Movimento Determinante contesta rumo do CRM Sul

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A Movimento Determinante, Associação de cidadãos com deficiência, seus cuidadores e amigos, enviou uma carta aberta à imprensa na qual lamenta o rumo do Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMR Sul).

Foi «com desagrado e estupefação» que a Associação Movimento Determinante ficou a saber que o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMR Sul) acaba de abrir uma valência para reabilitação de doentes COVID-19.

O motivo que indigna aquela associação, não é «por estas pessoas não terem direito a uma reabilitação especializada, mas por essa valência abrir à custa de outros, igualmente dela necessitados, a quem essa reabilitação tem sido recusada e a quem tem sido igualmente adiada a entrega de ajudas técnicas e materiais de apoio».

Com efeito, diz o Movimento Determinante, numa missiva enviada hoje às redações, na segunda-feira, dia 8 de março, «existe uma preocupante lista de espera, que rondará os cinco meses, de pessoas com lesões recentes medulares (LM), traumatismos crânio-encefálicos (TCE), acidentes vasculares cerebrais (AVC), entre outras patologias, a aguardar por vagas constantemente proteladas e, por isso, com a sua reabilitação final seriamente comprometida por falta de intervenção médica e terapêutica oportuna».

Na carta aberta ao portugueses, o movimento questiona, «como é que essas pessoas vão entender que uma ala que não foi reaberta para elas o seja agora e exclusivamente para reabilitação de doentes COVID?».

Além disso, «já não é a primeira vez que o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) utiliza o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul para colocar utentes do Hospital de Faro sem as referidas patologias, quando dispõe de unidades de reabilitação nos seus hospitais, incluindo o de Faro e o de Portimão. Também não se compreende que os doentes que tiveram COVID-19 passem à frente dos doentes em lista de espera, que precisam de assistência e tratamento para poderem vir a ter (ou manterem) alguma qualidade de vida. Mas como esses não tiveram COVID, não é importante!».

A carta aberta lamenta que os cidadãos com deficiência, «afinal, são só uma minoria social de quem muito se fala, mas de quem muito poucos querem saber».

«Somos uma associação de defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência e dos seus familiares e cuidadores, com experiência própria sobre as consequências da falta de intervenção médica e terapêutica na altura adequada. Defender a dignidade do CMR Sul e dos doentes que dele necessitam é uma das nossas formas de intervenção social para uma sociedade democrática. Para nós, não há doentes de primeira nem de segunda, como também não há portugueses de primeira nem de segunda. E para si?», remata a carta aberta.