Olhão lança campanha para combater o abandono de animais nas férias

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Com a chegada do mês de agosto, disparam os números do abandono de animais, sobretudo cães, por parte dos tutores que, na época das férias, deixam para trás os companheiros de quatro patas.

A pensar «nesta triste realidade», a Câmara Municipal de Olhão lançou uma campanha de sensibilização com o objetivo de despertar consciências para esta realidade.

Segundo Ricardo Calé, vereador da autarquia com o pelouro do Bem-Estar Animal, «na verdade, o abandono de animais ocorre durante todo o ano, e não apenas no verão, mas é neste período que se verifica uma maior incidência. Pareceu-nos que era a altura ideal para passarmos de forma mais vincada a mensagem de que o abandono dos nossos animais nunca é a solução e é, de resto, punido por lei».

Através de apelos como «não abandone quem esteve sempre a seu lado», ou «adotar uma vida é para toda a vida», o município pretende sensibilizar quem nesta altura do ano deixa para trás os companheiros de quatro patas, ao mesmo tempo que procura fazer face ao crescente aumento de animais a chegarem, quer ao canil municipal, quer aos abrigos das associações do concelho.

Ricardo Calé lembra que «temos vindo a desenvolver nos últimos meses, em várias frentes, e em estreita colaboração com as associações do concelho, um trabalho em prol do bem-estar animal, onde procuramos contrariar os principais fatores que contribuem para o aumento de animais nos abrigos».

Para além da campanha agora lançada, o autarca refere-se ao lançamento da construção do novo Centro de Recolha Oficil de Animais, uma obra ansiada há mais de 20 anos e que se encontra a decorrer.

Campanha abandono de animais - Olhão

No que diz respeito à articulação com as associações, o apoio financeiro por parte da autarquia sofreu, em 2022, um acréscimo de 50 por cento. Foi, também este ano, criado o Gabinete de Apoio ao Bem-Estar Animal, que congrega as várias associações do concelho, incluindo representantes dos cuidadores informais, com o objetivo de, em conjunto, se encontrarem as melhores soluções para ajudar os animais de rua.

Numa outra frente, a da esterilização, foi assinado recentemente um protocolo entre os municípios de Olhão e Tavira, que visa a partilha de meios logísticos e humanos, no sentido de potenciar as condições para a esterilização em massa de animais.

Ainda no que diz respeito às esterilizações de cães e gatos por parte do canil municipal, tem sido feito um esforço no sentido de incrementar o número de intervenções, um dos principais fatores que contribuem para a diminuição de animais de rua e abandonados: em 2019, foram feitas 194 intervenções; em 2020, 390 e, desde o início de 2021 até à presenta data, o número de animais esterilizados ascende já aos 1347 cães e gatos.

Ainda assim, lamenta Ricardo Calé, «não tem sido suficiente. Não existe entidade, pública ou privada, que consiga fazer face a este flagelo sem que todos, enquanto sociedade, façamos a nossa parte, e a nossa parte é encararmos a adoção de um ser vivo como um compromisso para toda a vida, que nos torna responsáveis por eles. Depois, identificar os animais com microchip e esterilizá-los, de forma a acabar, de uma vez por todas, com as ninhadas abandonadas e, como não poderia deixar de ser, não deixarmos para trás os nossos amigos de quatro patas quando vamos de férias».

Em Portugal, são abandonados cerca de 30 mil animais por ano, sendo estes maioritariamente cães. Destes, apenas uma pequena percentagem volta a ter um lar e uma família. Em 2022, o abandono animal aumentou já cerca de 35 por cento.