Quarteira foi o epicentro do centenário da Polícia Marítima

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Culminar do centenário decorreu na Avenida Infante de Sagres, numa cerimónia presidida pelo Ministro da Defesa Nacional. João Gomes Cravinho revelou que serão contratados, ainda este ano, mais 25 efetivos. Quarteira poderá contar com um posto marítimo e uma estação salva-vidas, já no início de 2020.

Quarteira foi a cidade escolhida para acolher as celebrações do centenário da Polícia Marítima, num programa que decorreu entre os dias 7 e 10 de novembro. O primeiro dia ficou marcado com a inauguração de uma exposição de meios, na Praça do Mar, sendo que a cerimónia oficial decorreu na manhã de domingo, dia 10, na Avenida Infante Sagres.

Depois da entrega de condecorações e de uma homenagem aos mortos daquela autoridade, João Gomes Cravinho, Ministro da Defesa Nacional usou da palavra.

«Quero, neste início de legislatura e através da minha presença, renovar o compromisso do governo com a contínua valorização, consolidação e modernização desta vital estrutura para o exercício da soberania do Estado no mar e nas áreas sob jurisdição marítima», começou por garantir.

Em relação à escolha de Quarteira, o ministro afirmou ser «simbólica dos esforços para ampliar a presença da Polícia Marítima em todo o território nacional. Mas é particularmente ilustrativa do apoio e da importância que os municípios e as gentes desta região conferem às atividades da Autoridade Marítima Nacional e da Polícia Marítima», dando como exemplo desta colaboração, a obra de edificação do Posto Marítimo, bem como para a criação da Estação Salva-Vidas, ambas em curso.

João Gomes Cravinho prosseguiu revelando que foi «recentemente autorizada a admissão de 25 agentes», distribuídos equitativamente pelo país, que se juntam aos 39 que incorporaram a força policial desde 2018. Um aumento de mais de 10 por cento de efetivos, que não ocorria «há mais de uma década».

Ainda segundo o ministro, o programa do governo, no que respeita o mar, é «ambicioso, sendo que a Defesa Nacional tem um papel determinante. Portugal tem sob sua jurisdição cerca de 50 por cento das águas marinhas do mar pan-europeu e cerca de 50 por cento dos respetivos solos e subsolos marinhos. A gestão destes vastos espaços e dos seus recursos exige-nos um reforço dos meios à nossa disposição, incluindo aqueles que a Polícia Marítima oferece».

Cravinho realçou ainda que «Portugal continua comprometido com a segurança europeia e com o resgate de vidas humanas no Mediterrâneo, onde a Polícia Marítima tem demonstrado uma valiosíssima capacidade operacional, com enorme prestígio para a instituição e para o país».

Para o ministro, «a presença do Estado, através destas estruturas pode e deve ser vista pelos cidadãos como fonte de apoio constante, como garantia da segurança das populações e do país, através de uma ação, por vezes discreta, mas sempre eficiente. A nossa exposição como uma porta de entrada na Europa e como uma ponte avançada no Atlântico exige-nos os meios e a estratégia para cumprir estes papeis históricos de forma responsável e atualizada».

Por fim, João Gomes Cravinho garantiu que «o governo conta com a Polícia Marítima, hoje, como há 100 anos, e trabalhará de forma determinada no reforço da sua implantação no ordenamento jurídico nacional e no reforço das suas capacidades operacionais. Que venham mais 100».

Aos jornalistas, o ministro explicou que «é necessário fazer ajustamentos e temos um conjunto de ideias que irão fazer parte de uma nova lei orgânica da Polícia Marítima para os tempos mais próximos».

Isto porque, na opinião de Cravinho, «é necessário fazer um investimento grande na Polícia Marítima, tanto em termos de equipamento, como em termos de recursos humanos».

O final da manhã de domingo ficou marcado pelo desfile das forças e de meios náuticos, bem como a demonstração de capacidades da Polícia Marítima, que contaram com ainda com a presença de Jorge Seguro Sanches, Secretário de Estado adjunto da Defesa Nacional; Vitor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé; António Mendes Calado, Almirante da Autoridade Marítima Nacional e Vice-almirante Luís Sousa Pereira, Comandante-geral da Polícia Marítima.

Vitor Aleixo: «não queremos que por falta de meios morram no mar aqueles que lutam pelo seu sustento».

O presidente da Câmara Municipal de Loulé também marcou presença na cerimónia oficial, no domingo, dia 10 de novembro.

No uso da palavra, Vítor Aleixo destacou a relação dos quarteirenses com o mar e com as atividades piscatórias.

«À semelhança do próprio país, Quarteira tem uma ligação estreita com o mar, em que a história nos ensinou que as características e o posicionamento geográfico foram decisivos na formação do Estado soberano», disse.

Segundo o edil, a Câmara louletana e a Junta de Freguesia de Quarteira têm plena consciência «da importância do mar na economia e dinâmica local», e têm trabalhado sempre «no sentido de criar condições para atrair e desenvolver, nesta região do sul, os meios indispensáveis para a segurança e bem-estar das nossas populações».

Um exemplo é a assinatura do protocolo de cooperação institucional com a Autoridade Marítima Nacional, em março, para a abertura do Posto Marítimo e para a construção de uma Estação Salva-Vidas em Quarteira.

«Visa proporcionar aos residentes, pescadores e a todos os que visitam o concelho, mais segurança no que respeita ao salvamento e socorro a náufragos, assim como a fiscalização e policiamento, tudo com vista a um melhor serviço público na área».

Para Vitor Aleixo, a Estação de Salva-Vidas é especialmente importante em Quarteira, uma vez que está guardado na memória de todos «os vários naufrágios que ao longo dos anos têm marcado as famílias dos nossos pescadores. Não queremos que por falta de meios morram no mar aqueles que tão arduamente lutam pelo seu sustento e o das suas famílias».

O presidente louletano revelou ainda que a antiga Torre do Farolim de Quarteira irá ser conservada «enquanto património do município pelo ser valor histórico, mas também enquanto símbolo da tradição marítima na cidade».

Por fim, aos jornalistas referiu que «há alguns investimentos previstos, no futuro próximo, para o Porto de Pescas de Quarteira». Aleixo considerou que a celebração do centenário «decorreu com elevação e dignidade. A população aderiu em grande número, foi bonito e julgo que ficará marcado como um voltar de página nesta relação entre a comunidade de Quarteira com a Autoridade Marítima Nacional».