algarve, não ser muito assinalável, é, para alguma unidades, um revés muito grande», sublinha João Fernandes.

Em última análise, «tudo isto é preocupante porque indicia o phasing-out de um modelo que operou no Algarve durante muito tempo e e que acaba por servir vários destinos no Mediterrâneo. De qualquer forma, se compararmos o que era a Thomas Cook no Algarve há uns anos, e o que era hoje, a operação é muito mais reduzida. Se compararmos o que é a presença da Thomas Cook no Algarve em relação a outros destinos nossos concorrentes, a nossa região não sai mais prejudicada do que outros destinos. Agora, nunca é um fator favorável», rematou o presidente da RTA e da ATA.

Na manhã de hoje, terça-feira, dia 24 de setembro, o ex-presidente da RTA e gestor Paulo Neves, esteve em conferência telefónica com empresários afetados pela queda do operadores.

«É preciso rever a declaração pública sobre a pretensa insignificância da falência da histórica Thomas Cook no Algarve. Já sabemos a quem (não) vamos pedir apoio, junto das autoridades do Reino Unido, para sermos ressarcidos dos entre 60 mil euros (valor mínimo) aos 2 milhões de euros em serviços já prestados que aquele operador nos fica a dever», escreveu, numa declaração pública na rede social facebook.

«Talvez compreendendo o impacto de perder parte dos volumes de faturação de julho a agosto, que significam quase 50 por cento do valor da atividade anual, apreciassem melhor a utilidade da sua posição. Esta não vai ser a última situação e é muito oportuno, ao invés de minimizar e como muito bem defende a AHETA, é tempo de preparar instrumentos de amortecimento para outras futuras grandes surpresas deste modelo de grandes operadores», opinou Paulo Neves.