easyJet e VINCI reforçam aposta no destino Algarve

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easyjet atribui três Airbus A320 a Faro que fica ligado às principais cidades europeias em 21 rotas. Nova base cria mais de 100 empregos na região.

Estava prometido e mesmo em contexto pandémico, a companhia de baixo custo britânica easyJet inaugurou a nova base operacional no Aeroporto de Faro, ontem, terça-feira, dia 15 de junho. A operar desde o início do mês, esta é a terceira em Portugal.

A capital algarvia junta-se assim a Lisboa (a operar desde 2012) e ao Porto (desde 2015). A principal novidade é que três aviões Airbus A320 passam a estar sediados em Faro, que estará ligada pela easyJet às maiores cidades europeias, através de 21 rotas.

A base estará em atividade entre os meses de março e outubro e as ligações ao Luxemburgo, Munique, Lille, Toulouse e Zurique são as novas ligações apresentadas.

No uso da palavra Nicolas Notebaert, CEO da VINCI Airports, empresa francesa concessionária dos aeroportos portugueses congratulou-se pela inauguração da nova base da easyJet no Aeroporto de Faro.

«É o resultado de um esforço conjunto liderado pela easyJet com o apoio da VINCI, e das autoridades de turismo portuguesas. A nossa longa relação é muito útil para continuarmos a desenvolver juntos e com confiança as rotas. Partilhamos o risco no desenvolvimento de serviços aeroportuários e de incentivos financeiros não-discriminatórios. Este ano representam 11 milhões de euros no pico (contra 26 milhões em 2019) em contribuições para a criação de bases como a que estamos hoje a inaugurar. Irá contribuir para a diversificação de mercados que o Algarve tanto precisa», disse.

Para o executivo francês, «a verdade é que Portugal e o Algarve continuam a ser atrativos para as companhias aéreas nestes tempos conturbados. Isso é um sinal positivo. Mostra, neste caso em particular, a qualidade do serviço prestado no Aeroporto de Faro. Enquanto concessionário dos aeroportos portugueses, cumprimos o objetivo de melhorar este aeroporto de forma a acolher a estratégia turística do Algarve. Temos vindo a investir cerca de 30 milhões. Este foi o nosso maior programa de construção em Portugal», notou.

Agora, «estou muito feliz em anunciar que vamos lançar a construção de uma central solar, a primeira a ser feita num aeroporto português. Irá melhorar a pegada ecológica desta infraestrutura. No máximo poderá gerar 30 por cento da eletricidade consumida e poupar 1500 toneladas em CO2 por ano. A construção terá inicio em breve e estará operacional em 2022».

Nicolas Notebaert lembrou que o Aeroporto de Faro «está numa região sensível do ponto de vista ambiental. Vamos também reduzir o consumo de água até 2030 e atingir a neutralidade carbónica», metas em linha com os objetivos do Turismo de Portugal.

Por fim, o CEO da VINCI reconheceu que «a pandemia tem tido um elevado impacto. Estamos felizes por estar ao lado de Portugal para a recuperação do turismo », anunciou.

Já Johan Lundgren, CEO da easyJet manifestou-se encantado por este «importante marco» na relação com Portugal. «Começámos as nossas operações no país em 1998. Desde então temos vindo progressivamente a aumentar a nossa presença. E agora somos a terceira maior companhia em Portugal e a número dois em Faro. Sempre tivemos uma relação especial com o Algarve. Desde a primeira operação, no outono de 1999, já transportámos mais de 20 milhões de passageiros, sempre ligando a região com o resto da Europa. Aliás, apostámos na promoção e o Algarve é agora um dos nosso destinos-chave de praia. Temos um portfólio de alojamentos selecionados de Lagos a Tavira. Esta base surge de forma natural e vai permitir-nos dar um boost na procura durante o verão, mais importante ainda, explorar novos mercados. Vamos também aumentar a capacidade nas rotas mais vendidas, como é o caso de Munique e Paris Charles de Gaulle», disse.

Johan Lundgren, CEO da easyJet.

«Apesar de todo impacto que a pandemia teve no nosso sector, penso que a partir de agora poderemos operar de uma forma mais eficiente e dar mais escolhas de férias».

O responsável falou em 100 novos empregos, num total de 400 contratos de trabalhos portugueses, «o que nos deixa muito orgulhosos. Sabemos que viajar é o primeiro objetivo das pessoas por essa Europa. Querem ir de férias e reunir-se com as famílias, depois deste tempos sombrios. Também os negócios querem reunir-se com os parceiros. Lançámos uma nova política em que o cliente pode mudar de ideias até duas horas antes da partida do voo, sem qualquer custo a não ser a diferença nas tarifas» do destino. «Introduzimos para que as pessoas tenham confiança em agendar viagens, apesar das constantes mudanças nas restrições», disse em jeito de recado.

Aliás, a companhia tem uma zona no portal e na aplicação com todas as informações sobre as restrições nos vários países para onde voa «e posso garantir-vos que é muito difícil de manter atualizado, mas estamos a fazê-lo porque sabemos que os passageiros apreciam este serviço». Em Portugal, a easyJet também fez uma parceria com a Unilabs para facilitar a testagem à COVID-19 aos passageiros que necessitarem.

A companhia voa agora de Faro para Amesterdão, Basileia, Belfast, Berlim Brandemburgo, Bordéus, Bristol, Genebra, Glasgow, Liverpool, Londres Gatwick, Londres Luton, Lyon, Manchester, Milão MXP e Paris Orly.

Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, que marcou presença na cerimónia de inauguração, quando questionado pelos jornalistas sobre se há alguma previsão sobre o que o governo britânico irá decidir em relação às viagens para Portugal, mostrou-se lacónico.

«Aquilo que temos de fazer é assegurar que continuamos a diversificar, como temos feito nos últimos anos, os mercados a que dirigimos as nossas promoções e a nossa oferta. Nesse sentido, foi muito importante termos ouvido hoje aqui a easyJet a anunciar mais cinco novas rotas a partir de Faro para mais cinco destinos europeus que nos permitem trazer visitantes de outros mercados».

«Temos de fazer o nosso trabalho, que consiste em criar condições de segurança para quem nos visita. Continuamos a promover a região e o destino de Portugal junto dos mercados que nos interessam e assegurar que todos aqueles que querem viajar, têm condições para o fazer. Por isso, desenvolvemos na presidência portuguesa da UE o regulamento sobre o certificado de viagem COVID-19. Continuamos a apoiar a abertura de novas rotas e de novas bases no nosso país. É isso que nos cabe fazer. No dia em que o governo inglês permitir que os ingleses possam viajar sem restrições, sabemos que voltarão ao Algarve como todos os outros também nos vão querer visitar», disse.

«Temos sistematicamente assegurado diálogo com o governo inglês, esclarecendo qual é a situação sanitária no nosso país, quais as medidas que temos em prática em matéria de planos de vacinação, como é que fazemos a monitorização das variantes de preocupação no nosso país, e como temos a situação controlada. Claramente, a decisão que o governo inglês toma em relação a Portugal é aquela que toma relativamente a todos os países da União Europeia. Nós mantemos os governos informados e os governos tomam as suas decisões. Aquilo que me parece mais importante é assegurarmos que para todos os outros mercados somos capazes de criar as melhores condições para que as pessoas possam visitar-nos», sublinhou ainda.

Nicolas Notebaert, Pedro Nuno Santos, Johan Lundgren e Pedro Siza Vieira.

A cerimónia contou ainda com a presença de Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, Hugo Santos Mendes, secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Mota Borges, diretor do Aeroporto de Faro, José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, e de várias entidades da região.

Ligação ferroviária ao Aeroporto de Faro está em estudo

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, revelou aos jornalistas que está a ser feito um estudo de viabilidade para um ramal de ligação ferroviária ao Aeroporto de Faro, projeto há muito falado, mas que nunca saiu do papel. «Como sabem estamos a inverter o ciclo de abandono da ferrovia. Obviamente que começámos a fazer este trabalho e a expetativa e a exigência aumentou muito. De um momento para o outro deixámos de falar no encerramento de linhas e passámos a falar em investimento na ferrovia. Aliás, lançámos os procedimentos concursais para eletrificar toda a Linha do Algarve. Há muito trabalho para fazer. É preciso estudar a ligação ao Aeroporto de Faro, não só aqui, mas também no Aeroporto Sá Carneiro, no Porto. E vai começar a ser feito. É um dos nossos objetivos. Depois há um plano ferroviário nacional que estamos a começar e que vai repensar toda a rede ferroviária no país e também no Algarve».