COVID-19: Albufeira sente-se injustiçada e discriminada pelo governo

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José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira exige revisão dos critérios para efeitos de cálculo de incidência COVID-19.

No seguimento da recente decisão do governo, Resolução do Conselho de Ministros 76- A/2021, de 17 de junho, «é com profunda tristeza que Albufeira se considera discriminada com os critérios de um governo que mais uma vez não considera a realidade atual da região, sobretudo de um município que tanto depende do turismo».

O executivo municipal considera que o cálculo por 100 mil habitantes «é totalmente injusto para o concelho de Albufeira, tendo em conta que o número de residentes que é utilizado pelo governo não se adequa nem deve ser aplicado, pois os turistas não são considerados como população presente; mas caso ocorra um caso positivo, este é, contraditoriamente, incluído nas contagens».

«Assim se inflaciona artificialmente um rácio tão importante para a decisão do nosso futuro imediato. Este facto foi por mim abordado numa das conversas presenciais que mantive com a senhora secretária de Estado do Turismo Rita Marques, bem como com o presidente da Região de Turismo do Algarve João Fernandes e outras autoridades regionais, no sentido de resolver a situação que muito prejudica a nossa região», escreve José Carlos Rolo em comunicado enviado às redações.

Neste momento, «poderão estar no concelho de Albufeira cerca do dobro dos residentes, que deveriam ser contemplados nos critérios da DGS. Por conseguinte, os valores mencionados, neste momento, demonstram que o concelho encontra-se com o número de residentes/turistas muito superior ao número que é considerado para o efeito do cálculo de incidência COVID-19».

«Para melhor podermos constatar a incongruência, destacamos os valores recolhidos pela autarquia, nomeadamente a subida de 30 por cento na recolha de resíduos em relação ao mês de maio, o enorme incremento do consumo de água e o grande aumento do número de pedidos de serviços à Rádio Táxi de Albufeira», lê-se ainda no comunicado.

A Câmara Municipal de Albufeira «exige uma revisão destes critérios e recorda que esta avaliação, aplicada pelo governo, vai gerar um enorme desaceleramento da economia regional e local e terá graves consequências para o Algarve, em geral, e para o concelho de Albufeira, em particular».

«Isto caso o governo não diligencie no sentido de adaptar os critérios à realidade vivida por este município e pelos concelhos do Algarve e do país que vivem em função da atividade turística. É uma mudança justa, é uma mudança urgente!».

O governo «tem que ser diligente e ter em conta as especificidades do Algarve e dos algarvios. Refira-se que no Centro de Testagem de Albufeira, apenas são identificados cerca de 25 por cento de casos positivos, sendo que este equipamento está a testar simultaneamente a população residente e os turistas que nos visitam. Consideramos que é uma mais-valia para o concelho, uma vez que os turistas para regressarem aos seus países de origem necessitam obrigatoriamente de um teste certificado e não existe capacidade de resposta para o efeito a nível dos privados».

Por fim, José Carlos Rolo solicita «a todos os comerciantes e à população em geral que cumpram estritamente as regras da DGS, bem como as diretrizes e aconselhamentos determinados pela Câmara Municipal de Albufeira, para que numa futura avaliação possamos progredir».