COVID-19: Mais 2.621 novos casos, 215 no Algarve

  • Print Icon

Portugal registou nas últimas 24 horas mais 2.621 casos confirmados de COVID-19, mais 17 mortes e uma redução nos internamentos hospitalares, segundo os dados oficiais hoje divulgados.

O boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS) revela que existem agora 838 pessoas internadas em hospitais, menos 28 do que no dia anterior, e 186 pessoas em unidades de cuidados intensivos, menos oito em relação à atualização de dados anterior.

A maioria dos novos casos registou-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, com 1.075 novos casos confirmados nas últimas 24 horas. Segue-se a região norte, com 878 novos casos.

No Algarve, há mais 215 novos casos de COVID-19.

No que diz respeito aos óbitos, Lisboa e Vale do Tejo registou nove das 17 mortes, seguindo-se o norte (quatro), Alentejo (dois), Centro (um) e Algarve (um).

As regiões autónomas da Madeira e Açores não registaram qualquer óbito no último dia.

Os dados da DGS revelam ainda um total de 3.232 recuperados da COVID-19, elevando o total para 923.510.

O número de recuperados superior ao total de novos casos diários baixou o número de casos ativos para 44.018, menos 628 do que os registados na sexta-feira.

Existem agora 63.939 contactos em vigilância, menos 4.019 do que no dia anterior.

Do total de 984.985 casos confirmados desde o início da pandemia em Portugal, 452.628 são homens, 531.688 são mulheres, havendo 668 casos de sexo desconhecido, que se encontram sob investigação, uma vez que estes dados não são fornecidos de forma automática, explica a DGS no boletim.

As faixas etárias entre os 20 e os 59 anos são as mais representativas no total de infeções confirmadas.

Quanto ao total de óbitos desde o início da pandemia, 9.163 foram homens, 8.294 mulheres.

Em ambos os géneros, a faixa etária acima dos 80 anos representa a grande maioria dos óbitos registados.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.457 pessoas e foram registados 984.985 casos de infeção, segundo a DGS.

Evolução da pandemia na região, segundo os dados divulgados ontem pela ARS Algarve.

Maiores de 80 registam maior número de casos e de mortes desde junho

Os maiores de 80 anos são o grupo etário que regista o mais elevado número de novos casos de COVID-19 desde junho, o que se reflete nos internamentos em enfermaria e na mortalidade, segundo o investigador Carlos Antunes.

«O aumento da letalidade e também da gravidade em termos de internamentos está associado sempre ao aumento de casos, daí a necessidade de que deveríamos controlar sempre as vagas» da pandemia, disse hoje à agência Lusa o matemático e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Carlos Antunes comentava à agência Lusa o relatório de monitorização das «linhas vermelhas» para a COVID-19 das autoridades de saúde, segundo o qual a «mortalidade por COVID-19 manter-se-á provavelmente elevada nas próximas semanas, dado o aumento de casos de infeção por SARS-CoV-2 acima dos 80 anos», o único grupo etário «no qual se observa uma tendência crescente da incidência, podendo este crescimento vir a traduzir-se no aumento de internamentos em enfermaria e mortes nas próximas semanas».

Sobre a mortalidade por COVID-19 o relatório precisa também que foram registados «16,4 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, com tendência crescente e acima do limiar do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC)».

O investigador adiantou que a informação que detém mostra que os casos de morte em Portugal e o números de contágios nas faixas etárias com cobertura vacinal completa «é compatível com o que se verifica noutros países e está dentro daquilo que era expectável”.

«Não podemos esperar que com a vacina deixemos de ter óbitos e situações de gravidade», disse, explicando que, apesar de ser em percentagem menor, vai haver sempre contágios.

Carlos Antunes sublinhou que o grupo dos mais de 80 anos tem assistido a uma tendência contrária às restantes faixas etárias em todas as regiões.

«Todos os outros grupos, desde a ocorrência do pico da pandemia a 20 ou 23 de julho, verificam uma diminuição [de casos] e o grupo acima dos 80 manteve uma tendência crescente», afirmou, considerando que o alerta das autoridades de saúde «faz sentido».

Comparando com as outras faixas etárias, os idosos com mais de 70 anos são os que representam a «maior ocupação» nas enfermarias, notando-se «um ligeiro aumento» entre o número de internamentos e o número de casos, desde junho.

Até meados de junho, observou-se uma redução de internamentos e de óbitos face ao número de casos, devido à proteção vacinal que reduziu mais o impacto e a gravidade.

«A partir de junho, verificou-se uma ligeira alteração da tendência nestes grupos etários dos 70 aos 79 e mais de 80. Isso são indicadores que conferem a afirmação que é feita no relatório, de que é provável que continue a aumentar o número de óbitos essencialmente acima dos 80», salientou.

Apesar de ainda estar a analisar as causas que estão a contribuir para esta situação, Carlos Antunes aponta o efeito da gravidade variante Delta, que passou a ter maior prevalência no país a partir de junho e, devido à sua maior transmissibilidade “estar a causar uma maior gravidade e um maior impacto nesta faixa etária».

Segundo Carlos Antunes, esta variante pode causar mais danos e poderá reduzir um pouco mais a efetividade vacinal.

Sobre se pode estar relacionado com a efetividades da vacina, o investigador considerou ainda ser «muito cedo para se dizer que, com o tempo de vacinação, se reduz a imunidade».

Mil idosos em lares estão por vacinar

Mil utentes de lares de idosos estão por vacinar, a «esmagadora maioria dos quais» por terem estado infetados com COVID-19, pelo que aguardam o final dos 90 dias definidos para poderem tomar a vacina, informou hoje o governo.

«No âmbito da vacinação de utentes e profissionais de lares, foram já vacinados 99% dos idosos nos lares e 97 por cento dos funcionários, um esforço que continuará até se garantir a cobertura integral de vacinação nesta população», assinala o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social em comunicado.

De acordo com dados da task force da vacinação, citados pelo ministério, faltam ainda vacinar cerca de 2.100 funcionários de lares, cerca de 70 por cento dos quais por se encontrarem a recuperar de infeção por COVID-19.

«Os restantes não tomaram ainda a vacina por serem novas contratações ou por terem razões de saúde que desaconselham a vacina», explica.

A 05 de agosto autoridades de saúde contabilizavam 53 surtos ativos de infeção pelo SARS-CoV-2 em lares de idosos, com um surto em Proença-a-Nova a suscitar maior atenção por parte da União das Misericórdias Portuguesas.

De acordo com números disponibilizados então à agência Lusa pela Direção-Geral da Saúde, os 53 surtos ativos, em números atualizados na segunda-feira, envolviam 829 casos de infeção diagnosticados.

Por administração regional de saúde, era em Lisboa e Vale do Tejo que se contavam mais surtos (25) e pessoas infetadas (270).

No norte havia 10 surtos e 247 pessoas infetadas, no Alentejo oito surtos e 68 infeções, no Centro seis surtos e 138 infetados e no Algarve quatro surtos e 106 pessoas infetadas.

Na sexta-feira, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde disse que ainda não está em cima da mesa a administração a idosos de uma terceira dose de vacina contra a COVID-19, considerando que «é preciso robustez científica e dados consolidados».

No mesmo dia, o bastonário da Ordem dos Médicos alertou para a necessidade de uma atenção especial aos lares, insistindo na testagem regular para travar o avanço de surtos e apontando a subida da taxa de letalidade nos mais idosos.