NERA celebrou 30 anos a dar voz a centenas de empresas no Algarve

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Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA) comemorou as três décadas de existência, na sua sede, em Loulé, na sexta-feira, 6 de dezembro. João Cravinho, ex-ministro de António Guterres foi o convidado de honra.

Apesar de celebrar 30 anos de existência jurídica autónoma, o NERA remete a 1983, quando um grupo de empresários do Algarve contactou a Associação Industrial Portuguesa Câmara de Comércio e Indústria (AIP), no sentido de criar um grupo de trabalho.

Seis anos depois nascia a primeira associação do género, que serviu de alavanca e de exemplo a que muitas regiões do país dinamizassem também um modelo de associativismo empresarial regional, segundo explicou ao «barlavento» Vítor Neto, presidente do NERA desde 2002.

Em noite de celebração, a retrospetiva que faz das três décadas de vida associativa é «positiva em vários aspetos. Esta é uma associação de carácter intersectorial, que engloba empresas diversas, desde o Zoomarine à Algardata, a empresas de camionagem. Por outro lado, servimos de instrumento para discutir, com o governo e com as várias entidades, a política económica, defendendo os interesses dos nossos empresários. Temos uma atividade muito específica que é a formação profissional, a assessoria às empresas, a criação de seminários e conferências. A isto, junta-se a intervenção permanente nos programas de fundos comunitários para a internacionalização da economia do Algarve e para a promoção das novas tecnologias. Em suma, a nossa atividade é muito vasta».

Vítor Neto enalteceu «algumas batalhas recentes, como a luta contra a exploração e prospeção de hidrocarbonetos na região. Em parceria com outras congéneres, conseguimos criar uma unidade, que gerou uma opinião pública para se travar essa mesma batalha de forma correta. Na recente greve dos motoristas, que acabou por não se realizar, havia uma certa insensibilidade e incompreensão dos poderes centrais em relação ao peso do Algarve. Havia uma subestimação da importância da região. Mais uma vez contribuímos para sensibilizar o governo para que considerasse o Algarve como zona privilegiada no tratamento (da crise). Isso foi conseguido».

Olhando para os próximos desafios no horizonte, «falta conseguir ter uma ação com outras associações e com a sociedade algarvia em torno de um projeto para a região. Sentimos que temos de dar esse contributo. Lutamos por isso e queremos fazê-lo. A nossa aspiração é continuar a defender os interesses dos algarvios, da economia, das empresas e de quem trabalha, numa visão integrada, em que todos os sectores são importantes e em que todos merecem atenção independentemente da dimensão», sublinhou ao «barlavento».

Também o engenheiro João Cravinho, convidado especial da efeméride, afirmou ao «barlavento» que associações empresariais como o NERA, têm um papel preponderante para «ajudar a desenhar políticas voltadas para o futuro».

Isto porque «as administrações públicas, em geral, têm um ónus pesado em antecipar o que está para vir. A sua vivência, o tipo de experiências que têm e a própria formação leva-os a sobrevalorizar a continuação e as rotinas em boa ordem. Logo, com esse enviesamento, existe e capacidade para perceber o que está a funcionar mal ou que poderá implicar o agravamento da disfuncionalidade dos comportamentos políticos. Coletivos como o NERA refletem o que sentem e têm um tipo de informação perspetivo, prático e relevante para o debate público. Porque os problemas não são simples, e há mais de uma maneira de olhar para eles», disse.

Na cerimónia marcaram ainda presença Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé; Francisco Serra, presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve; João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) e a escritora algarvia Lídia Jorge.

«O sistema político que existe não funciona» diz João Cravinho

João Cravinho, ministro do Equipamento Social, do Planeamento e da Administração do Território no primeiro governo de António Guterres marcou presença no 30º aniversário da Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA).

Num momento em que se iniciou um novo ciclo político, o «barlavento» questionou o antigo governante sobre qual a sua visão acerca da economia nacional atual. «Temos uma situação muito condicionada que não vem só da troika, mas de trás», começou por explicar. Um dos grandes problemas do país é «o baixo nível de qualificação e educação da população em geral e o clima de incerteza que se vive na União Europeia (UE)».

Ainda segundo Cravinho, «a Europa vive uma crise prolongada. Olhando para os principais países que influenciam a política europeia, vemos que todos eles se encontram em grande transformação nas bases eleitorais dos partidos tradicionais.
O que significa que a rotação na governação, não resolve» os problemas.

«As questões que se colocam são se a UE deve ou não ter um orçamento próprio para atuar em momentos de crise e se deve ou não ter uma fiscalidade diferente. São temas que raramente são falados mas que de dia para dia é mais evidente que o sistema que existe não funciona e está a causar em todos os países bloqueamentos à iniciativa, ao investimento e à tomada de risco».

Nesse sentido, «não têm havido grandes alterações e as pessoas percebem a fraqueza do poder político em termos de apoio popular. Nestas condições, há um fator negativo e inibitório, presente em quem toma decisões, de um crescimento mais ousado, que procure balancear os riscos com as oportunidades. Está tudo muito na defensiva». Por fim, João Cravinho prevê que «a situação se prolongue por largos anos. A minha previsão é uma década».

Alterações climáticas são problema emergente

A problemática das alterações climáticas e a falta de água que assola a região algarvia foram temas abordados no 30º aniversário da Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA). Vítor Neto, o presidente do coletivo, assegurou ao «barlavento» que é um debate e uma discussão «em que temos interesse em participar de forma a encontrar as melhores soluções. Pensamos que os empresários têm que estar sempre na primeira linha de todas as situações que forem surgindo. Este não é um tema só para políticos porque temos a responsabilidade de defesa das nossas empresas e dos empregos que elas geram. É uma responsabilidade social global».

Também João Cravinho, engenheiro e convidado especial da cerimónia, afirmou ao «barlavento» que «há uma emergência clara, mas hoje há um fator muito relevante que é o conhecimento da população em geral. No entanto, se nada for alterado, vão haver consequências, na nossa capacidade como máquina humana, em viver neste ambiente».

Já em relação à escassez de água que se faz sentir no território algarvio, o ex-ministro é da opinião que a solução, em primeiro lugar, deve passar pela construção de mais barragens, «pelo menos mais uma. No entanto, é evidente que a água vai ser no futuro, um fator de constrangimento ao bem-estar das populações».

Câmara de Loulé investe 600 mil euros no Parque Empresarial

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé também marcou presença nas comemorações do 30 aniversário da Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA). No seu discurso começou por enaltecer a relação «rica e constante» entre «aquela que tem sido uma das associações mais ricas e representativas do município com a autarquia».

No uso da palavra o edil louletano enalteceu dois momentos que, na sua opinião, se destacaram pela diversidade.

«Em 2013, esta área empresarial de Loulé ganhou muito com a decisão inteligente do anterior executivo, em parceria com o NERA, de revitalizarem esta área. A sinalética melhorou, os acessos melhoraram e penso que foi um momento importante nos últimos anos e com consequências positivas. Destaco ainda a junção da autarquia com a associação para se promover a capacitação e uma gestão de acordo com os padrões atuais mais exigentes de uma área empresarial que praticamente estava eclipsada no nosso território, a área empresarial de Vilamoura. Vilamoura precisa e o município está a investir cerca de milhão e meio de euros neste projeto. Um esforço significativo para potenciar e alavancar a atividade empresarial».

Por fim, Vítor Aleixo revelou ainda um novo investimento por parte da Câmara. «Em breve abriremos concurso para se responder a uma exigência nesta zona. Serão cerca de 600 mil euros para se criar estacionamento para os camiões TIR. Esta área precisa de respirar e precisa deste investimento indispensável a uma área com estas características».