ISMAT vai criar projetos sustentáveis para as aldeias do Barrocal

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Professores e alunos de todos os cursos do ISMAT vão criar propostas de desenvolvimento sustentável, desafiados pelas juntas de freguesia.

O Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT), de Portimão, está a lançar uma iniciativa multidisciplinar que tem por objetivo promover a reabilitação e o desenvolvimento do património cultural e natural das aldeias do Barrocal algarvio.

Irá envolver as freguesias de Cachopo, Alferce e Mexilhoeira Grande, assim como em Budens, na freguesia de Vila do Bispo. A ideia conta com o envolvimento das autarquias locais, que vão desafiar os alunos de todos os cursos do ISMAT a desenvolverem projetos que se enquadrem nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Durante a apresentação à imprensa, que teve lugar na tarde de sexta-feira, dia 4 de março, no Pavilhão Arena, em Portimão, os professores e promotores Miguel Portugal e Rui Pedro revelam que a iniciativa irá envolver um grande número de docentes e alunos. «Trata-se de estabelecer sinergias entre os vários domínios do saber, a sociedade, tornando as comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis».

Por sua vez, Rui Loureiro, diretor do ISMAT, informou que os trabalhos académicos vão desenvolver-se ao longo do segundo semestre, que agora teve início, do presente ano letivo e que se trata de «um projeto inovador no Algarve», nascido no curso de Gestão de Turismo.

Álvaro Bila, vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão, acredita que é possivel e deu como exemplo de resiliência em tempo de crise, Porto de Lagos (Rasmalho).

«Durante a pandemia, ao contrário do que aconteceu na cidade, ao nível do apoio alimentar, ali disseram-nos que não necessitavam de nada, porque tinham quase tudo o que a terra dava. Conseguiram sempre a sua sustentabilidade e conseguiram sobreviver» com base na agricultura. Bila acredita que estudantes e professores vão conhecer mais exemplos e aprofundar o conhecimento da ruralidade algarvia.

O professor Rui Pedro explicou que esta não será uma ação isolada. Na verdade, o projeto inicial tinha um foco turístico, na interação entre os residentes e os turistas e visitantes, mas depressa ganhou outras preocupações como o combate à solidão e contributo para o bem-estar das populações do interior.

Também Rafael Dias Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Cachopo, deu nota positiva. «As aldeias serranas eram autossuficientes. Dentro de casa, havia uma salgadeira. Na rua, ovos, carne, legumes e batatas. Durante séculos, foram-se melhorando as sementes e os métodos. Nos últimos 50 anos, destruiu-se quase tudo» e perdeu-se essa sabedoria empírica. Mas este não é o único desafio. Em Alferce, a população ainda sofre as consequências do grande incêndio de 2018, que segundo o autarca José Pereira Gonçalves, destruiu 95 por cento da floresta em pouco mais de quatro horas.

O presidente nota «um acréscimo considerável da população estrangeira» e naquela freguesia de Monchique «não há casas para alugar ou vender, pois é tudo adquirido de imediato», tal é a procura imobiliária. Por outro lado, não tem sido possível reconstruir as casas que foram destruídas pelo fogo, porque as pessoas «nunca conseguiram os fundos» prometidos.

O autarca referiu que tem à porta a maior reserva de água do Algarve, a barragem de Odelouca, que abastece todo o sistema multimunicipal da Águas do Algarve, mas não chega às torneiras da freguesia de Alferce. Queixou-se ainda da ineficácia dos instrumentos de gestão do território, que não deixam alterar, reconstruir ou ampliar as habitações e apenas facilitam a construção hoteleira. No entanto, o presidente da Junta de Freguesia de Alferce considera que tem uma área enorme com condições e potencial para acolher projetos inovadores.

Também presente na sessão, José Vitorino Nunes, presidente da Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande, referiu que tem outras condições de desenvolvimento, quer em número de habitantes, quer no que toca a atividades económicas, culturais e desportivas. Está aberto, contudo, a acolher o projeto ISMAR, que poderá tornar esta freguesia do concelho de Portimão «ainda mais dinâmica, sustentável e resiliente».

Uma situação parecida à descrita por Ana Margarida Custódio, presidente do executivo da Freguesia de Budens, à qual não falta dinamismo. Duas das cinco aldeias (Burgau e Salema) estão junto ao mar e são destinos turísticos. Budens tem um grande complexo turístico com campo de golfe. A maior fragilidade é a falta de transportes públicos, o que também dificulta a fixação de famílias.

Feito o diagnóstico, as propostas de novos projetos serão apresentadas no dia 17 de junho.