Restauração preparada para próxima fase de desconfinamento

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A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) garantiu hoje que os estabelecimentos de restauração e similares estão preparados para a próxima fase de desconfinamento, assegurando todas as condições de segurança.

Em comunicado, a AHRESP lembra que levou a cabo em todo o país uma campanha com o objetivo de esclarecer os empresários sobre as dúvidas que surgiram com a publicação das medidas de desconfinamento.

«Disponibilizou toda a informação necessária, como o Guia de Boas Práticas para a Restauração e Bebidas e a lista de FAQ [questões frequentes], que inclui as principais dúvidas dos empresários do setor, e que foram respondidas pela Secretaria de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, pela Secretaria de Estado do Turismo e pela Direção-Geral da Saúde (DGS)», refere.

Da mesma forma, acrescenta, os centros comerciais e o retalho reforçaram as medidas para reabertura, na segunda-feira, com «total confiança».

Na quarta-feira, as associações de empresas de distribuição (APED), centros comerciais (APCC) e da hotelaria e restauração (AHRESP) garantiram, em comunicado conjunto, que os centros comerciais reúnem todas as condições para reabrir no dia 19, segunda-feira, com condições de higiene que salvaguardam a saúde pública.

Segundo aquelas associações, foi feito um esforço acrescido na formação e testagem de colaboradores, bem como um reforço dos equipamentos de proteção individual e barreiras de proteção.

«Os operadores dos centros comerciais reforçaram ainda mais as exigentes regras sanitárias com o objetivo de responder à expectável afluência de consumidores, depois de um longo período encerrados», referem, reiterando que aqueles espaços são «seguros» e «merecem a confiança dos consumidores».

As lojas dos centros comerciais voltaram a fechar em janeiro, quando foi decretado o segundo confinamento, para fazer face à propagação de covid-19.

Segundo o plano de desconfinamento gradual que o governo preparou, está previsto que os centros comerciais reabram no dia 19 de abril, porém, a decisão final só será tomada na reunião do Conselho de Ministros de hoje.

Quebras de 90 por cento da faturação em março

A AHRESP defendeu ontem que a situação das empresas da restauração e alojamento, das quais metade registou quebras de 90 por cento na faturação em março, «impõem a necessidade do reforço das medidas de apoio financeiro e de incentivo ao consumo».

Num comunicado, a AHRESP considera que, apesar dos contributos positivos que o desconfinamento confere, os números do inquérito realizado em março mostram, uma vez mais, que é absolutamente necessário robustecer os apoios às empresas, e disponibilizar incentivos ao consumo.

O inquérito de março indica que 52 por cento das empresas da restauração estão com a atividade totalmente encerrada e 29 por cento das empresas ponderam avançar para insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar todos os encargos que decorrem do normal funcionamento da sua atividade.

As conclusões do inquérito mensal, que contou com 943 respostas válidas, mostram que, como consequência da forte redução de faturação no setor da restauração, 14 por cento das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em março e 14 por cento só o fez parcialmente e que 43 por cento das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia e destas 16 por cento reduziram em mais de 50 por cento os postos de trabalho a seu cargo.

O inquérito conclui ainda que 8 por cento das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do mês de junho.

Em relação ao alojamento turístico, o inquérito da associação conclui que 29 por cento das empresas indicam estar com a atividade suspensa e em março, 49 por cento não registou qualquer ocupação, e 28 por cento indicou uma ocupação até 10 por cento.

Para o mês de abril, adianta o inquérito, 38 por cento das empresas estimam uma taxa de ocupação zero e 28 por cento das empresas perspetivam uma ocupação máxima de 10 por cento.

O inquérito conclui que 17 por cento das empresas de alojamento turístico ponderam avançar para a insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade.

A quebra de faturação do mês de março foi devastadora para as empresas de alojamento turístico, já que 49 por cento das empresas registaram perdas acima dos 90 por cento, defende a AHRESP, que adianta que, como consequência da forte redução de faturação, 27 por cento das empresas não conseguiram efetuar pagamento de salários em março e 6 por cento só o fez parcialmente.

Ao nível do emprego, 28 por cento das empresas das empresas do setor do alojamento turístico efetuaram despedimentos desde o início da pandemia e destas 38 por cento reduziram em mais de 50 por cento os postos de trabalho a seu cargo.

A AHRESP refere ainda que 6 por cento das empresas do setor assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do mês de junho.

Apesar dos contributos positivos do desconfinamento iniciado em meados de março, os números deste inquérito mostram, uma vez mais, que é absolutamente necessário robustecer os apoios às empresas, e disponibilizar incentivos ao consumo, precisa ainda a AHRESP.

Face aos constrangimentos que o setor está a atravessar, a associação apresentou recentemente um conjunto de medidas de apoio à liquidez, à capitalização e de proteção do emprego, afirma a AHRESP, defendendo que «só assim será possível garantir a sustentabilidade destas atividades económicas, que têm um papel determinante na recuperação económica do país».