Draga afundada confunde Capitanias de Faro e Olhão

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Terá de ser o sonar a determinar qual das capitanias tem jurisdição sobre o naufrágio de ontem, que aconteceu num local de fronteira em plena barra.

A «Caimão», uma draga de 14 metros, embarcação especializada em extração de areia do fundos, afundou-se entre a barra Faro-Olhão, ontem, quarta-feira, dia 5 de junho, cerca das 17 horas.

Ouvido pelo «barlavento», o Comandante do Porto de Faro, Nuno Cortes Lopes, explicou que a draga da empresa Sofareia estava a ser rebocada por outra embarcação, um procedimento que requer acompanhamento por parte da Polícia Marítima.

«Estávamos à espera que chegassem e assim que entraram na barra vimos tudo. O único tripulante chegou a estar à deriva no mar, mas nós resgatámo-lo e acabou por sair ileso e sem qualquer problema», conta.

A barra foi fechada, «para salvaguardar a segurança de outros navios, uma vez que ainda não é claro o ponto preciso em que a mesma assentou», admite Cortes Lopes.

Durante o dia de hoje, quinta-feira, 6 de junho, o Comandante da Papitania de Faro já reuniu com a Sofareia, de modo a comunicar aos armadores da «Caimão» que devem que apresentar um plano de remoção da draga naufragada.

A prioridade agora é determinar qual a jurisdição específica do local do acidente, uma vez que a embarcação se afundou precisamente entre Faro e Olhão.

«Estamos a iniciar operações com sonares e às 18h00 com mergulhadores, se a corrente assim o permitir. Temos de confirmar exatamente onde está a draga para se tomarem decisões relativamente à restrição de entrada e saída de barcos na barra e, para se saber, se o local pertence à capitania de Faro ou de Olhão», esclarece Cortes Lopes ao «barlavento».

Em relação às questões ambientais, o comandante explica que não há «grandes preocupações, uma vez que a draga não continha muito combustível».

Em janeiro de 2018, ocorreu uma situação idêntica com uma draga da mesma empresa, ao largo da Ilha da Armona, em Olhão.

A embarcação está algures no fundo à espera de ser removida até hoje.

Na altura, os tripulantes caíram ao mar e foram salvos por colegas com quem tinham acabado de trocar de turno. Estima-se que teria 12 mil litros de gasóleo a bordo.

«Há aqui várias diligências com a Sofareias que, em face das suas características, tem levado a que este processo se tenha arrastado tanto tempo. Quando reuni hoje com a empresa também lhes falei sobre a draga da Armona. Segundo o Comandante de Olhão, ainda esta semana, foi enviada uma notificação, onde se colocava mesmo uma caução. Como já passou tanto tempo, se eles não tratarem do assunto, com a caução, será o Estado a intervir» para retirar a malograda draga.

Questionado sobre se existe um problema de segurança na forma como estas dragas estão a ser operadas, Cortes Lopes nega-se a «fazer essa avaliação».