Novo «Conselheiro» de Faro já sugere boa comida, vinho e cultura

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Criado em contraciclo, o «Conselheiro», restaurante mais recente da capital algarvia especializa-se na cozinha tradicional portuguesa. Bar com 900 garrafas, espaço para artistas locais exporem e refeições personalizadas para take away completam a oferta.

A Rua Filipe Alistão, do número 43, em Faro, é agora a casa do restaurante «Conselheiro», inaugurado na terça-feira, dia 18 de maio, que conta com uma homenagem ao avô do próprio chef, proprietário e fundador do espaço.

O jovem empreendedor Francisco Miranda, 24 anos, tirou o nível 5 de Hotelaria na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), e cedo começou a trabalhar com «um dos melhores», nas suas palavras, o chef Leonel Pereira do antigo restaurante São Gabriel, em Almancil, vencedor de uma estrela Michelin.

Preparado para criar um projeto de autor, sentia que na sua cidade «existia esta lacuna. Faltava um sítio com boa comida portuguesa, bom vinho e um bom atendimento. Sempre achei que faltava isso em Faro. Os meus pais sempre me incentivaram a criar algo meu e entretanto surgiu esta oportunidade. Assim que entrei neste espaço vi a sala principal e a lareira, apaixonei-me», conta ao barlavento.

Nasceu assim o «Conselheiro», um restaurante com uma visão bem definida pelo chef e pelos ideais deixados na família pelo seu avô, o «Carlinhos vendedor da Fiat», alcunha como sempre foi conhecido na comunidade farense.

«Quero que as pessoas sintam, quando entram aqui, tudo o que o meu avô nos ensinou. Ao domingo tínhamos sempre de ir religiosamente almoçar com ele. Só éramos perdoados se estivéssemos a trabalhar e mesmo assim, queria sempre que fôssemos. Estávamos rodeados de família, às vezes iam também amigos, e era boa comida, bom vinho e boa conversa. Aí ele era feliz. Transmitiu-nos que quando estamos rodeados dos nossos é que somos felizes. Se acompanharmos isso com boa comida e alegria, assim estamos a viver a vida. O resto resolve-se!», uma filosofia que até condiz bem com o nome «Conselheiro». Nem falta a fotografia do avô para receber os clientes.

«Infelizmente, faleceu em 2019. Este espaço é uma homenagem que lhe presto. Quero que seja um sítio onde as pessoas podem vir à procura de conselhos seja de nós, como dos amigos, da família, ou dos colegas de trabalho. É essa a mensagem que quero passar e que acho que complementa a homenagem».

Nos dias mais cinzentos de inverno, a sala da lareira apela ao aconchego, mais íntimo.

«Não significa que não se possa jantar, mas é o espaço do convívio, de partilha, com a garrafeira de fundo. No lado oposto, a cigar room, tem charutos e cigarrilhas» ao dispor, à moda antiga.

A segunda sala é a «da cultura, onde vamos ter sempre exposições de jovens artistas de Faro. Vamos apoiar ao máximo a cultura local. Não cobramos qualquer tipo de comissão. Os autores mostram os seus trabalhos e o que venderem não é da nossa conta. Garantimos boa iluminação e boa proteção das obras. Vamos tentar sempre, em cada mês, ter uma exposição diferente seja pintura, escultura, poesia, cerâmica».

Já a sala privada está sujeita a marcação, mas poderá ser palco para reuniões, aniversários, jantares em casal, pedidos de casamento e até surpresas.

Segundo Francisco Miranda, «é para um momento especial. O cliente diz-nos o que quer proporcionar e nós ajudamos a criar o melhor momento possível».

No segredo dos deuses está ainda o quarto espaço, que apesar do proprietário não adiantar pormenores, levanta o véu ao dizer que vai ser «tropical».

Pratos com uma história

Quanto ao menu, foi todo criado pelo chef em conjunto com a equipa e foca-se na melhor experiência possível à mesa. «Todos os nossos pratos têm uma história bem peculiar que será descrita no menu. A base é a comida tradicional portuguesa, mas com alguma invenção.

Por exemplo, raia alhada, raviolis de ensopado de borrego, pica-pau, migas com secretos e cavala alimada» que prometem os melhores sabores da cozinha tradicional portuguesa.

A ideia é poder escolher entre tapear ou uma refeição completa. Os apreciadores de vinhos têm centenas de rótulos à escolha.

«Temos de tudo um pouco. Desde opções muito fáceis de gostar, a variedades para quem conhece o melhor. Há brancos que ficam bem com os nossos pratos de carne e tintos que caem bem com o peixe. É uma garrafeira que vamos construindo com os clientes e de acordo com os seus gostos, mas estamos a apostar no novo mundo dos vinhos porque 95 por cento das nossas opções não se encontram nas grandes superfícies. A nossa aposta é nos pequenos produtores nacionais, do Minho ao Algarve, e alguns internacionais: espanhóis, franceses e argentinos. Quem quiser, também vai poder comprar cá qualquer garrafa de vinho. O que queremos é surpreender, dar a conhecer e reinventar o tradicional», descreve.

Nas sobremesas, há três à escolha e cada uma marca também momentos especiais na vida do chef. Os potes de alfarroba e chocolate remontam aos seus tempos de criança. «Fazia esses potes com uma amiga minha e levava-os para a escola para vender com bolachas de manteiga e de chocolate. A minha mãe e a mãe dela foram chamadas à direção porque estávamos a fazer uma fortuna no contrabando de sobremesas», relembra o jovem. São taças parecidas ao petit gâteau com chantilly no topo, a pensar nos «mais gulosos». O menu será renovado de seis em seis meses, de forma a seguir a sazonalidade dos ingredientes, que na maioria são de produtores locais.

«Desde o início, quando comecei em cozinha, sempre tive um plano muito delineado. Mas agora trocou-se tudo. Nunca pensei ter um espaço com esta ideia. Agora vou em frente. Temos alguns planos enquanto empresa e alguns planos para Faro. Mas o essencial é começar bem e com qualidade», conclui Francisco Miranda.

O «Conselheiro» está aberto para jantares, de terça a domingo e conta com quase 30 lugares (segundo as regras para a contenção da COVID-19) e 48 sem restrições. Para reservas ou contactos, basta ligar (289142615 ou 910472943).

Abrir em pandemia foi «loucura máxima»

Francisco Miranda é um chef de cozinha de 24 anos que inaugurou o seu restaurante, o «Conselheiro», no dia 18 de maio. Os preparativos começaram em novembro último, em plena pandemia COVID-19.

«Encontrei este espaço no final do ano passado. Tinha trabalho. Não precisava de me reinventar. Mas pensei que este é o momento em que a hotelaria tem de se levantar, de olhar para frente e de mostrar que tem sangue na guelra. Temos jovens que trabalham muito bem, mas que têm algum receio de se lançarem. Foi o que fiz. Mais vale arrepender-me de algo que fiz do que ficar ressentido por não ter feito. Foi em plena pandemia, uma loucura máxima, mas mais vale daqui a um ano pensar que não o deveria ter feito porque ainda estamos nesta conjuntura, do que daqui a um ano já estar tudo bem e pensar que perdi a oportunidade», afirma o chef ao barlavento.

«Claro que tenho medo do que possa acontecer. Não falo apenas de mim, Tenho funcionários que têm casa para pagar, filhos para alimentar e tenho de trabalhar muito por eles. Esse é sempre o meu objetivo ao estar aqui: como entidade patronal, trabalhar acima de tudo, muito para eles. Ao nível pessoal, também tenho receio de como a minha vida possa ficar, mas se não arriscar».

Um menu personalizável para take away

Mesmo antes de abrir as portas do «Conselheiro » pela primeira vez, Francisco Miranda, proprietário e chef de cozinha do recém inaugurado restaurante, lançou um menu take away, completamente diferente dos pratos confecionados apenas para o espaço físico. «Trata-se de um do it yourself. A pessoa escolhe, por via digital, o tipo ou tipos de massa que gosta (tagliatele normal, esparguete sem glúten, esparguete nero, tagliatele de espinafres e gnoccis), os molhos (carbonara, bolonhesa de carne, milaneza, de marisco ou de trufa) e os complementos (bacon, camarão, curgete salteada, cenoura salteada, espinafres). Pode escolher só uma opção de cada ou todas», explica o chef ao barlavento.

A adesão não poderia ter sido melhor. «Todos os dias temos cerca de cinco pedidos e aos fins de semana chegamos a ter dez. Isto logo na primeira semana», revela. Para quem quiser encomendar, o jovem empreendedor assegura que estará disponível para breve uma plataforma na Internet apenas para o «Conselhereiro», mas até lá pode usar as plataformas Uber Eats e Glovo para entregas em casa.

Em alternativa, existe o take away, com recolha no restaurante. Os preços variam consoante o número de acompanhamentos, sendo que a base ronda sete euros. A vantagem deste serviço, segundo o proprietário é «ser acessível, personalizável, bom e que as pessoas podem pedir sempre que lhes apeteça. Além disso, com as nossas embalagens, podem levar a refeição para comer em qualquer lado, seja praia ou campo, até porque também temos talheres para quem precisar».