Incêndio de Castro Marim progride e causa danos em Tavira e VRSA

  • Print Icon

Chamas fora de controlo causaram momentos de pânico e sobressalto junto de várias povoações, atingindo já os concelhos de Tavira e Vila Real de Santo António. Um bombeiro ficou ferido e já existiram danos em armazéns e casas.

Um incêndio de grandes dimensões deflagrou na madrugada de segunda-feira, dia 16 de agosto, em Pernadeira, Odeleite, no concelho de Castro Marim. O fogo, que chegou a ser dado como dominado às 10h28 desse mesmo dia, escapou ao controlo dos meios no terreno e ganhou força para progredir de forma muito violenta, atingindo os concelhos de Tavira, principalmente na zona da Mata Nacional da Conceição, e Vila Real de Santo António, nas imediações de Vila Nova de Cacela, levando ainda ao corte, durante várias horas, da A22 e também da Estrada Nacional 125, entre Altura e Tavira.

Em conferência de imprensa para fazer o ponto de situação sobre este incêndio, realizada na manhã de hoje, terça-feira, dia 17 de agosto, Richard Marques, comandante operacional distrital de Faro da Proteção Civil, explicou que «o fogo progrediu de forma fulminante, com uma taxa de expansão de 650 hectares por hora, um perímetro de 43 quilómetros e uma área afetada de nove mil hectares, com potencial de atingir os 20.000».

Segundo este responsável, os operacionais no terreno trabalharam sem «janela de oportunidade meteorológica favorável para controlar as chamas», numa situação que, à data e hora de fecho desta edição do barlavento, se mantinha crítica e em curso, com mais de 600 operacionais no terreno, apoiados por mais de 200 viaturas, oito meios aéreos e várias máquinas de rasto.

Em consequência deste trágico incêndio, registou-se a ocorrência de um bombeiro com ferimentos leves e, ainda, a necessidade de evacuar 80 cães e 110 gatos do Canil/Gatil Intermunicipal de Castro Marim e Vila Real de Santo António (VRSA).

Segundo o presidente da Câmara de VRSA, Luís Romão, esta ação contou com o apoio «de várias associações mas, também, de mais de 100 populares, que ajudaram por conta própria» a retirar os animais, que foram encaminhados para os canis de Tavira e Loulé.

Já Francisco Amaral, presidente da Câmara de Castro Marim, descreveu «o desespero de várias pessoas, entre as quais muitos casais jovens, que perderam todas as suas plantações agrícolas, que eram fonte de sustento».

O edil informou que já entrou em contacto com o Ministério da Agricultura e que «foram prometidos apoios» para mitigar estas situações. Presente na conferência de imprensa esteve também o tenente-coronel da Guarda Nacional Republicana, Marco Henrique, que destacou a «necessidade de evacuar 12 localidades desde o início das chamas, que implicaram a deslocação de 81 pessoas para locais mais seguros». Apesar disto, o militar da GNR enalteceu «a ausência de feridos civis».

Quanto a danos, Marco Henrique explicou que «ainda não foi feita a confirmação no terreno, pelo que a informação ainda é provisória, mas tenho conhecimento de uma oficina danificada no incêndio».

Neste ponto, a presidente do município de Tavira revelou que, «infelizmente, assisti ontem a situações de casas ardidas ou parcialmente danificadas pelas chamas, bem como armazéns. No entanto, ainda temos de fazer um levantamento dos danos no terreno».

Para assistir a população afetada por esta situação, foram criadas zonas de apoio em Castro Marim e Tavira que, à data do fecho da nossa edição, contavam com sete e 26 pessoas, respetivamente, com perspetivas de um regresso breve às suas habitações.