Pelo «direito a ter um colo»

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15 janeiro de 1985, há 35 anos portanto, iniciava-se uma revolução em Faro que nos colocou, ainda hoje, na vanguarda internacional da Proteção à Criança.

Luis Villas Boas tomava conta do Refúgio e transformava-o na Emergência Infantil. Não foi em outro país mais desenvolvido à época, nem foi em Lisboa, foi…é em Faro. Entrámos para um mundo novo pela sua mão. Melhor, como ele diz, criou-se, aqui, «O direito a ter um colo».

Conheci, onde agora é a rouparia, a vaca que estava lá. Em 1975 a minha mãe ia ou mandava-me lá. Sempre que regresso sinto ainda mais orgulho de ser português. Obrigado, Villas Boas!

Ainda há muito caminho a fazer, os governos vão dizendo que sim, mas apoiam, algumas vezes a contragosto e apenas para se justificarem das suas faltas ainda nesta área, mas o Refúgio, a Emergência Infantil, com as suas infatigáveis colaboradoras, estão lá sempre, todos os dias, todas as horas, para «sua centena de crianças» que felizmente se vai alterando seguindo novos rumos de vida .

E eu continuo a visitar. Fico abismado com a capacidade de angariar apoios privados para melhorar sempre, todos os anos, mais alguma coisa e, essa coisa, é sempre algo que faz mesmo muita falta e incorpora inovação e utilidades simples e duradouras.

Mas continuo sem compreender porque é que as muitas outras crianças, «com direito a colo» do país, que precisam deixar de ser estigmatizadas, não têm acesso a este modelo «inventado» já há 35 anos…

Sim, Luis Villas Boas só há um mas o modelo da Emergência Infantil de Faro pode ser replicado e muitas pessoas de boa vontade do país pode implementá-lo, adaptá-lo, quiçá, reinventá-lo.

Ou ficamos sempre à espera que o Estado faça? Ou o Estado e as suas administrações não têm confiança na sociedade civil para fazer melhor?

PARABÉNS LUIS, obrigado por tudo, desde o 25 de Abril de 1974.

Paulo Neves | Presidente do PS Faro