Olhãopesca indignada com a posição do ICES para a captura de sardinha em 2019

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Armadores e cientistas confirmam que há abundância de sardinha no mar, e acusam o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES/ CIEM) de não reconhecer a disponibilidade do recurso.

A uma semana do início da pesca da sardinha e, no decorrer desta semana, será publicado o parecer final do ICES sobre a regra de exploração do plano de gestão apresentado por Portugal e Espanha, segundo informou hoje, segunda-feira, 27 de maio, a Olhãopesca – Organização de Produtores de Pesca do Algarve.

«Pelas informações avulsas que temos, este parecer final do ICES, contraria as conclusões do estudo, e não será muito favorável às pretensões portuguesas e espanholas sobre as possibilidades de captura para 2019», considera Miguel Cardoso, presidente da direção da Olhãopesca.

Ouvido pelo «barlavento», o dirigente diz que o sector está «indignado» com a posição oficial do ICES, pois aquele organismo «omite os bons resultados das campanhas de Portugal e de Espanha, que evidenciam uma melhoria substancial no recurso, que é confirmada por mestres e armadores e certificada pelo IPMA e o congénere espanhol. O ICES não estão a ter em consideração os relatórios de 2017 a 2019».

Para já, só é conhecida a possibilidade de pesca até ao final de julho, que é 5 mil toneladas. «É muito pouco e não sabemos o que aí virá de agosto em diante», lamenta Miguel Cardoso.

Segundo a Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco, no que toca à sardinha, o estudo publicado pelo ICES no dia 14 de maio, «as capturas ibéricas de sardinha no ano de 2019 poderão chegar a 16450 toneladas se a biomassa com mais de um ano for estimada em 200 mil toneladas».

Este estudo, com 125 páginas, está redigido apenas em inglês, e constitui o relatório final da reunião efetuada entre os dias 1 e 5 de abril, denominada WKSARMP, que se desenrolou nas instalações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em Lisboa.

Uma das principais conclusões apresentadas, é «a afirmação categórica que se desconhece o atual e o futuro nível da produtividade da sardinha, pelo que qualquer um dos quatro cenários descritos no relatório devem ser considerados como prováveis níveis de produtividade do stock para os próximos anos».

Em relação às diversas regras de exploração avaliadas no decorrer do encontro, as conclusões apresentadas, coincidem com a informação já prestada pela investigadora Alexandra Silva, do IPMA, ao sector, em sede da reunião da Comissão de Acompanhamento da Sardinha, realizada a 2 de maio.

Assim, e ainda de acordo com a Associação, «as conclusões salientam que as regras de exploração HCR5 e HCR6 atingem o objetivo do Plano de Gestão e Recuperação da Sardinha Ibérica e cumprem o critério de precaução do ICES».

«A regra HCR6 é a regra de exploração que representa o melhor compromisso entre cumprir o objetivo de recuperação do Plano de Gestão e Recuperação da Sardinha Ibérica, o critério de precaução do ICES a longo prazo e a manutenção da atividade da pesca».

No relatório é feita a apresentação da regra de exploração HCR6 «que associa a dimensão da biomassa de sardinha com mais de um ano (B1+) às possibilidades anuais de captura de sardinha (F = mortalidade por pesca)».

«De acordo com esta regra de exploração e caso a biomassa de sardinha com mais de um ano (B1+) alcance as 200 mil toneladas, as possibilidades de captura em 2019 serão de 16449 toneladas.

«Lembramos que os cruzeiros de primavera realizados em 2018 avaliaram a biomassa de sardinha com mais de um ano em 180400 toneladas e que todos os cruzeiros de avaliação posteriormente realizados, como foram o ECOCADIZ 2018 e o IBERAS/JUVESAR 2018, apresentaram dados muito positivos em termos da evolução recente do stock da sardinha», sublinha a associação de produtores.

No caso do ECOCADIZ, «o aumento do total da biomassa de sardinha foi mesmo excecional pois passaram de 11053 toneladas em 2017 para 114631 em 2018, ou seja, um brutal aumento de 937,1 por cento, para toda a costa sul da Península Ibérica (Algarve e Golfo de Cadiz)».

O estudo publicado pelo ICES «irá servir para a elaboração do seu parecer final sobre a regra de exploração do Plano Plurianual de Gestão e Recuperação da Sardinha Ibérica, cuja publicação está prevista para o final do corrente mês de maio».