Pina quer que Algarve seja «região modelo» no combate à COVID-19

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António Miguel Pina, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Faro, quer que o Algarve seja a «região modelo» no combate à COVID-19.

Depois de meses de ausência, teve hoje lugar, em Loulé, a conferência de imprensa para dar conhecimento da situação epidemiológica causada pela pandemia de COVID-19 no Algarve.

Para António Miguel Pina, presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve e autarca de Olhão, a região «tem de se preparar para os próximos seis meses. Até no seguimento da ativação do plano distrital. É isso que vamos fazer em articulação com cada um dos municípios e dos seus planos municipais: preparar a nossa região para os próximos seis meses. Torna-se evidente de que todos teremos de ser vacinados novamente, inclusivamente, como se espera, as crianças. Porque só a vacinação dá uma resistência coletiva para este vírus».

«É preciso que não se tire o pé do acelerador desta consciência coletiva. Só a vacinação nos trará a normalidade, até com as variantes que possam ou não surgir. Nos últimos dois meses, quando parecia que as coisas já estavam todas ultrapassadas, foi-se perdendo esta perceção coletiva, e foi por isso que o início da terceira dose correu menos bem. Não foi tanto por uma questão de organização, porque as vacinas estavam lá e os profissionais também. Foi porque começámos a achar e a pôr em dúvida a necessidade da vacinação».

«Felizmente, coletivamente, as coisas mudaram, e hoje há uma grande adesão à terceira dose. Mas vamos todos ter de ser vacinados. Essa é a nossa convicção, a convicção da Proteção Civil e a convicção dos 16 autarcas da região. Só assim é que também se controla a proliferação do vírus. Se somos das regiões com maior número de infetados, queremos ser a primeira a sair deste processo. Por isso, só com planificação e com uma grande progressão da vacinação é que conseguimos ser a região número um do país, porque queremos passar esta mensagem: que quando chegarem as férias da Páscoa e o Natal de 2022, o Algarve é uma região modelo no que diz respeito ao combate à COVID-19».

«A fase que vamos viver, a do Natal e da passagem de ano, que junta família, amigos, colegas, requer que todos tenhamos consciência do período que ainda vivemos. Por isso é que as medidas apresentadas impostas pelo governo estão em cima da mesa. Por isso também os autarcas decidiram cancelar eventos porque era impossível controlar e fazer aplicação das medidas propostas», explicou.

Nesta altura, organizar «eventos de rua em que se juntam 10 a 30 mil pessoas seria certamente um desastre para a saúde pública. Aquilo que vier a ser um desastre para a saúde pública é a médio prazo um desastre para a economia», disse ainda António Miguel Pina, acerca da decisão conjunta dos 16 municípios do Algarve em terem cancelado as festas de Ano Novo.

«Às vezes há medidas que no curto prazo podem parecer menos boas para a economia, mas acreditamos que são tomadas porque aquilo que é bom para a saúde, a médio prazo acaba por ser bom para a economia. Reforçar esta ideia de que nos estamos a preparar e que certamente o Algarve dará uma grande resposta se todos estivermos conscientes daquilo que tem de ser a nossa postura no dia a dia e não percamos esta vantagem coletiva que foi a nossa consciência relativamente à vacinação», acrescentou.

«A terceira dose deverá ser para todos e que os portugueses continuem a estar disponíveis para vacinar porque entre todos vamo-nos preparar para ter a capacidade de dar a resposta necessária, ajudando a saúde», garantiu.

«Parece que o vírus procura as brechas da não vacinação»

Já em relação aos doentes hoje internados, Ana Cristina Guerreiro diz que «temos tido um pouco de tudo, mas os internados desta última vaga são mais novos do que na primeira vaga de inverno. Não comparando com o verão, que também havia muita gente jovem. Sensivelmente, 50 por cento das pessoas não estão vacinadas. Parece que o vírus procura as brechas da não vacinação. Tem havido alguns óbitos em pessoas mais novas, dos 40 aos 60 anos, por norma associados a comorbilidades, como sempre desde o início da pandemia. Alguns deles não vacinados», explicou.

A delegada disse ainda que, apesar dos factos, nota alguma resistência à vacinação. «Sim, noto e conheço mais ou menos bem os locais onde essa resistência pode ser um pouco maior. Talvez o fenómeno que acontece no Barlavento, com muita população estrangeira de países que originalmente já têm resistência à vacinação, talvez seja maior que outros locais do país».

Surtos nas escolas «pequenos» mas «persistentes»

Em relação aos surtos nas escolas, são «pequenos», mas alguns «persistentes», revelou Ana Cristina Guerreiro.

«Em Loulé, temos o Agrupamento de Escolas Padre Cabanita, Agrupamento Duarte Pacheco e Laura Ayres em Quarteira. Em Faro tivemos na escola da Lejana. Em Olhão tivemos um surto razoável na E.B. 2, 3 João da Rosa».

E qual a origem? «As crianças são infetadas pelas famílias. Muitas vezes são os pais dentro de casa que contagiam os filhos. O grupo etário mais afetado é o dos 30-39 anos, que têm crianças em idade escolar. Às vezes, se a criança é assintomática, se a família foi negligente e não fez os testes atempadamente quando a criança é detetada positiva, já andou na escola dois ou três dias, e aí é que acontecem situações um pouco mais complexas», referiu.

Sobre a eventual vacinação de menores num horizonte próximo, «quero muito acreditar que a vacinação nas crianças, se for aprovada, vai ter sucesso, porque temos um plano nacional de vacinação com tradição de uma boa resposta por parte dos pais, para doenças que nunca mais existiram em Portugal, como a polio e outras. Se as pessoas forem racionais, vão querer aderir. Se os peritos decidirem pela vacinação, há um aval técnico. Portanto, não há razão para os pais não irem vacinar os filhos desta vez».

Segundo Ana Cristina Guerreiro, estão atualmente, no Algarve, 171 alunos infetados pelo novo coronavírus e 2.487 em isolamento profilático, 20 funcionários infetados e 345 em isolamento e um total de 111 turmas em isolamento.

Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de saúde do Algarve.

Ómicron ausente do Algarve

Ana Cristina Guerreiro disse que o único caso que conhece da nova variante da COVID-19 da região está relacionada com o surto do Belenenses-SAD. «Tem sido por nós monitorizado, acompanhado e julgamos não ter, até à data, consequências. A pessoa está bem, é jovem, está isolada, estará já no final da doença e julgamos que o processo tenha corrido todo bem. Enviamos periodicamente para o INSA – Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, quer os privados, quer o laboratório Laura Ayres, uma percentagem de amostras para estudo e não temos conhecimento que essa variante tenha sido detetada».

Turismo complica as contas da região

Questionada sobre o motivo de o Algarve ser a região com índices de incidência, Ana Cristina Guerreiro explicou que «isso acontece no verão. Temos uma população móvel enorme, muito superior à nossa, que está cá fixa. Portanto, os números foram influenciados e determinados por esse facto. No numerador encontram-se todos os casos que foram detetados no Algarve e no denominador temos a população residente conhecida pelo INE na região. Daí as nossas taxas terem sido tão grandes e termos tido tantos casos».

Por outro lado, «também a atividade turística que se desenvolve na região é favorecedora. Não quer dizer que sejam os turistas a trazerem os casos, mas toda a atividade de grande mobilização, a frequência de locais e a concentração de pessoas, é favorável. O verão foi assim. Agora, nesta onda, as razões poderão estar relacionadas com este e outros fatores. A verdade é que partimos para esta nova vaga numa posição desconfortável. Nós vínhamos de uma enorme onda em relação às outras regiões, mas não tivemos quase tempo para respirar».

No entanto, já nas palavras de Paulo Morgado, «não esperamos, como nenhum perito espera, que a evolução dos números possa chegar aos da chamada terceira vaga» devido à vacinação. No que toca à assistência hospitalar, «penso que a situação está bem melhor que no ano anterior. O ritmo de subida dos casos também é um pouco mais lento e a estrutura do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) está preparada, tem o seu plano de contingência e já entrou numa fase que não é a zero. Já têm reforço de camas e de instalações. Penso que temos condições para dar uma resposta na região».

O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve disse ainda: «estamos muito longe daquilo que são os números da chamada terceira vaga, que foi a pior e ocorreu em dezembro, janeiro e meados de fevereiro deste ano 2021. Essa sim, induziu uma situação de grande pressão sobre o SNS e tivemos a abertura do Arena Portimão, que aliás deu resposta a doentes de outras regiões e que foram tratados no Algarve. Em Faro, essa capacidade ainda não está no limite, ainda pode ser aumentada. No próprio hospital do Barlavento também».

Soluções para a vacinação estão na calha

Paulo Morgado admitiu que «houve problemas nos centros em que havia pouca adesão da população ao processo de vacinação. As pessoas agendavam e faltavam. Mas houve um momento em que se deu um click a nível nacional, fruto do aumento do número de casos, da nova variante e de um conjunto de medidas que foram tomadas pelo governo que obrigou a que as pessoas tivessem certificado digital para poderem aceder a um conjunto de espaços. Por isso, tivemos, em alguns centros de saúde, como em Faro e Portimão, um afluxo grande de pessoas que causou, nos inícios do processo, algumas filas e congestionamentos. Estamos a resolver esse problema, em acordo com as autarquias, para resolver os mais problemáticos. Entretanto, encontrámos uma solução no Forum Algarve, até haver uma solução mais definitiva em Faro. Em Portimão também estamos a encontrar essa solução, um reativar daquilo que são as estruturas reativadas na primeira fase de vacinação para poder dar uma resposta com mais conforto para os profissionais e para os utentes, e para evitar esta acumulação de pessoas no processo. Muitas vezes, a casa aberta por natureza é um processo desorganizado, onde as pessoas aparecem sem agendamento e sem hora».

Jorge Botelho confiante no «contributo de todos»

Jorge Botelho, secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, deixou uma mensagem.

«Depois do verão, de alguma forma, a vida voltou ao normal possível, e o conjunto de estruturas que estavam a ser ocupadas pela saúde pública para vacinação, passaram para outras atividades, o que é normal. O que é preciso agora é recuperar as instalações para a dose de reforço», disse.

«Os algarvios tiveram um bom comportamento. Os dados oficiais da região, que mostram que o Algarve está com 85 por cento de vacinação completa. Agora é preciso chamar as pessoas para a vacinação complementar».

«Já percebemos que estamos com muitos casos. Para nós, é muito importante que o sistema de saúde no Algarve responda, apesar das dificuldades que manifestamente tem. Desta conferência, sai uma ideia de grande tranquilidade para as pessoas, de que os serviços de saúde não faltarão, independentemente das dificuldades que existem e que sabemos, até por algum cansaço ou fadiga», admitiu o governante.

«Somos uma região turística e temos de dar uma resposta institucional importante. E acima de tudo, queremos que nos continuem a visitar e que os números baixem. O Algarve está preparado, está atento e tem uma equipa grande de proximidade entre a saúde, aos municípios e a Proteção Civil. Com o pequeno contributo de todos, as coisas podem correr muito bem em termos de proteção individual e da nossa região» concluiu.

Desde 1 de dezembro que o Algarve ativou os planos de emergência de Proteção Civil para reforçar o apoio às autoridades e serviços de saúde regionais.

Até ao final do estado de Calamidade, cada município algarvio tem um Posto de Comando Municipal a funcionar 24 horas por dia para assegurar uma resposta coordenada e acompanhar, em proximidade, a situação no terreno, numa plena articulação com o Posto de Comando Regional, instalado no Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, em Loulé.