Quarteira anuncia Mercado Municipal e recuperação do Casino Velho

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Novidade foi avançada por Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, nas comemorações do 23º aniversário da Cidade de Quarteira.

Um novo Mercado Municipal para Quarteira é um projeto há muito ansiado pela população e uma promessa do autarca louletano, que apesar de feliz por lançar o projeto, não deixou de enquadrar a atualidade.

«O futuro é incerto e hoje a capacidade de investimento da Câmara Municipal de Loulé já não é a mesma de antes do conflito militar [na Ucrânia], porque os preços subiram drasticamente. Mesmo assim, mantemos o programa de investimento e estamos muito focados nos dois projetos que vamos avançar a muito curto prazo. Vamos abrir dois concursos públicos para fazer estas grandes duas obras», começou por revelar Vítor Aleixo na manhã de sexta-feira, dia 13 de maio, no Centro Autárquico de Quarteira. O edil referia-se também à requalificação do Casino Velho.

Sobre a primeira obra, «mal cheguei à autarquia começámos a trabalhar porque sabia que era desejo dos quarteirenses. Dei carta branca ao Telmo Pinto», presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, «as necessidades foram inventariadas e as pessoas foram ouvidas. Depois de um estudo sobre o avanço das águas do mar, tivemos de alterar o projeto em concordância com a envolvente. Agora, por fim, está na última fase, na ponta final da revisão e vamos abrir concurso público internacional», assegurou.

Orçamentado em cerca de 17 milhões de euros, o Mercado Municipal de Quarteira está previsto localizar-se no Passeio das Dunas e, de acordo com Aleixo, «vai ser uma obra muito cara e muito complicada». Isto porque, envolve «um grande estacionamento público para a zona, uma praça com módulos de legumes, carne e peixe, mas também um espaço aberto de coworking, restauração e lojas de pequeno comércio. É, sobretudo, uma obra de arte de grande beleza para que Quarteira possa ter um objeto urbano icónico, capaz de atrair a atenção de todos. Tenho a certeza que este investimento vai lançar a cidade para um patamar muito alto», perspetivou.

Já em relação ao Casino Velho, localizado entre a rua Vasco da Gama e a rua José Viegas, e que hoje serve de sede ao Partido Comunista Português (PCP), o investimento previsto para a sua requalificação ronda os 1,8 milhões de euros.

«É uma obra para vocês, quarteirenses. Servirá para acolher o Cantinho da Amizade, onde as senhoras criativas fazem crochê, para os jovens que querem gravar música, para os mais pequenos fazerem festas de aniversário, para quem quiser organizar conferências ou ir a bailes. Tudo isto vai ser possível no Casino Velho, que vai ficar uma maravilha», referiu Aleixo. E acrescentou: «Quarteira é um viveiro de talentos e uma terra que dá gosto. Temos miúdos com criatividade, dançarinos, músicos e pintores. É um terra deslumbrante em jovens talentos, com uma riqueza humana que é um espetáculo, e vamos ter resposta aqui para todos. Vamos abrir em breve o concurso público e tenho a certeza absoluta que os quarteirenses vão gostar muito».

Para um futuro mais longínquo, ficou ainda a promessa do Centro de Educação e Cultura de Quarteira (CECQ). «Vamos tê-lo, mas não será possível para já. Digo-vos que já temos o terreno e que o projeto técnico já está a ser feito. No entanto, sentir-me-ia um autarca muito feliz se conseguisse, no último ano do meu mandato, abrir o concurso público para esta obra», afirmou.

E apesar do anúncio de novas infraestruturas, o autarca mostrou que é necessário ser-se cauteloso no excesso de urbanização. «Porque é que tantos espanhóis querem vir para o Algarve? Porque lá, o turismo foi além dos limites. Cuidou-se pouco do equilíbrio e dos espaços verdes. Espanha tem exemplos de bom urbanismo e bons espaços públicos, mas, no cômputo geral, o que se fez foi demasiada construção», exemplificou.

«No nosso litoral, não queremos ir por esse caminho. Chegámos a um ponto em que novas construções têm de ser muito bem ponderadas. Não podemos colocar em causa o equilíbrio entre o ambiente, a ocupação urbana e a ocupação do solo com mais construção», avisou.

Novo Centro de Saúde na calha

No âmbito da saúde, o presidente da autarquia de Loulé disse que se tratava de «um grande problema em Quarteira, onde a população tem crescido muito». Nesse sentido, foi criada uma nova Unidade de Saúde Familiar (USF) em Quarteira, a Estrela do Mar, «pelo despacho da ministra da Saúde Marta Temido e o departamento de obras municipais da Câmara de Loulé. Está em instalações provisórias, mas com dignidade, a ser instalada dentro do espaço do Centro de Saúde, até que tenhamos um novo edifício, que vai ter de se localizar numa outra zona da cidade». Sobre esse assunto, Aleixo desvendou que «além de já estarmos a fazer um projeto para a ampliação do Centro de Saúde de Quarteira, num futuro que não é longínquo, vamos encontrar espaço para um novo edifício para cuidados de saúde da comunidade».

Metas para habitação até 2026 e 2030

«Queria dizer-vos que a habitação é um problema dramático. Não há economia sem habitação», admitiu no uso da palavra o edil de Loulé. Aleixo garantiu que a Câmara Municipal, em conjunto com o governo, «tem, neste momento, em fase de execução e a muito bom ritmo, políticas de habitação com metas até 2026 e 2030. Assinámos com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) um programa de acesso ao 1º Direito. Já estamos a executá-lo para podermos facilitar a habitação aos portugueses, aos locais e aos imigrantes que vêm renovar a nossa pirâmide demográfica. Temos uma população muito envelhecida, mas, felizmente, Quarteira atrai muitos imigrantes. Temos de ter condições para receber essas pessoas».
Vítor Aleixo detalhou que «temos muitos terrenos comprados e casas antigas adquiridas. Vamos renová-las para realojar pessoas. Temos comprado vários apartamentos no mercado imobiliário e temos realojado famílias. Outra coisa muito positiva é que a Câmara tem um apoio para o pagamento de rendas elevadas. Este é um problema em que estamos muito envolvidos. Já lançámos dois anúncios e temos, cada vez mais pedidos de apoio».

Políticas vão passar pela sustentabilidade

Ao destacar a Reserva Local Natural da Foz do Almargem e do Trafal, com 135 hectares, aprovada em fevereiro último, o autarca louletano deixou uma mensagem clara sobre a necessidade de se proteger a biodiversidade do concelho.
«Temos de recuperar ecossistemas e temos de plantar muito mais árvores, porque o problema do aquecimento global é muito preocupante. As nossas políticas vão passar muito pela sustentabilidade ambiental e pela ação climática. Quero que os cidadãos procurem informação, que se envolvam e nos apoiem nestes objetivos que vão dominar o futuro de todos os autarcas. O que está em causa com a mudança do clima são coisas verdadeiramente catastróficas e altamente destruidoras da vida das pessoas e de património. Este é o caminho fundamental e principal para a ação política de futuro».

Aleixo: algo «não está a funcionar bem no turismo»

Uma das temáticas abordadas pelo presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, na cerimónia do 23º aniversário da cidade de Quarteira, foi o modelo local de turismo. «Temos um modelo que se diz ser a nossa principal atividade económica e que cria muito trabalho. Mas atenção, há qualquer coisa que não está a funcionar bem. O turismo não pode ser só para gerar lucros aos grandes investidores. Este sector tem que crescer, com qualidade, mas tem de criar uma riqueza repartida com mais justiça. Existem muitas pessoas a viver com dificuldades. Não queremos isso. Senhores empresários: temos de procurar um modelo de desenvolvimento turístico muito mais sustentável e olharmos mais para os trabalhadores simples, porque sem eles nada funciona. Temos tido sempre essa preocupação e queremos continuar a ter. É para todos que trabalhamos. Para os grandes interesses económicos, sem os quais também não fazemos nada; para os pequenos e médios, que também têm as suas empresas com as suas responsabilidades e com as suas dificuldades; mas também os trabalhadores, que são milhares e vêm de muitos lados do mundo, e que temos de acolher, em boas escolas, em boas habitações, com ordenados dignos para terem uma vida digna. Se não, não estamos na política a cuidar do futuro e o futuro tem de ser um futuro onde todos caibam, onde podem crescer, ser felizes na nossa terra, que é também a terra deles. Com uns felizes e outros a sofrer, a paz não funciona», assegurou.

Polícia Municipal e uma nova Escola Básica para o futuro

O presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, Telmo Pinto, abriu a cerimónia das comemorações do 23º aniversário da cidade, onde começou por afirmar que «a própria freguesia se tornou uma referência tanto a nível regional como até nacional, marcando uma posição dianteira na capacidade de resposta à comunidade». O exemplo dado foi a implementação do Espaço Cidadão, que «trouxe quase 100 novos serviços a serem efetuados localmente. Agilizaram-se processos, em conjunto fomos mais eficazes e as populações, as freguesias e o concelho saíram a ganhar». Pinto referiu ainda que «o maior desafio que todos temos pela frente é o de definir um projeto para responder às necessidades e um plano para atrair e criar novas dinâmicas transversais a todos os sectores». Lembrando o mote da sua equipa, «fazer o futuro acontecer», o autarca garantiu «executar tudo o que tiver ao nosso alcance e sermos resilientes com o que não depende de nós, mas que é nossa obrigação intervir de forma ativa e participativa». Os próximos passos, segundo aquilo que afirmou, passam por «humanizar os espaços públicos, criando melhores condições de mobilidade, mais zonas de lazer, ambientes mais sociais e familiares, com o objetivo de trazer de volta as pessoas com qualidade para as ruas».

Em relação a novidades, o presidente da Junta revelou que estão a avançar projetos na promoção do pescado local, com a aposta no polvo, com o intuito de se dinamizar e promover a referência de pesca local, através de eventos gastronómicos. Também foi anunciado uma Polícia Municipal, a construção de uma nova creche, com 120 lugares, a ampliação da Fundação António Aleixo e uma nova Escola Básica em Quarteira.
Por fim, Telmo Pinto dirigiu-se em particular a Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé: «é verdade, falta muito para fazer e não seria de admirar, pois quando falamos de Quarteira, ou melhor quando falamos do concelho de Loulé, falamos de crescimentos que vão em contraciclo com o resto do país e quem cresce assim precisa sempre de mais. Mas é muito importante olhar para o que está a ser feito, perceber as necessidades e traçar um rumo. Vítor, três anos e meio passam depressa, e com o que está projetado, sei que muito ainda será inaugurado por nós dois».

Críticas da oposição

Cláudio Lima, presidente da Comissão Política de Secção do Partido Social Democrata (PSD) Loulé, não poupou críticas ao atual executivo socialista a propósito da efeméride. «O documento que despoletou todo o processo de elevação de Quarteira a cidade foi apresentado por Mendes Bota, enquanto deputado, em setembro de 1997. Quarteira deve-lhe reconhecimento». Além disso, «faltam muitas infraestruturas e serviços de apoio que façam dela uma cidade digna do título. Está muito longe das expetativas de quem queira viver, estudar, trabalhar, ou usufruir das condições naturais que possui. Os acessos continuam a não ser dignificantes. O corredor para circulação de bicicletas continua a criar situações de risco numa avenida movimentada. A frente-mar continua desaproveitada do ponto de vista da organização e estética. Não existe um planeamento sério da circulação para evitar as longas filas de trânsito e o estacionamento selvagem que se verificam verão após verão».