Obras já avançam na futura Junta de Freguesia de Portimão

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Autarquia acaba de iniciar a requalificação do edifício onde já funcionou outrora e que no prazo de um ano, albergará todos os serviços da Junta de Freguesia de Portimão, segundo revela o presidente Álvaro Bila.

Ao fim de muitos anos de esforços, a obra está agora a avançar no terreno. «Fazer o edifício com acessibilidades para todos é importantíssimo, porque o local onde estamos agora não serve a todas as pessoas. Quem tem mobilidade reduzida não consegue chegar ao primeiro andar. Uma Junta de Freguesia tem que dar o exemplo e, numa altura em que se pretende incentivar a reabilitação das cidades, uma autarquia não pode ter uma casa degradada», diz Álvaro Bila, presidente da Junta de Freguesia de Portimão.

A vontade de criar uma nova sede já vem, contudo, da antecessora, embora o que se pretende fazer no local seja um projeto do atual executivo. «Trata-se do restauro puro do edifício, que ainda conheci como Casa da Nossa Senhora da Conceição e que foi estação de correios, numa fase anterior. Vamos tentar tornar acessíveis, a todos quanto as quiserem visitar, as descobertas arqueológicas que se encontram no quintal, com uma ruína do século XV ou XVI, mais um poço romano e um pouco de calçada», detalha o autarca.

Além de dar visibilidade aquilo que é um pouco do passado de Portimão, o edifício terá todas as comodidades modernas.

«Todas as atividades da Junta ficarão ali sediadas. Até haverá um ponto de acesso à internet na rua. Queremos que a sala da Assembleia de Freguesia também sirva como espaço para exposições, com um pátio ao lado, para podermos fazer visitas, tertúlias e outros eventos culturais».

Em suma, Álvaro Bila pretende transformar a futura Junta de Freguesia de Portimão num polo de atração no centro da cidade. «Há quem critique a nossa cidade e diga que não tem história. A verdade é que muitas pessoas vêm de propósito visitar as nossas igrejas, a nossa rua das lojas que, felizmente, já tem algum dinamismo. Não tanto como antigamente, mas superior ao dos últimos anos», assegura. O custo da intervenção teve o visto do Tribunal de Contas, no dia 8 de outubro, o estaleiro da obra começou a ser montado na terça-feira, dia 13 do corrente mês, e, segundo Bila, deverá rondar 1,2 milhões de euros.

«O quadro técnico da Junta não tem recursos humanos para fazer um projeto desta envergadura. Logo, lançámos um concurso de concepção, passando todo o processo para o lado do empreiteiro que terá de fazer o projeto de arquitetura, os projetos de especialidade, a obra, o acompanhamento arqueológico, assegurar os prazos e tudo o mais».

Uma empresa especializada prestará esse serviço, com a supervisão da arqueóloga municipal. «Ainda pode aparecer algum achado», admite. Em relação ao dinheiro, Bila sublinha «que não vem só do meu mandato. A minha antecessora e outros executivos anteriores já tinham começado a amealhar para realizar este projeto. Vai custar um milhão e duzentos mil euros, mas com a segurança de que a Junta não pagará mais nada».

Questionado sobre uma possível recandidatura nas eleições que se avizinham, Bila prefere, para já, deixar em aberto, se pretende fazer mais um mandato, já nas novas instalações.

Álvaro Bila, uma vida ao serviço da comunidade

Álvaro Bila é um cidadão de trato simples e afável, que ocupa cargos de responsabilidade em Portimão, há muitos e longos anos, mas a quem a vaidade não chegou. Aliás, inclui sempre outros na partilha dos louros pelos sucessos alcançados, um exemplo que deveria ser seguido por muitos que se pavoneiam pela vida pública.

Costuma dizer que «esta cidade é que me deu muito. Para já, deu-me uma grande família. É a minha cidade, embora tenha nascido em Lagos, mas só lá passei três dias. Toda a minha família tem vivido aqui e é aqui que quero continuar».

Escuteiro desde a mais tenra idade, Álvaro Bila destacou-se desde muito novo, assumiu a liderança do agrupamento, manteve-o dinâmico e acolhedor, mesmo quando as instalações eram exíguas e pouco seguras, todas em madeira, com 120 elementos e uma só porta. Lutou por uma sede digna e segura e conseguiu-o.

«Entrei para lá com oito anos e continuarei sempre a ser escuta. Para mim, foi uma escola, é um conjunto de irmãos que lá estamos, é uma aprendizagem. Fui chefe com vinte anos e também me ensinou a sair do cargo principal, que era ser chefe do agrupamento, e hoje ser instrutor. Lá estarei para contribuir, sempre que precisarem de mim».

Também é presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portimão, uma instituição de apoio à população que se desenvolveu e melhorou muito, sob a sua supervisão.

«Os bombeiros são aquilo que a cidade quer. Eu peço às pessoas para irem ver aos jornais o que é que arde, quando há um fogo em Portimão. Tanto em área, se for num fogo rural, como em estragos, se for num apartamento, onde fica confinado a um compartimento. E isto deve-se à prontidão da resposta».

«A primeira equipa sai cerca de minuto e meio após a central receber o pedido de socorro e o tempo máximo concedido são três minutos. Conseguimos isto com o comandante, com toda a equipa de comando e com os nossos homens, que sempre tiveram muita disponibilidade», diz.

«Hoje, podemos dormir descansados, porque temos alguém 24 horas por dia, 365 dias por ano, a cuidar de nós. É esse o trabalho que esta direção tem feito. Cada uma que lá passou fez o melhor, nós já lá estamos há dez anos, mas eu já estou ligado à direção dos bombeiros há vinte anos».

Álvaro Bila, presidente da Junta de Freguesia de Portimão.

Confrontado com algumas críticas de que está ligado a demasiadas coisas, há demasiado tempo, Álvaro Bila contesta.

«Sempre dou à minha terra o que posso e continuarei sempre a apoiar naquilo em que acredito. Nasci muito rico em família. Nunca vou enriquecer em nada disto, porque acho que, quando estamos nestas coisas, é para servir. Somos servidores, mas também nos dão muito. Ver pessoas que passaram por mim nos escuteiros e hoje são médicos, enfermeiros, têm as mais diversas profissões e são todos boa gente, é o melhor ordenado que eu podia ter. E, nos bombeiros, a mesma coisa», compara.

«Ver o modo como aquelas pessoas continuam a dignificar a farda faz-me continuar a acreditar nas pessoas. Ninguém faz a mínima ideia do empenho daquela gente e da capacidade de socorrer as pessoas que existe. Os cidadãos podem visitar, para verem a realidade. E os críticos que acham que devíamos ter bombeiros municipais devem analisar bem a situação, porque nem o triplo da verba que a Câmara Municipal nos dá conseguia suportar uma corporação municipal a fazer o que os nossos voluntários fazem», sublinha.

«São voluntários nos salários, mas muito profissionais na ação. Como presidente, tenho muito orgulho na capacidade de resposta, não só no concelho, como na Região, pois vamos muitas vezes ajudar noutras zonas, até a nível nacional. Hoje somos uma referência a nível nacional e temos várias associações de bombeiros a visitar-nos para ver o que fazemos e como fazemos. Neste momento, com o coronavírus, atá a Delegação de Saúde está no quartel. Quando faz falta, todas as forças de segurança estão lá», garante.

Claro que «nada se faz sozinho, sem a ajuda dos outros. É o meu modo de viver em sociedade e, por onde passo, tento incutir sempre essa filosofia. Cada um tem uma coisa de bom e temos de aproveitar o que cada um tem de bom para que as coisas corram o melhor possível».

Durante largos anos, Álvaro Bila geriu os destinos da Panificadora Portimonense, «um barco muito grande e que também foi uma grande escola. Apesar da minha família ser uma das fundadoras da empresa, e por isso diz-me muito, funcionava num regime contínuo. Quando saía a mulher da limpeza, entrava o amassador; quando saía o amassador, entrava o forneiro, e assim continuava 24 horas por dia, 363 dias por ano», recorda.

«Só parávamos no dia de Natal e no dia 1 de maio. Deu-me grande estaleca para trabalhar longas horas. Costumava dizer que só era sócio uma vez por ano, quando havia assembleia geral. O resto do tempo, era operário. O trabalho na Junta de Freguesia não me custa nada, porque o faço por gosto. E também sou igual aos outros».

Além disso, diz o atual presidente da Junta de Freguesia de Portimão, no seu segundo mandato, que encontrou uma equipa boa e muito disponível. Diz que só tem de dar o exemplo e, como esteve sempre habituado a trabalhar, isso não lhe custa. Com a pandemia, arranjou uma equipa e o projeto de ir às compras para pessoas com mais de 65 anos.

«E hoje continuamos, porque pensamos que é um serviço público que estamos a fazer. Íamos às sete da manhã para um supermercado que abria só para nós, fazíamos as compras e íamos levar às pessoas. De cara alegre, mesmo sabendo os perigos que corríamos. Tivemos um enfermeiro a dar formação sobre os cuidados diários que deveríamos ter. Hoje, vamos no horário normal, mas continuamos a fazer o serviço. O melhor que levamos desta vida são os amigos que fazemos, até nisto».

No seu primeiro mandato, iniciado em 2013, encontrou crise e criou o refeitório social com a Caritas, «sem o qual haveria muita fome. Hoje, durmo mais descansado com o refeitório social, a Caritas, o refeitório do padre Arsénio. Com o que está a funcionar, não há razão para existir fome em Portimão e vamos aguentar esta crise muito melhor do que a outra. Mas temos o problema da habitação que nos vai custar um bocado».