Há um novo restaurante que quer levar Faro ao «Céu»

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Jovem casal multicultural escolhe Faro para investir no restaurante «Céu». Aposta numa fusão entre sabores sul-americanos e asiáticos.

Abriu no início de fevereiro e já desperta a curiosidade dos farenses. Sky Visser, 23 anos, chef de cozinha, e responsável pelo novo restaurante «Céu», localizado no número 5 da Rua Dr. João Lúcio, explica o conceito que traz à cidade.

«A minha mãe é asiática e cresci na América do Sul. Decidi juntar estes dois mundos porque são os meus tipos de comida favorita. Além disso, assim que terminei os meus estudos comecei a trabalhar em fine dining. Tenho muito gosto por esta área, mas sinto que é um pouco pretensiosa. O que quero fazer no Céu é dar oportunidade de servir pratos que aparentam ser de fine dining, mas com boa quantidade. É uma nova linguagem e visão do fine dining, aproveitar a experiência com calma. Juntar à mesa a família, a qualidade de vida e a boa comida», diz.

O projeto começou a ser idealizado há cerca de dois anos, quando os pais do jovem se mudaram para Olhão, também com o objetivo de abrirem um negócio. «Já viajei por metade do mundo e isso deu-me muita experiência de vida» e em agosto do ano passado Sky Visser resolveu assentar em Faro, na companhia da namorada, Jenni Salli, natural da Finlândia e responsável de sala do «Céu». Apesar de ter apenas 25 anos, Portugal é o 15º país onde reside, fala nove línguas, cinco de forma fluente.

A jovem equipa: Kevin Temple, Sky Visser, Jenni Salli e Aaron Amoah.

Questionado sobre o porquê de apostar em Faro, Sky admite: «queria estar mais perto dos meus pais enquanto sou jovem para um dia mais tarde não me arrepender. Vim conhecer a zona e gostei muito porque me lembra um pouco Curaçau [ilha de onde é natural] e o Quénia [onde fez voluntariado]. O que me fez tomar a decisão foi a qualidade de vida que o Algarve proporciona e Faro é a cidade com que mais nos identificámos», relata.

Sobre o facto de em tão tenra idade já terem o seu próprio negócio, o chef responde que não é a juventude que reflete o conhecimento de ambos. Além de já ter trabalhado em Amesterdão e em Londres, em restaurantes com equipas que envolviam centenas de pessoas, «os meus pais sempre me educaram com a premissa de que não queriam que eu comprasse relógios de marca, mas sim que tivesse experiências de vida. Nunca tive um Rolex, mas sempre viajei muito e isso deu-me muita bagagem».

A namorada, formada em gestão hoteleira, tem o mesmo perfil. «Sempre viajei muito e tentei absorver o máximo de cada cultura e aproveitar o melhor de cada local». Agora, ambos estão a aprender português, enquanto afirmam o «Céu» no panorama gastronómico local.

Sabores globais, produtos locais

No «Céu» todas as receitas são criações de Sky Visser e, apesar de serem inspiradas na Ásia e na América do Sul, todos os ingredientes são frescos e portugueses e muito em breve serão de origem local. «Para já, ainda não tenho o conhecimento dos melhores fornecedores locais, mas todos os produtos são portugueses. Já vou tendo alguns contactos e estou em fase de estabelecer parcerias para que todos os nossos ingredientes sejam algarvios», afirma o jovem.

No menu, há opções para todos os gostos, incluindo vegetarianos e até com atenção aos celíacos. «Selecionámos pratos muito diferentes de tudo o que já vi em Portugal. Um restaurante com esta fusão de sabores é algo que só vi em Londres», refere o responsável. Além disso, «gosto quando há a opção de partilhar as refeições».

Arepas de porco desfiado.

Nesse sentido, o menu de aperitivos sugere ostras tailandesas grelhadas, arepas [um dos pratos tradicionais e emblemáticos da Venezuela e Colômbia, de massa de pão feito com milho] de carne de porco desfiada ou um carpaccio de atum fresco, fatiado diariamente, servido com cogumelos enoki marinados.

No que toca ao mar, o «Céu» serve polvo com puré de cenoura, dourada com puré de beringela miso e robalo cozido a vapor dentro de uma massa de sal, acompanhada por esmalte de gengibre com arroz simples. Uma técnica que o chef aprendeu em Inglaterra e que demora cerca de uma hora até estar confecionada na perfeição. Para os amantes de carne, além de filet mignon servido com um molho de cinco especiarias, há perna de borrego assada acompanhada por arroz e chips de plátano. Já na secção de comida vegetariana há tofu marinado em tempero jerk [jamaicano] e caril servido com arroz de coco.

Por fim, a carta de vinhos é dedicada aos melhores rótulos de todo o país que «muito dificilmente se encontram em supermercados ou lojas, quis certificar-me disso», assegura Sky Visser.

Sobremesas «celestiais» a qualquer hora

O chef de cozinha do restaurante «Céu», antes mesmo de inaugurar o espaço, tinha a certeza que um dos segredos para vir a ter sucesso teria de ser uma equipa de profissionais bem qualificados e de confiança.

Por isso, do Reino Unido trouxe o chef de pastelaria Aaron Amoah, de 22 anos e que trabalhava numa das 10 melhores pastelarias de Londres, e de Amesterdão veio Kevin Temple, que se junta a Sky Visser na cozinha.

Na carta de sobremesas, o restaurante tem a fusion-cotta, uma panna cotta de coco, baunilha e lima; uma especialidade do chef chamada sky garden, e para os mais gulosos, o spiced negus, no fundo, uma torre de chocolate de camadas com ganache de chocolate, cacau picante e canela.

Ainda no campo da cozinha de autor, os blondies são uma opção que está a ser desenvolvida há cerca de um ano por Aaron.

Vai um blondie com café?

«Gosto de descrevê-lo como um brownie caramelizado e dourado. Com a minha experiência, misturo diferentes bolachas e especiarias para obter diversos sabores e texturas. Gosto de os equilibrar para que nenhum seja mais dominante. É uma sobremesa feita por camadas, em que a base é crocante, de bolacha com caramelo e o topo é marmoreado», descreve o pasteleiro. Os blondies estão disponíveis a qualquer hora do dia, assim como os caracóis de canela, pão de chocolate, croissants e scones. Todos eles podem ser apreciados, por exemplo, no bruch ao domingo entre as 11 e as 15 horas.

«Céu» sem limites

Apesar do restaurante «Céu» ter inaugurado há cerca de 15 dias, os planos para os próximos tempos parecem estar bem definidos pelo casal de imigrantes. «O primeiro objetivo é que este espaço seja a base de tudo o que estamos a tentar construir. Este é o primeiro negócio e vamos expandir a partir daqui», explica o jovem Sky Visser.

«Gosto de soul food [comida afro-americana] e de apreciar boas refeições. Daí, os planos passam por abrir o Céu Soul Food, um restaurante com sabores das Caraíbas e da América do Sul, mas menos refinado do que este. Depois, quero ter uma pastelaria e chocolateria porque, além de termos um chef de pastelaria, eu próprio tenho uma enorme paixão por padaria e bolos. Então, queremos estas receitas num único espaço», antevê o responsável. O casal quer continuar a apostar em Faro, e se possível, ter os negócios próximos uns dos outros.

Fusion Cotta.

O restaurante «Céu» está aberto terça-feira e quarta-feira das 12h00 às 15h30, quinta a sábado das 12h00 às 23h30 e domingo das 11h00 às 15h00. Segunda é o dia de folga. «Todos são bem-vindos, quer entrem de fato de treino ou de fato e gravata», conclui Sky Visser.