COVID-19: Saúde do Algarve «não sabe» o que Castro Marim está a fazer

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Numa altura em que o município de Castro Marim se prepara para testar a generalidade da população, as autoridades de saúde do Algarve dizem «não saber» pormenores da ação. O autarca e médico Francisco Amaral tem uma visão diferente.

Sobre «os testes de Castro Marim, não sei o que é que o município está a fazer. Não tenho conhecimento e não foi comunicado à saúde pública nem à Administração Regional de Saúde do Algarve. Não conheço a metodologia nem o que vão fazer», disse hoje aos jornalistas Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de saúde do Algarve.

Em declarações durante a conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica do Algarve, que decorreu esta manhã, nas instalações do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, em Loulé, a responsável disse ainda que não acredita no eventual sucesso da iniciativa.

«Posso dizer que a testagem aleatória não traz grandes benefícios. Foi tentada já em vários municípios sem grande sucesso. Inclusivamente na Eslováquia, depois de o fazerem, consideraram que foi uma metodologia sem sucesso. Pode eventualmente dar uma falsa sensação de segurança», sublinhou.

«As pessoas recebem um teste negativo, que a maior parte é negativa, e ficam com uma segurança. No entanto, no dia seguinte ou dois dias depois já podem estar positivas. A testagem deve ser orientada, deve ser feita à volta ou de um determinado contexto em que há surtos iminentes como escolas, ou estabelecimentos prisionais, ou na ameaça de um determinado surto que se começa a analisar».

Questionada sobre uma eventual falta de apoio aos concelhos de Castro Marim e Vila Real de Santo António (VRSA), a responsável não valorizou as críticas.

«Em relação à situação epidemiológica, Castro Marim e VRSA passaram momentos críticos, muito difíceis, com taxas de incidência muito elevadas e quando surge a oferta desta colaboração, a situação epidemiológica já está na fase estável e daí começou a descer. Praticamente os dois concelhos estão prestes a sair do risco extremamente elevado. Castro Marim já deve ter saído ontem e VRSA também se encaminha para isso. A equipa não reconheceu necessidade de fazer alargamento de profissionais», concluiu.

Já sobre a morte recente de uma senhora do concelho de Castro Marim, recém-mãe, Guerreiro informou que «apesar de ser nova, tinha cormobilidades e chegou ao hospital numa situação já bastante crítica. Estas questões dos óbitos em pessoas novas e estas situações de agravamento súbito são características da doença» COVID-19.

Ouvido pelo barlavento, Francisco Amaral, médico e presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, diz que «o que vamos fazer tem o apoio técnico do delegado de saúde local. Por outro lado, nós oferecemos a nossa ajuda para colaborar nos inquéritos epidemiológicos que deixam muito a desejar, e não foi aceite a nossa disponibilidade para colaborar com a ARS e com o ACES e com a saúde pública algarvia».

«Para se perceber que as coisas não funcionam bem, basta ver os números. Nós temos um contacto isolado por cada três infetados, quando deveria ser precisamente o contrário. Devíamos ter três ou quatro contactos isolados por cada infetado. Isto é sinal que as coisas não funcionam. Nós pusemos ao dispor do ACES técnicos para colaborarem nos inquéritos epidemiológicos, mas não aceitaram porque preferem que as coisas funcionem mal», criticou edil.

A partir de amanhã, sábado, dia 13 de fevereiro, «vamos testar toda a população para ver o que dá e fazer inquéritos epidemiológicos como devem ser feitos. Isto é, todos os contactos que os doentes têm vão ser isolados e testados, que é o que deve ser feito», afirma Francisco Amaral.

Questionado sobre o eventual insucesso, o médico responde que «para já, não houve nenhuma iniciativa destas no país. Nenhum município testou a população toda, nenhum. Repare, o que é importante é testar os doentes infetados, isolá-los, isolar e testar os contactos. Isso não tem sido feito e daí o descalabro a que a situação chegou nos concelhos de Castro Marim e VRSA», conclui.

Francisco Amaral não acredita que a situação epidemiológica já esteja na fase estável e a descer.

«Ainda ontem foram testadas oito pessoas aqui do concelhio de Castro Marim, três das quais positivas. Será que está tudo bem?», conclui.