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João Vasconcelos, cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) pelo Algarve, conseguiu votos para ser reeleito, mas não se mostrou confortável com o resultado geral.

«Pretendíamos manter representação parlamentar, um deputado. Embora soubéssemos que seria difícil, sempre considerámos um segundo deputado. Isso não se confirmou, mas o objetivo principal era manter a representação parlamentar e isso confirmou-se. Iremos continuar a trabalhar, sabemos que não é fácil. Lamento o facto da esquerda ter perdido aqui no Algarve, nomeadamente a CDU ter perdido o deputado. É aborrecido, para nós também, porque fazem parte da esquerda. De qualquer modo, iremos continuar a lutar. Os algarvios vão continuar com o Bloco de Esquerda, com o meu trabalho, nomeadamente com a minha presença no Parlamento. Iremos continuar a trabalhar e vamos esperar pelos próximos dias, por uma análise mais circunstanciada destes resultados eleitorais», disse ao «barlavento».

Para o deputado do BE, os resultados eleitorais não estão longe «do que suponhamos. Sabíamos que, por efeitos da Gerigonça, o governo, que é o parecer mais forte, tem sempre tendência a capitalizar mais votos. De facto, confirmou-se. Os parceiros à esquerda acabaram, de certo modo, por se ressentir um pouco dessa situação. Não tanto o Bloco de Esquerda que, sem dúvida, conseguiu manter a sua força, como terceira a nível nacional e também aqui no Algarve».

No entanto, «parece que o Bloco de Esquerda, aqui na região, continua a ter a maior percentagem a nível nacional, à partida. O PSD aumentou, o CDS-PP desaparece. Portanto, no Algarve, apesar de tudo, há uma derrota da direita. Há um avanço significativo do PS, mas nós também mantivemos a nossa força parlamentar. Há um aspeto negativo que é o facto da diversificação parlamentar ficar um pouco mais pobre no Parlamento», considerou .

«Tínhamos aqui cinco partidos e, neste momento, a nível da Assembleia da República, vamos ter apenas três, o que empobrece um pouco a democracia, tendo em conta a questão da representatividade do Algarve. Da nossa parte, iremos continuar a lutar e a trabalhar para apostarmos nas nossas propostas que antes foram chumbadas. Naturalmente na questão da saúde, das portagens, da mobilidade, da requalificação da EN125, da diversificação económica. Há aqui muita matéria que continuaremos a trabalhar e esse é o nosso papel e a nossa responsabilidade», garantiu João Vasconcelos.

«Vamos ver o que o PS irá fazer. Bloqueou muito o desenvolvimento do Algarve com a existência da gerigonça a nível nacional. Como se sabe o PS deu um travão a nível da mobilidade, na questão das portagens. Houve uma promessa do primeiro-ministro de levantar as portagens que não concretizou. A requalificação da EN125 entre Olhão e Vila Real de Santo António ainda não foi feita. A questão da saúde, que não houve o investimento necessário e é uma das maiores lacunas no distrito. Esperemos que isso seja ultrapassado e que haja um investimento e uma atenção com maior detalhe, por parte do PS, o partido com mais representação no Algarve. Da nossa parte, poderá contar com propostas positivas por parte do Bloco de Esquerda».

Em relação à abstenção, o deputado do BE diz que «é um dado que preocupa porque as pessoas sentem-se desiludidas. Isto é, não se sentem devidamente representadas e neste caso, também as políticas que o governo fez, a nível do Algarve, não se sentiram. A própria juventude tem um grande descrer. É preciso um maior investimento, é preciso ir mais ao encontro das pessoas. Essa é uma responsabilidade de todos e naturalmente do Bloco de Esquerda».