Marca vegan de São Brás quebra fronteiras em menos de um mês

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Marca Zealous Earth Value (ZEV) nasceu pela mão de duas jovens de São Brás de Alportel e já faz sucesso no estrangeiro.

São t-shirts de algodão biológico que exibem designs inspirados nos cartazes e palavras de ordem usados pelos jovens nas manifestações da greve climática, criadas por duas empreendedoras do barrocal algarvio.

«Estava a ler uma revista de moda e encontrei um artigo sobre um rapaz que começou a fazer a sua própria roupa. A história inspirou-me e na verdade sempre tive muitas ideias. Pensei logo em algo que marcasse a diferença. Juntei-me a uma amiga de infância e escolhemos abordar a questão do aquecimento global e das alterações climáticas, que são assuntos que nos tocam muito».

Adriana Urbano.

«Pensámos em usar material reciclável, pesquisámos imenso e encontrámos uma gráfica em São Brás de Alportel que trabalha com roupa de algodão biológico, ou seja 100 por cento vegan» afirma Adriana Urbano, de 20 anos, responsável pela mais recente marca de roupa algarvia, Zealous Earth Value (ZEV), ao «barlavento»

«Além disso, queríamos colmatar uma lacuna. As lojas biológicas não apostam no têxtil. Foi assim que tudo começou», conta.

Apesar de ter apenas um mês, a marca conta já com cinco modelos, todos unisexo. «Cada camisola tem uma frase em inglês» inspirada nas palavras de ordem que os jovens portugueses empunharam nos protestos da greve climática estudantil de 20 de setembro. E cada frase é ilustrada por «amigas nossas que têm um enorme talento. O material tem ótima qualidade e, à primeira vista, parece igual a outro qualquer», explica Adriana.

A adesão do público, segundo a criadora, não poderia estar a correr melhor. «No início fizemos uma pré-reserva para termos uma noção de quem poderia aderir. Tivemos muito mais procura do que estávamos à espera. Já vendemos cerca de 40 e continuamos a crescer nas redes sociais», revela.

Os clientes são de todas as idades, na grande maioria de São Brás, mas não só. «Lisboa, Viseu, de todo o Algarve e agora até da Holanda». Isto porque a colega que se juntou a Adriana para criar a marca emigrou, levou consigo as camisolas e a moda pegou.

«Lá fora as mentalidades são muito mais abertas que em Portugal. Estão mais conscientes que nós para este problema. Mas temos de começar por algum lado», considera.

Espalhar a mensagem e mostrar que há alternativas no mundo da moda são os principais objetivos da recente marca. «Temos autocolantes com as frases e sempre que temos amigos que vão viajar fazemos questão que os levem. Já levámos a mensagem ao Brasil e brevemente chegará ao México. O mais importante é dizer ao mundo que há opções. Basta procurá-las», afirma Adriana Urbano.

Para o futuro, ideias não faltam à jovem algarvia. A primeira será criar uma sweat com o mesmo conceito e com o mesmo material. Acrescentar três cores novas, criar novos designs de seis em seis meses, apostar em sacos, em polos e em blusas cintadas e, em 2020, marcar presença na Feira da Serra de São Brás de Alportel.

«O problema é encontrar quem as execute em material biológico, uma tarefa que «não tem sido fácil», diz.

As blusas da marca ZEV estão disponíveis para compra no Facebook e no Instagram e, segundo a criadora, abrir uma loja física, mesmo que a marca atinja grandes proporções, está fora de questão.

«As plataformas online estão a superar as físicas e as nossas páginas estão sempre a crescer. Há designs para todos os gostos e qualquer pessoa, de qualquer idade e género, as pode usar. No fundo, estou muito orgulhosa daquilo que alcancei, sobretudo em tão pouco tempo», conclui a jovem.