Dinis Ribeiro e Claire Banwarth vencem o Algarviana Ultra Trail

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O Algarviana Ultra Trail, prova que une Sagres a Alcoutim, colocou 72 atletas em prova, tendo alcançado o pódio um português e uma francesa.

A quinta edição do Algarviana Ultra Trail (ALUT) teve como ponto de partida o Cabo de São Vicente, em Sagres, no dia 24 de novembro e, 300 quilómetros (km) depois, já são conhecidos os vencedores desta prova organizada pela ATR – Algarve Trail Running, que só terminou no domingo, dia 27, em Alcoutim.

Dinis Ribeiro, da Associação Desportiva Mont Blue Team, foi o grande vencedor, com a francesa Claire Bannwarth a ser a primeira mulher no segundo lugar da classificação geral.

Apesar de um começo tímido, Claire Bannwarth nunca escondeu que seria uma candidata à vitória do ALUT.

A francesa que há pouco tempo ganhou a PT281+ Ultramarathon, tendo deixado a comunidade de trail running incrédula, quase que voltava a repetir o feito no Algarviana Ultra Trail.

Com um quarto lugar na geral e uma vitória na classificação feminina há 15 dias numa prova de 271 km nas ilhas Canárias, Bannwarth foi ganhado posições no ALUT até maio do percurso.

Nessa altura, assumiu a dianteira na sequência da desistência de Armando Teixeira, da Salomon Suunto Caravela, que desde início dominou a prova, mas que se viu forçado a abandoná-la aos 168 km devido a uma lesão.

Foi também nesse momento que João Oliveira, possível candidato à vitória depois de conquistar as duas primeiras edições do ALUT, continuou a acusar o desgaste, que, mesmo antes do meio do percurso, o fez ser alcançado pela francesa, pelo espanhol Victor Bernal e pelos portugueses Dinis Ribeiro e Frederico Matos, este último da equipa Runners do Demo.

A reviravolta da classificação chegou na segunda noite de prova, com Dinis Ribeiro, atleta que desistiu na sua estreia no ALUT, na edição passada, aos 230 km, a mostrar um ritmo «alucinante», depois da quebra de Bannwarth a pouco mais de 50 km do final.

O português assumiu a liderança e além de ter vencido a edição de 2022 do Algarviana Ultra Trail, ainda fixou o recorde do percurso em 45h31m20s.

O Algarviana Ultra Trail, prova que une Sagres a Alcoutim, colocou 72 atletas em prova, tendo alcançado o pódio um português e uma francesa.
Dinis Ribeiro Crédito: ATR

O atleta de Chaves, que representa a Associação Desportiva Mont Blue Team, foi recebido em apoteose, com a tradicional vista para Sanlúcar do Guadiana, do outro lado do rio, numa emoção partilhada por atletas e organização.

Dinis Ribeiro acabou por acrescentar ao palmarés uma vitória na prova mais longa que já concluiu.

«Trabalhoso foi treinar, porque durante o percurso a preocupação foi desfrutar e ir gerindo. É uma pena que nem todos consigam chegar ao fim, porque é sempre a melhorar. Este tipo de provas, tão longas, devem ser geridas de trás para a frente, porque arrancar rápido faz com que o ritmo seja superior ao que se deve e acabamos por pagar por isso. Fui gerindo e quando alcancei a Claire, ela não reagiu e tentei a minha sorte», descreveu.

Por sua vez, Claire Bannwarth, alcançou a meta pouco mais de duas horas depois, numa prestação que lhe valeu igualmente o recorde do percurso para o lado feminino, fixando-o em 47h35m13s.

A francesa acabou por admitir que tinha sofrido «uma grande quebra», marcada por fortes dores nos joelhos, que não a deixaram manter o ritmo e subir novamente ao lugar mais alto do pódio.

Depois de assegurar que ficou «completamente rendida» a Portugal, a atleta ainda afirmou ter «adorado o percurso, a vista, as paisagens, mas principalmente as pessoas» que lhe deram assistência numa prova que completou sem equipa de apoio.

«Desta vez vim sozinha, porque a minha família nem sempre me consegue acompanhar, mas é algo que não me incomoda e eles compreendem, principalmente o meu marido que começou a correr já depois de estarmos juntos», partilhou Bannwarth, no final.

Perante a curiosidade de quem não está habituado a ver o sector feminino e masculino numa luta de igual para igual, a francesa de 33 anos explicou que pratica atletismo desde os oito anos, trabalha na Suíça, numa seguradora, sendo que, por vezes, vai a correr para o trabalho.

Já sobre a preparação para estes desafios, Claire Bannwarth garantiu que o segredo é «essencialmente correr. Adoro correr, estou a correr a toda a hora e é essencialmente isso que faço», concluiu.

O Algarviana Ultra Trail, prova que une Sagres a Alcoutim, colocou 72 atletas em prova, tendo alcançado o pódio um português e uma francesa.
Crédito: Matilde Cardoso

A reviravolta na prova não poderia ficar completa sem João Oliveira, da Chaves Running Team, usar toda a sua experiência para começar a ganhar terreno e chegar à última base de vida, em Furnazinhas, a 20 km do final, à frente de Frederico Matos, posição que manteve até ao final, terminado na segunda posição da classificação masculina, terceiro da geral, em 49h58m25s.

O atleta da equipa Runners do Demo fechou o top três masculino, com o tempo de 50h57m51s.

Para encerrar o top três feminino, foi preciso esperar quase mais 16 horas, com Maria Ribeiro da Sharish Gin/GD Piranhas do Alqueva, a completá-lo em 61h24m57s, e Cármen Ferreira, da Run 4 Fun, em 65h36m10s.

Antes disso, ficou fechada a classificação coletiva, com a equipa Trail Portimão a ser a grande vencedora, somando 38h26m49s.

Seguiu-se a Serro Team, que terminou em 38h46m37s, e a BeApT, na terceira posição, com o tempo de 40h02m37s.

A organização destaca ainda a participação do atleta cabo-verdiano Orlando Tavares, que alcançou a 14.ª posição da geral masculina, terminando este desafio em 62h52m14s, numa experiência que definiu como transformadora: «não sou o mesmo a voltar a Cabo-Verde.

Partiram de Sagres 72 atletas, dos cerca de 100 inscritos, tendo chegado a Alcoutim, dentro do tempo regulamentar de 72 horas, 33 atletas, entre os quais seis mulheres, um recorde do número de mulheres a terminarem o ALUT, e dois totalistas, Filipe Conceição e José Gonçalves.

Segundo Bruno Rodrigues, da ATR, «estes números revelam que são cada vez mais os atletas, nacionais e internacionais, a incluir o Algarviana Ultra Trail no seu calendário, elegendo, muitas vezes, a prova para se estrearem numa distância tão desafiante. São também cada vez mais os acompanhantes, equipas de apoio e curiosos a juntarem-se ao evento, cumprindo-se o propósito de o ALUT ser o cartão de visita para o interior do Algarve».

Também «ano após ano, o envolvimento das autarquias, Juntas de Freguesia, comunidades locais e patrocinadores é maior, contribuindo para a afirmação do evento no panorama do turismo desportivo e de natureza», acrescentou.

O Algarviana Ultra Trail, prova que une Sagres a Alcoutim, colocou 72 atletas em prova, tendo alcançado o pódio um português e uma francesa.
Crédito: Jorge Araújo

Da parte da autarquia de Alcoutim, Rosa Palma, vereadora do Desporto, confirma o sucesso do evento e a sua importância para o concelho e para a região.

«Esta zona do interior do Algarve tem excelentes condições para a prática desportiva e para o desporto de natureza. Um evento como este é uma ótima oportunidade de mostrarmos o que temos de melhor, não só a nível desportivo, mas também a nossa gastronomia e património. Nas últimas edições, com a chegada aqui a Alcoutim, o envolvimento é muito maior», sublinhou.

Os resultados completos podem ser consultados no website do ALUT, disponível aqui.

O Algarviana Ultra Trail é um evento lúdico/desportivo pedestre em natureza desenvolvendo-se quase na sua totalidade na Via Algarviana, sendo organizado pela ATR –Associação Algarve Trail Running, com o apoio da RTA – Região de Turismo do Algarve, da ANA – Aeroportos de Portugal e da Associação Almargem.