Produtora farense Flavour ganha quatro prémios no Festival Art&Tur

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Flavour Productions, empresa de produção audiovisual com sede em Faro, foi distinguida no último fim de semana com quatro prémios no Festival Art&Tur, três deles primeiros prémios.

No Festival que este ano decorreu em Viseu, a 23 de outubro, a Flavour brilhou em várias categorias, a começar pelo 1º prémio na Categoria Gastronomia Algarve, com o filme «Algarve Chefs Week 2019 – À raiz do sabor».

O evento envolve vários chefs algarvios e tem uma índole predominantemente social e em 2019, o conceito era o farm to table (da horta para a mesa).

A Flavour optou por uma abordagem irreverente.

«Pensámos em democratizar a alta cozinha, desmistificar os chefs e mostrar pessoas de carne e osso inclusive a terem que se sujar na lama», adianta Eduardo Sousa, fundador da Flavour, que assina a realização e direção de fotografia dos vários filmes.

«Há três anos que fazemos o filme de promoção e os mais de 20 chefs veem na rodagem do filme uma oportunidade para se reunirem e é quase uma festa».

«É um ambiente muito bom e eles estão sempre dispostos a tudo o que lhes pedimos”, admite.

Este mesmo filme, «Algarve Chefs Week 2019 – À raiz do sabor», ganhou ainda o 1º prémio Art&Tur na Categoria MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions).

Outro primeiro prémio, mas desta vez na categoria «Melhor Comercial até 1 minuto» foi para o spot «Oktober Fest», comercial de um evento-âncora do Vila Vita Parc, o resort de luxo em Porches, concelho de Lagoa, que integra o Ocean, restaurante duas estrelas Michelin.

O «Oktober Fest» decorre anualmente no Vila Vita Biergarten e traz ao Algarve o melhor das salsichas e da cerveja alemãs (ainda que com carne portuguesa, nas primeiras).

«Julgo que por cá será o evento mais fidedigno face ao que é o Oktober Fest na Alemanha, mas no Algarve é feito com um público até mais seleto, mais orientado para as famílias. O filme procura projetar o mood do evento, que é bem-disposto e com muitos bons momentos… é um filme jovem e bem-humorado», explica Eduardo Sousa.

Por último, «Melodia Hibiscus», filme promocional sobre um dos alojamentos mais exclusivos no Algarve, escolhido por várias vedetas internacionais do mundo da música: a Villa Hibiscus, em Porches, pertencente ao Vila Vita Collection.

Uma moradia com massagens, chefs privativos e uma vista de tirar o fôlego. Muitos dos clientes procuram-na para retemperar as forças, ganhar ânimo e inspiração. E foi isso que inspirou o filme.

«Pensámos em criar uma estória com um músico que estava psicologicamente em baixo, mas encontra a motivação e volta a compor», diz Eduardo.

Para ser realista, a produção chegou mesmo a recriar uma falsa capa da revista Rolling Stone.

O filme «Melodia Hibiscus», que conta com a participação do ator e modelo Pedro Guedes, a atriz Ana Lúcia Chita e a top model Ana Elisa, fecha o lote dos quatro galardões, com um 2º prémio na categoria Hotéis e Resorts.

«Ganhar prémios é bom, mas estamos a copiar-nos uns aos outros»

Já não é a primeira vez que a Flavour Productions ganha prémios. No ano passado, no mesmo festival, ganhou o «Grand Prix», o prémio maior do Art&Tur.

Em 2013, um impressionante segundo prémio em Cannes, um Silver Dolphin num dos festivais mais importantes da indústria cinematográfica corporativa, o Cannes Corporate Movies & TV Awards.

E estes são só alguns. Mas Eduardo Sousa não se satisfaz.

«Sou uma pessoa algo insatisfeita comigo mesmo, por natureza. E isso espicaça-me para fazer melhor, para puxar para cima. Eu acho que os filmes que agora ganharam estes prémios estão bons, são competentes, mas noto que os filmes de turismo são quase todos mais do mesmo», critica.

Eduardo prossegue no seu raciocínio em relação à produção atual.

«O Instagram e as redes sociais acabam por nos contaminar. A literacia visual cresce rapidamente porque consumimos muito, as pessoas aprendem a ver e depois a fazer. Mas acabam a copiar-se umas às outras, do original para a cópia, e desta para outra e vai-se perdendo qualidade», constata. «Existe uma depreciação e falta de diversidade nos conteúdos», desabafa.

Infelizmente para os «profetas do apocalipse», Eduardo Sousa não acredita que estejamos perante o fim do vídeo como ferramenta de comunicação.

«Tal como noutras etapas da Humanidade, estamos é a chegar ao fim de um ciclo, em particular no turismo. É urgente reinventar e comunicar de outra maneira os destinos turísticos», conclui.