Orquestra Clássica do Sul prepara nova temporada surpreendente

  • Print Icon

Apesar do Festival Internacional de Música do Algarve (FIMA) não constar na agenda, a Orquestra Clássica do Sul (OCS) avança com propostas para todos os públicos. Os mais novos terão workshops, haverá um baile vienense e os 250 anos do nascimento de Beethoven serão celebrados em concerto.

A primeira grande novidade chega já na terça-feira, dia 1 de outubro, com um concerto no Teatro das Figuras, em Faro, intitulado «Volta do Mundo em 80 compassos», para celebrar o Dia Mundial da Música.«Para nós é fundamental comemorar esta data. O concerto apresenta repertórios de todo o mundo, com peças que trazem história, que são representativas de boa música e que traçam uma narrativa. É um concerto muito especial em que vamos ter repertórios de Tchaikovsky a escrever danças russas, chinesas e árabes; Delibes a escrever sobre a Índia; compositores italianos; Strauss; música americana e Puccini com Madame Butterfly», começou por revelar Rui Pinheiro, maestro titular da Orquestra Clássica do Sul (OCS), durante a apresentação da nova temporada musical, na manhã de quarta-feira, dia 25 de setembro.

O primeiro concerto da temporada conta ainda com a participação do recente coro da OCS, coordenado pelo barítono Rui Baeta, que celebra, nesse mesmo espetáculo, os seus 25 anos de carreira artística.

«Será uma festa muito grande, tudo em volta da música e da ópera. Para mim não há nada mais civilizado do que uma comunidade que se junta numa sala para ouvir uma orquestra a tocar e um coro a cantar. Termos essa possibilidade cá em Faro, na minha terra, e é de facto de um enorme valor. É um grande privilégio artístico e cultural», afirmou o barítono.

Ainda em outubro, a OCS tem na sua programação dois concertos de abertura do ano académico da Universidade do Algarve.

O primeiro, no dia 5 de outubro, no Museu Municipal de Faro «será dedicado a influências mediterrânicas e a compositores que se deixaram influenciar por este ambiente, como Mozart, Delius, Schubert, Debussy e o próprio Elgar. É dar uma panorâmica do nosso local com o olhar de outros compositores», referiu o maestro.

Já no dia 19, a Igreja Matriz de Portimão é palco de um espetáculo dedicado a compositores vienenses, com o mais tradicional do repertório clássico.

Seguindo o objetivo traçado pela OCS na temporada anterior, de consolidar a sua presença na região do Alentejo, a Igreja de São Vicente, em Évora, é palco do ciclo «Notas à Conversa», às sextas-feiras.

«Uma peça com música de câmara, com diferentes sonoridades e agrupamentos instrumentais. Queremos mostrar que a OCS, no seu conjunto, tem esta sonoridade imponente, mas que as diferentes combinações são também muito interessantes», detalha o maestro.

Apesar dos «Concertos Pedagógicos» em si não serem uma estreia, a novidade é que, pela primeira vez, contam com a organização do recém-criado Departamento Educativo da OCS. Deste modo, de janeiro a maio de 2020, apresenta-se, em Faro, o «Ciclo Pedagógico», vocacionado para os mais jovens.

Segundo Rui Pinheiro, «no Departamento temos pessoas que são realmente especialistas na área pedagógica e já com alguns anos de experiência. Estamos a tentar perceber o que é que podemos fazer nas escolas além dos concertos. Pensámos em workshops e outras atividades mais interativas nas escolas, com as crianças e com os jovens. Ainda estamos a decidir como iremos fazer, mas queremos ir além do papel passivo de se sentarem num concerto. Esta é a grande novidade dos Concertos Pedagógicos para este ano».

Por fim, e em estreia absoluta, no Eva Senses Hotel, em Faro, a OCS apresenta o Baile Vienense, no dia 21 de março de 2020.

«A ideia é replicar aquilo que eram os bailes em Viena, onde foram escritas as valsas que se ouvem em ambiente de concerto. Antigamente era música com pretexto de dança, por isso vamos trazer as pessoas, não para um concerto, mas para dançarem o grande repertório de Strauss connosco. Sei que é um desafio, mas espero que seja uma descoberta de novos valores e acho que vai ser uma estreia muito interessante», desvendou o maestro titular.

Em conclusão, Rui Pinheiro, no uso da palavra acrescentou, durante a apresentação da nova temporada à imprensa: «hoje foi o primeiro ensaio. Esta é uma nova temporada em que temos algumas coisas novas para experimentarmos. Queremos ver o que funciona com o público algarvio, consoante também as nossas expetativas artísticas».

Ciclos que trazem convidados e que dão a volta ao mundo

A Orquestra Clássica do Sul (OCS) apresentou na manhã de quarta-feira, dia 25 de setembro, a nova temporada musical que começa já em outubro e termina em setembro de 2020.

Rui Pinheiro, maestro titular, fez questão de destacar alguns ciclos marcados na agenda. O primeiro, intitulado «Diálogos Musicais», decorre nos dias 10 de outubro e 5 de dezembro, no foyer do Teatro das Figuras, em Faro.

«É uma tentativa de ter alguns convidados a dialogar com a orquestra e os músicos. É uma excelente maneira de dialogarmos com outros parceiros. Teremos a presença da pianista Gabriela Canavilhas, em dezembro, que virá falar-nos do João Domingos Bomtempo, uma das suas grandes paixões que ela tanto tocou. Em outubro, será uma desgarrada clássica em que vamos ter dois grupos de instrumentistas, um de sopro e um de cordas. São concertos bastante descontraídos, num espaço informal, em que as pessoas podem disfrutar de um concerto não muito complexo e não muito exigente», começou por revelar o maestro titular.

Ainda na mesma linha, em parceria com o Eva Senses Hotel, a OCS apresenta o «Eva Classical Experience» com «Uma Viagem Europeia», no dia 24 de outubro, em Faro. Segundo Rui Pinheiro: «será música de câmara com um ambiente descontraído onde as pessoas podem apreciar a fantástica vista».

Dois dias depois é a vez do cineteatro de São Brás de Alportel ser palco de «Influências Inglesas». O maestro explicou, no uso da palavra, que será «um programa inspirado em compositores que se radicaram ou viveram na Inglaterra, como Haendel, Mendelssohn e Haydn».

Silves recebe o «Ciclo de Música de Câmara» a 31 de outubro e a 7 e 13 de novembro. O primeiro, na Igreja Matriz de Tunes, será «baseado em sons do novo mundo, na música americana, entrando um pouco na música latina», revelou Rui Pinheiro.

Está também de volta o «Lethes Clássico», em Faro. A terceira edição do ciclo musical apresenta seis concertos, sendo que o primeiro está marcado para o dia 21 de novembro. Para o maestro, este é «um ciclo de sucesso, com concertos de alta qualidade, em que se abordam obras com alguma dificuldade. Este ano voltamos a entrar no repertório da música de câmara, tendo em conta que não gostava de deixar passar em branco os 250 anos do nascimento de Beethoven, em 2020. É uma efeméride incontornável e no Teatro Lethes vamos ter, pelo menos, dois concertos dedicados ao compositor e à sua grande produção de quarteto de cordas e de sopro».

Por fim, no Natal e no ano novo, como já tem sido habitual, a OCS dirige-se a vários municípios algarvios para animar a época festiva. Desta vez, em parceria com o recente coro coordenado pelo barítono Rui Baeta.

365 Algarve não aprovou candidatura do Festival Internacional de Música no Algarve

Durante a apresentação da nova temporada da Orquestra Clássica do Sul (OCS), a maior surpresa deu-se quando o maestro titular Rui Pinheiro revelou, na quarta-feira, 25 de setembro, que pela primeira vez em três anos, o 365 Algarve não aprovou a candidatura para o Festival Internacional de Música no Algarve (FIMA).

«Gostava de dizer que infelizmente, este ano, será o primeiro ano em que não organizaremos o FIMA. Fizemos a candidatura nos mesmos moldes que nos anos anteriores, sempre com o pretexto de trazer muita qualidade ao Algarve. Tivemos grandes nomes e a nossa proposta este ano era também nesse sentido. Iríamos ter duas obras em estreia de dois compositores portugueses, um ligado ao jazz e outro mais ligado à música erudita. Infelizmente isso não irá acontecer este ano», desvendou o maestro titular.

Na opinião do músico: «o Algarve é tão merecedor como outro público qualquer. A ideia de que a música clássica é elitista, é um mito. O público algarvio não é menos preparado do que outras pessoas. É um trabalho que tem de ser feito, de desmistificação e que estamos a fazer. Na nossa visão sempre houve grande procura e gosto pela música. Por isso, é um misto de tristeza e de choque que este ano não se concretize».

Apesar disso, Rui Pinheiro afirmou que a OCS continuará a «fazer muitas outras coisas boas junto da comunidade, a valorizar o público e a trabalhar para que as pessoas continuem a agraciar os concertos».