Peso do comércio digital subiu de 10 para 18% com a pandemia

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Peso do comércio digital subiu de 10 para 18 por cento desde início da pandemia da COVID-19.

O comércio digital aumentou o seu peso no total das compras em Portugal de 10 por cento para 18 por cento no último ano, desde o início da pandemia de COVID-19, de acordo com um estudo da SIBS.

A entidade que gere o Multibanco deu conta, num comunicado, dos resultados de um relatório sobre a evolução do consumo em Portugal nos últimos 365 dias, no dia em que se assinala a declaração do primeiro estado de emergência.

«Entre os indicadores mais relevantes desta análise, que permitem medir as alterações nos hábitos de consumo dos portugueses, destaca-se o comércio digital, representando já 18 por cento do total de compras eletrónicas em Portugal – valor que praticamente duplicou face ao período pré-pandemia – e o aumento do peso dos pagamentos digitais, nomeadamente com o MB Way no telemóvel, que mostram um crescimento significativo face ao período homólogo – duas a quatro vezes superior», tanto no online como nas compras em loja, adiantou a SIBS.

A entidade realçou que «o peso do comércio digital no total das compras subiu de 10 por cento no antigo normal para 18 por cento no 2.º período de confinamento, sendo superior aos 15 por cento registados no 1.º confinamento», o que, de acordo com o grupo, demonstra «uma crescente adoção do canal digital».

A SIBS destacou ainda o «aumento do peso dos pagamentos ‘sem contacto’ no total das compras físicas, nas quais se incluem os pagamentos MB Way, ao longo do período da pandemia», que «atingiu quase quatro em cada 10 compras com cartão no 2.º confinamento (39 por cento), em comparação com uma em cada 10 compras (12 por cento) no período pré-pandemia».

A SIBS concluiu que «o 1.º confinamento revelou ser a fase mais agressiva de travagem do consumo nos últimos 365 dias de pandemia. De facto, a variação homóloga no 2.º confinamento (-19,2 por cento) foi aproximadamente metade do valor registado no 1.º confinamento (-40,4 por cento), no total de operações (compras físicas, compras ‘online’ e levantamentos), o que poderá indicar uma certa adaptação dos consumidores e empresas ao contexto de pandemia».

Além disso, o índice da SIBS, que inclui compras físicas e ‘online’ nos setores de transporte de passageiros e gasolineiras, bem como outras operações relacionadas com mobilidade «revela diminuições significativas nas deslocações entre 18 março e 03 maio de 2020 (-64 por cento face ao período pré-pandemia), e entre 15 de janeiro e 17 de março de 2021, onde a quebra na mobilidade em Portugal ficou pelos -45 por cento».

A SIBS descobriu também que ao longo do último ano existiu «uma tendência de saída das metrópoles – regiões de Lisboa e Porto –, sendo este movimento reforçado nos períodos de confinamento».

«A saída do concelho (índice medido pelas transações realizadas) verifica-se em 30 por cento a 40 por cento dos cartões – possivelmente relacionada com a atividade laboral – e a saída do distrito de origem em 6 por cento a 14 por cento dos cartões – potencialmente associada a segundas casas», referiu a entidade, acrescentando que, «tomando os cartões com origem no concelho de Lisboa como exemplo, observou-se que 13 por cento a 14 por cento saíram do distrito durante os períodos de confinamento, quando essa taxa se situa normalmente nos 6 por cento – valor que mais do que duplica nos períodos de maiores restrições».

No que diz respeito às compras físicas, «a quebra no consumo em loja foi menos acentuada no 2.º confinamento, comparativamente com o 1.º: a variação homóloga foi de –29 por cento de meados de janeiro a meados de março de 2021, enquanto no período de março a maio de 2020, assistimos a uma variação de aproximadamente metade (-47 por cento)».

Já as compras internacionais registaram «quebras significativas ao longo de todo o período em análise, com base nos movimentos de cartões estrangeiros em Portugal. No 2.º confinamento, registou-se uma redução de 73 por cento das compras de visitantes face a 87 por cento no 1.º confinamento».

O comércio de proximidade, como as mercearias e mini-mercados e produtos alimentares, bebidas e tabaco, «foi o que mais cresceu nas compras físicas, assumindo-se como exceção à regra de quebra do consumo», enquanto os «setores mais vulneráveis foram os de transporte de passageiros, moda e acessórios, restauração e alojamento, que sofreram quebras acima de 50 por cento face ao mesmo período do ano anterior».

A SIBS revelou ainda que «nas compras digitais, os setores de comércio alimentar e retalho e material desportivo e recreativo apresentaram crescimentos mais acelerados face ao período homólogo, encontrando no comércio online uma alternativa para a quebra registada nas compras físicas».

Em sentido contrário «os transportes de passageiros foram o setor mais afetado negativamente nas compras online, registando quebras de 75 por cento e 52 por cento no 1.º e 2.º confinamento, respetivamente».