«SOBERANA, Mãe Soberana de Loulé» estreia hoje [com fotogaleria]

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Depois de uma cuidada preparação, estreia hoje, sexta-feira, 21 de março, às 21h30, a peça «SOBERANA, Mãe Soberana de Loulé», pelo Teatro do Eléctrico, um dos coletivos mais inovadores da atualidade. Peça é uma encomenda de criação do Cine-Teatro Louletano, onde será apresentada até domingo.

O espetáculo, encenado por Ricardo Neves-Neves é fruto de um longo trabalho de investigação e também de uma série de conversas e entrevistas realizadas à população de Loulé.

Segundo o encenador, o texto original de Ana Lázaro, que junta todos esses elementos, tem «uma base factual e histórica que está documentada em várias publicações. Vimos notícias de jornais e crónicas antigas. No início deste ano fizemos entrevistas às pessoas de Loulé que fomos encontrando na rua. Temos horas e horas de material muito interessante, e surpreendente», disse em conversa com os jornalistas, durante o ensaio aberto à imprensa.

Ricardo Neves-Neves admite que o contacto com a população deu «a base emocional necessária para o nosso espetáculo».

Portanto, a peça tem «uma base mais factual e concreta e uma base mais emocional e, subjetiva. Em cima disto construiu-se um puzzle que também tem alguma ficção».

Por exemplo, em cena, «temos dois momentos sobre o terramoto de 1755 e o terramoto de 1969».

«Estes momentos pareceram-nos importantes porque o fenómeno da procissão está muito associado à natureza. Coloca-nos nesta nossa relação com o céu e o divino, e a nossa dependência e fragilidade enquanto seres humanos. A dependência da água, a circunstância dos sismos em que vemos a nossa vida a mudar completamente, são zonas que nos pareceram ser muito importantes estarem presentes», disse o encenador aos jornalistas.

Em palco estará uma banda «com oito elementos que tocam ao vivo o reportório que acompanha a procissão e também algum repertório da música tradicional do Algarve».

Paulo Pires, programador do Cine-Teatro Louletano, enalteceu a relação com o Teatro do Eléctrico e explicou como surgiu esta encomenda de criação.

«São uma companhia que trabalha do ponto de vista de uma certa contemporaneidade onde havia um vazio em Portugal. Esta questão do teatro musical, da forma que eles o fazem e com a estética que usam, de facto deram uma pedrada» no convencional.

«Estamos muito expectantes. Quando li o texto estava muito curioso sobre qual seria a abordagem e como iria para cena. Acho que vai ser um espetáculo que as pessoas vão gostar. Obviamente que não é um espetáculo documental, mas também não é um espetáculo de experimentação artística de exercícios. É aqui uma conjugação daquilo que o Ricardo Neves-Neves e a sua equipa fazem muito bem», rematou Paulo Pires.

Ricardo Neves-Neves, disse ainda que pelas suas raízes algarvias, sente que o seu coletivo é uma espécie de embaixada de Loulé na capital.

«É engraçado eu ser de cá, estar a trabalhar uma temática de cá, quando na verdade trabalhamos em Lisboa porque onde temos o nosso espaço de trabalho. Às vezes, a sensação que tenho é que funcionamos como um género de embaixada de Loulé», disse o encenador.

«É muito comovente para mim estar a passar a palavra e estes conteúdos e perceber que as pessoas (da equipa), quando voltam ao Algarve, voltam com um novo ponto de vista sobre a região», disse.

Questionado sobre uma possível itinerância, Ricardo Neves-Neves, acredita que será possível.

Ricardo Neves-Neves.

«No início, porque o texto tem tantas referências a pessoas de Loulé e é sobre algo tão local, pensei que seria difícil apresentá-la noutro sítio. No entanto, à medida que fomos amadurecendo e desenvolvendo o espetáculo, a minha perspetiva mudou. Penso que poderá ser mostrado em qualquer cidade», disse.

«SOBERANA, Mãe Soberana de Loulé» conta com a direção musical de Rita Nunes e cenografia de Henrique Ralheta, um dos responsáveis do Loulé Design Lab.

O espetáculo estreia hoje, dia 21 às 21h30, no Cine-Teatro Louletano.

Repete amanhã, dia 22 de junho, à mesma hora.

Há ainda uma sessão no domingo, dia 23 de junho, às 17 horas.

Devido à lotação da sala, os bilhetes devem ser reservados por telefone (289 414 604), e-mail (cinereservas@cm-loule.pt) ou na plataforma BOL.