COVID-19: Investigador avisa para «uma ligeira onda» em agosto

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O investigador Carlos Antunes afirmou hoje que «é natural» que ainda haja «uma ligeira onda» de COVID-19 este mês devido ao fim das medidas de restrição de horários e de atividades desde o dia 01 de agosto.

«Com a cessação de restrições é natural que aumente o número de contactos e havendo um maior número de contatos, a probabilidade de haver mais casos é maior», disse à agência Lusa o matemático e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Carlos Antunes apontou o caso de Israel que já está a atingir quatro mil casos diários e era o país com maior cobertura vacinal.

«Nós sabemos que mesmo com a cobertura vacinal na ordem dos 60 por cento ou mesmo até dos 70 por cento completa, não nos garante que haja novas ondas», disse o investigador, discordando dos que afirmam que já se está numa situação endémica da COVID-19.

No seu entender, esta situação só será atingida quando o país tiver 85 por cento da população com a vacinação completa e ainda está «um bocado longe» de atingir esse objetivo, previsto para o final de setembro.

«Até setembro, se nós não decidirmos confinar, mesmo que parcialmente ou aplicar medidas locais em alguns municípios, eu acredito que é possível haver ainda mais uma pequena vaga, com crescimento exponencial», disse Carlos Antunes.

O investigador ressalvou que esta situação vai depender dos comportamentos das pessoas, lamentando as notícias de algumas situações de abuso em termos desrespeito pelas normas de saúde pública, que podem vir a aumentar.

«Se se verificar esse aumento ligeiro da incidência então é de esperar que a letalidade continue também a aumentar, embora com uma dimensão muito baixa», observou.

Questionado se o levantamento das restrições foi cedo demais, Carlos Antunes afirmou que, do ponto de vista da análise de risco, é preciso assumir que existe risco para «os dois lados, económico e social, quando se toma uma decisão destas.

«Nós arriscamos e podemos ter um benefício económico em detrimento de uma situação mais grave na saúde pública, mas sem grande impacto em termos do serviço hospitalar», explicou.

Nesse sentido, a sociedade está disposta a assumir esse risco, mas, afirmou, se o principal objetivo fosse «controlar completamente» a situação epidemiológica, ter sido «cedo demais aliviar as medidas de forma tão drástica, de acabar com tudo».

Numa perspetiva mais global, Carlos Antunes considerou que o país atuou «na medida certa», porque a população já tem alguma proteção vacinal que garante que, «apesar de haver algum aumento de internamentos, não é em número significativo, que possa pôr em causa em termos nacionais o funcionamento hospitalar».

«Há espaço para podermos deixar um bocadinho mais a incidência aumentar, porque isso traduz-se numa menor prevalência hospitalar e em níveis que são perfeitamente geríveis e é nessa base que nós assumimos o risco de abrir (…) mas temos assumir que ao acabar completamente com as medidas de restrição de atividades e de horários que possa surgir novamente uma situação de aumento da incidência», rematou.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, já morreram em Portugal 17.457 pessoas e foram registados 984.985 casos de infeção, segundo a Direção-Geral da Saúde.