Imigrantes em Faro: há seis casos positivos e um nos Cuidados Intensivos

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Ainda se encontram 59 migrantes em quarentena na Escola Básica 2, 3 de Santo António do Alto, em Faro. Seis já deram positivo para o novo Coronavírus, sendo que o doente inicial do grupo encontra-se agora internado na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) do Hospital de Faro, mas sem risco de vida.

Em conferência de imprensa, Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de Saúde no Algarve, adiantou pormenores sobre o estado das seis dezenas de trabalhadores do sector agrícola, que se encontram em quarentena na Escola Básica 2,3 de Santo António do Alto, em Faro, desde domingo, dia 8 de março, depois de um dos imigrantes ter sido diagnosticado com COVID-19.

«Um dos trabalhadores foi internado e está na UCI. Como fazemos para todos os casos, fomos à procura dos contactos próximos. Deparámo-nos com três casas, perto umas das outras, onde residiam estes migrantes, com 20 ou 30 pessoas por casa, dormindo muitas no mesmo quarto. Considerámos uma situação de grande risco», começou por esclarecer aos jornalistas, a delegada regional de saúde, hoje, sexta-feira, dia 20 de março.

De forma a conseguir-se criar condições de isolamento, proteção e conforto, «desde o início que tentámos apurar os migrantes que estavam sintomáticos, daqueles que não tinham sintomas. Foram separados, com uma casa-de-banho própria e não têm contacto uns com os outros. Também tivemos o cuidado de separar homens e mulheres, sempre com um grande respeito pelas necessidades destas pessoas», explicou ao microfone.

Com mais de 10 dias de isolamento, os 59 cidadãos, que se encontram ainda no ginásio da escola, «dormem em beliches e têm quatro refeições diárias e roupas novas, ambas fornecidas pela Cruz Vermelha», garantiu Ana Guerreiro.

Questionada sobre o atual número de infetados internados, a responsável afirmou tratarem-se de seis, sendo que se encontram ainda a serem feitas «investigações junto de outros aglomerados de trabalhadores rurais», de forma a tentar perceber-se se a cadeia de transmissão se encontra restrita ao pavilhão da Escola.

Uma medida de isolamento, que se demonstrou profícua. «A vantagem de termos estas pessoas ali próximas é que vão sendo objeto de vigilância ativa. Medem a temperatura todos os dias e se surgem alterações ao estado de saúde, ponderamos fazer ali o teste e aguardar, ou enviar ao hospital. Nos últimos dias, o caso dos migrantes rurais tem estabilizado e, de acordo com opiniões de outros técnicos, esta medida de contenção, pode ter sido a chave para não termos tido uma explosão de casos, pelo menos na comunidade do concelho de Faro».

Ainda assim, Guerreiro confirmou aos jornalistas que as últimas duas pessoas diagnosticadas com COVID-19, no concelho de Faro, tratam-se também de cidadãos com ligação ao sector agrícola. «Podem ser eventualmente chefias ou empresários, mas não têm ligação conhecida ao primeiro grupo. Não posso precisar é se estão internados ou se estão em casa».

Até à data, no Algarve, há 29 casos confirmados e um óbito por parte de um português, residente em Albufeira, com 77 anos, que já sofria de problemas graves de saúde. 150 pessoas testaram negativo e 14 continuam a aguardar análise de laboratório. Há 15 doentes internados, sendo que quatro encontram-se na UCI. Ana Cristina Guerreiro detalhou que nenhum destes últimos se encontra «em estado crítico ou risco de vida».