Construção do crematório de Faro já está em marcha

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As instalações, no cemitério novo, vão servir todo o Algarve e parte do Alentejo com dois fornos, um deles pirolítico, e uma capela ecuménica.

O projeto data já de 2010, mas devido a impugnações do Tribunal, só na passada semana começaram as obras a cargo da Servilusa. Um investimento de mais de um milhão e 100 mil euros, que segundo Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, irá resolver problemas de sobrelotação.

«Temos tido alguma dificuldade com os funerais porque o nosso Cemitério da Esperança está sobrelotado e a rotatividade tem acontecido em quatro ou cinco anos. A determinada altura, abrimos covas com três anos e meio ou quatro, quando o ideal é abrir com cinco».

Isto porque não tínhamos capacidade. Construímos mais 500 gavetões no Novo Cemitério e isso tem vindo a minimizar o problema, mas se não tivermos crematório vamos ter de aumentar ainda mais a capacidade. O crematório vem resolver, de alguma forma, a capacidade dos dois cemitérios e dar algum conforto às famílias que optam por essa opção», explicou aos jornalistas Rogério Bacalhau, durante mais uma visita do ciclo «Faro Positivo», na manhã de quarta-feira, dia 16 de outubro.

Apesar de instalado em Faro, o crematório irá servir todo o Algarve e até parte do Alentejo.

Segundo o autarca farense, «hoje há uma grande procura pela cremação. Os algarvios estão a deslocar-se a Lisboa e ao Alentejo para terem essa possibilidade. Portanto, este equipamento vai trazer melhores condições para esta fase tão dolorosa. Certamente que o crematório vai servir Faro, o Algarve e até parte do Alentejo».

Em relação às especificidades e características, o novo equipamento será composto por vestíbulo, instalações sanitárias, sala de tanotopraxia, sala de despedida, duas arrecadações, um forno crematório e um forno pirolítico. Este último de enorme importância, como explica Paulo Carvalho, diretor de projetos e ativos da Servilusa.

«O forno pirolítico é essencial para esta zona porque vai permitir que todos os resíduos provenientes dos levantamentos dos corpos possam ser corretamente destruídos, com níveis de emissão de gases perfeitamente controlados. Este é um problema que existe a nível nacional e este forno vai resolvê-lo em toda a área envolvente».

Ainda segundo o responsável, este é um problema a nível ambiental, uma vez que «o resto das urnas e das flores não são permitidos serem queimados a céu aberto e o que se faz é voltar a enterrá-los. Isto vem criar terrenos contaminados e saturados».

Em relação às listas de espera, uma situação que chegou a acontecer no concelho farense, Paulo Carvalho garante que, no crematório não haverá esse problema.

«Vamos ter frigoríficos, mas para outros fins como esperar que algum familiar chegue de longe. Fora isso vamos assegurar as cremações a qualquer hora para não haver esse peso de atrasar o começo do luto».

Por fim, o presidente da autarquia mostrou-se «muito satisfeito» com o início dos trabalhos. «Tenho muita expetativa até porque esta obra era algo que Faro ambicionava já há muitos anos».