COVID-19: Vacinação no Algarve começa a 27 de dezembro

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A vacinação contra a doença da COVID-19 no Algarve vai começar ainda este mês de dezembro, segundo avançou hoje aos jornalistas Ana Cristina Guerreiro, delegada de saúde regional.

A vacinação contra a doença da COVID-19 no Algarve terá início no dia 27 de dezembro, segundo avançou Ana Cristina Guerreiro, delegada de saúde regional, esta manhã em Loulé, durante a conferência de imprensa sobre a atual situação epidemiológica.

«Gostava de dizer que consegui sentir orgulho de ser uma cidadã europeia, de termos a vacina ao mesmo tempo na Europa e de termos uma preocupação com a vacinação dos países pobres», sublinhou aos jornalistas.

«Em relação à organização regional, está tudo a trabalhar e a correr da melhor forma possível. Iremos começar a vacinação no dia 27 de dezembro» no Algarve.

«As equipas estão formadas. Está tratada a questão da distribuição da rede de frio. Estamos a fazer já há alguns dias o levantamento nominal das pessoas para serem vacinadas. Penso que os residentes podem confiar à vontade no processo e que irá correr da melhor forma possível. A primeira fase não é a mais difícil nem vai ser a mais exigente em termos numéricos, nem em termos logísticos. Estamos a preparar-nos», garantiu Ana Cristina Guerreiro.

«Os locais estão todos identificados. Todos os aspetos logísticos estão tratados. A distribuição de vacinas vai ser diária, sendo que todos os dias teremos fornecimento. Serão conservadas a graus negativos e armazenadas em instalações nacionais. Depois haverá uma rede de distribuição, de camiões de frio, que trazem aos pontos de vacinação. Isso, juntamente com as Forças Armadas, está tudo a ser tratado», garantiu.

«Temos equipas fixas, para vacinar em locais estabelecidos, e temos equipas móveis para ir vacinar. Vamos vacinar nos lares legais e também nos que estão em situação irregular. Não iremos fazer diferença e iremos tentar abranger ao máximo as populações mais vulneráveis», detalhou.

No entanto, «não consigo responder sobre quantas pessoas estão identificadas para as receber porque são vários grupos como os profissionais de saúde. Sei que existem alguns profissionais de saúde que não querem ser vacinados, mas ainda não estão identificados».

Segundo a responsável, neste momento, «temos 1602 casos ativos na região, 6197 casos no total confirmados, 4827 recuperados e 68 óbitos. Ontem reportámos 77 casos e no dia anterior tínhamos reportado 103. Temos 40 doentes internados, 10 em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), quatro deles ventilados em ambos os hospitais de Portimão e Faro. Totalizam-se 1881 pessoas em vigilância ativa».

Ana Cristina Guerreiro admitiu que «temos uma situação que não é tão confortável como a que gostaria para partirmos para a época de Natal e de passagem de ano. Preferia ter um número um bocadinho mais baixo de casos na região, mas é assim que está a acontecer. Tivemos o nosso pico por volta do dia 22 de novembro, que coincidiu com o país».

Ainda assim, «descemos e temos vindo a descer, mas de uma forma progressivamente lenta. Isto significa que temos de ser cautelosos. Manter as medidas que já tinham sido tão faladas nesta época, interiorizando aqueles que são os princípios da utilização da máscara, distanciamento físico e da lavagem das mãos. Interiorizar e aplicá-los em todas as situações», recomendou.

Em relação aos surtos no Algarve, «tenho observado o que acontece nas outras regiões, e têm tido surtos com números muito elevados de pessoas. Nós temos tido vários surtos, mas com números menos elevados», comparou.

«Quando vos falo de surtos, temos por exemplo um surto no Lar Rainha D. Leonor [Lagos], que já decorre há algum tempo. O primeiro caso foi a 16 de novembro, mas mesmo com todos os cuidados, de vez em quando é feita reavaliação e surge mais um caso ou outro. Tivemos no dia 15 de dezembro mais quatro casos, dois em utentes e dois em profissionais», acrescentou.

Todavia, «este é um surto com um total de 25 casos ao longo de praticamente um mês. É uma situação controlável e que tem sido acompanhada por perto pelas autoridades de saúde locais. Depois, tenho a referir o surto do estabelecimento prisional de Faro que já se encontra totalmente controlado. Não está finito pelos critérios epidemiológicos, mas está controlado» e não existe nenhum infetado no estabelecimento.

Em relação às instituições de saúde, «tivemos um surto nos cuidados paliativos de Portimão, que envolveu oito pessoas entre doentes e funcionários».

Há ainda a registar «pequenos surtos em equipas de futebol juvenil e muitos em famílias. Famílias numerosas e famílias alargadas. Essencialmente, neste momento, a nossa transmissão é muito familiar e é uma transmissão que é difícil de evitar. Apenas com um conhecimento e uma persistência muito grande nas medidas se conseguem evitar casos dentro de famílias que coabitam», disse, em jeito de alerta para quadra festiva que se aproxima.

Em relação ao estado de risco por concelho, Ana Cristina Guerreiro disse esperar alterações já a partir de amanhã.

«Dentro das nossas expetativas temos concelhos que vão sair porque recuperaram e diminuíram bastante o número de casos. Temos outros que irão manter-se. Também pode acontecer algum município agravar o nível de risco. Houve concelhos que aumentaram o número de casos, particularmente nos últimos dias. Não temos risco de nenhum concelho atingir os 480 por 100 mil habitantes. Todos os concelhos estão longe disso. Agora, há concelhos que estão na fronteira dos 240 mil, abaixo ou acima. A fronteira é ténue e não muito evidente», enumerou.

A delegada regional de saúde, contudo, não escondeu a sua preocupação em relação ao Natal e à festa de passagem de ano 2020/2021.

«Preocupam-me ambas por motivos diferentes. O Natal, em Portugal, é muito diferente de outros países em que já nem se festeja o Natal com a família ligada às cerimónias religiosas. Em Portugal isso ainda acontece. E portanto há um conjunto de tradições nesta comemoração que propiciam o contágio», comparou.

«Se as pessoas se reunirem com núcleos familiares com proveniências diferentes, existe risco de contágio. As famílias que coabitam podem comemorar à vontade no local sem máscara, porque já o fazem na sua convivência habitual. Agora, quando se reúnem para comemorar o Natal pessoas que vêm, ou porque são estudantes universitários e regressam no Natal, ou porque são familiares que estão noutras localidades, aí sim aumenta muito o risco de contágio e em particular depois com os idosos», explicitou.

«Estou preocupada com a situação dos idosos institucionalizados. Não existem orientações precisas da Direção-Geral de Saúde (DGS) para as saídas dos idosos. Tenho sido questionada por instituições e por autoridades de saúde locais no sentido de que orientações devem dar. São decisões que não são fáceis, porque se um idoso vai passar uma semana a casa, depois quando volta é um grande risco para a instituição. Este equilíbrio fica muito difícil para tomar decisões», admitiu.

Ainda em relação às festas de Natal, «existe realmente uma atitude menos paternalista e menos autoritária de maior partilha de responsabilidade. Essa a estratégia que o governo adotou, confiando nas escolhas da população».

Por outro lado, «existe na população portuguesa, uma necessidade de policiamento que tem a ver provavelmente com o peso da história. Existe uma fatia que apenas faz as coisas porque é proibido ou porque não é proibido e porque está à espera e pode ou não ser penalizado. Acho que é muito difícil, nesta situação, optarmos pelo policiamento porque as atitudes e os comportamentos vão passar-se dentro da casa das pessoas», opinou a delegada.

«Estarmos a dizer que é até seis pessoas ou oito, tudo isso é tão falível que acho que se deve apostar mais na consciencialização das pessoas na informação e na sensibilização para a adoção das medidas em determinados momentos. É na nossa vida íntima e familiar que se vão passar os contágios e é desses contágios que temos medo. Acho que devemos fazer uma campanha de responsabilização individual e familiar não de culpabilização, mas para que as pessoas percebam como deve funcionar».

«Uma família que tem um jovem que vem de férias de Lisboa, mais um casal que veio do norte e mais quatro pessoas que ali estão, se lhes dissermos que têm de estar em casa de máscara, numa questão de obrigação, as pessoas vão achar que é o polícia mau. Na realidade e na prática, essas pessoas deviam estar em casa de máscara. Quando estão sozinhas óbvio que não, mas quando estão em conjunto a conviver, devem estar de máscara e quando se sentam à mesa devem saber escolher os sítios e colocar os idosos de maior risco mais longe daquelas pessoas que vieram de fora e que não convivem com eles habitualmente. Isto são escolhas que só dentro das famílias se conseguem fazer. Não é por um decreto de lei ou por uma imposição», concluiu.

Por sua vez, António Miguel Pina, na qualidade de presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil considerou que este «este é um desafio muito grande como sociedade. Concordo em absoluto que no Natal, dada as nossas tradições, que a colocação de regras quanto ao número de pessoas no Natal seria pouco razoável, deixando-nos a todos num desafio maior».

António Miguel Pinha.

«Temos uma grande dependência de um Estado muito determinista, talvez fruto da educação do tempo da ditadura, mas agora é convosco, com cada um de nós, com cada uma das famílias. A responsabilidade está dentro das vossas casas e isso será determinante para um início de ano, com mais ou menos restrições. É uma missão individual e não fiquem à espera que alguém determine o que cada um pode fazer. Boas festas e que o ano de 2021 seja muito melhor do que aquilo que foi o de 2020».