Comunidade estrangeira do Algarve junta 350 mil euros para o CHUA

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Primeiro ventilador entregue hoje, no Hospital de Faro.

A luta contra o novo Coronavírus, responsável pela COVID-19, mobilizou um conjunto de residentes estrangeiros no Algarve, aos quais rapidamente se juntaram alguns empresários e particulares da região, no lançamento de uma iniciativa de recolha de fundos para reforçar o Sistema Nacional de Saúde (SNS) local.

Apelando «à urgência de garantir uma reposta adequada para a população na qual se inserem», o movimento Helping Algarve recolheu, em pouco mais de uma semana, junto de cerca de 60 mecenas, mais de 350 mil euros. Esta verba será utilizada para a aquisição de equipamento necessário para a proteção dos profissionais de saúde e para a prestação dos cuidados de saúde adequados a quem precisa de tratamento.

A iniciativa surgiu «a partir do reconhecimento de que a Administração Central portuguesa não tem a capacidade de fazer face às necessidades de equipamento com a rapidez necessária», explicam os responsáveis.

«Os hospitais locais do Algarve – Faro, Portimão e Lagos (Centro Hospitalar Universitário do Algarve – CHUA) – necessitam de ajuda externa ao Orçamento de Estado para não entrarem numa situação de caos e de rutura. Esta verba permitirá aos médicos(as), enfermeiros(as) e demais funcionários, trabalharem num ambiente seguro, permitindo também aos hospitais prestarem a assistência médica ao nível que a presente situação exige», acrescentam.

De acordo com Duncan Irvine, porta voz do movimento Helping Algarve, «coletivamente, podemos contribuir para parar este flagelo doando dinheiro ao nosso sistema hospitalar local e ajudando os profissionais de saúde que estão na linha da frente. Foi o que fizemos: unimo-nos por uma causa que, tendo surgido pela iniciativa da comunidade estrangeira aqui residente, irá beneficiar toda a população. Em complemento ao montante já angariado, foi também lançada uma página Go Fund Me para divulgar esta iniciativa e permitir que quem queira contribuir o possa fazer de forma fácil e acessível. Todos podem ajudar».

Irvine detalha ainda o modo de distribuição da verba: «estamos em contacto direto com o Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve (Algarve Biomedical Center – ABC), um consórcio formado pela Universidade do Algarve e pelo Centro Hospitalar do Algarve E.P.E. (a empresa pública que gere os três hospitais públicos no Algarve, Faro, Portimão e Lagos). Esta instituição encontra-se a prestar assistência de primeira linha no combate ao COVID-19, podendo fornecer Equipamento de Proteção Individual (EPI) aos profissionais de saúde do CHUA que estão a prestar assistência direta aos pacientes de COVID-19, assim como ventiladores e outros equipamentos diretamente necessários na luta contra a pandemia, às diversas unidades hospitalares da região – com especial ênfase, no Hospital de Faro, o maior em dimensão e o centro nevrálgico do CHUA».

O porta voz refere ainda que «o Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, pela sua natureza, tem a capacidade de agir sem as limitações dos procedimentos burocráticos do sistema hospitalar e, dessa forma, conseguirá aplicar os fundos e os equipamentos adquiridos de uma forma muito mais rápida do que o habitual, estando encarregue pela Administração Central desse aprovisionamento e da realização de testes à COVID-19. Enquanto instituição pública, está legalmente obrigada ao dever de transparência na forma como todos os donativos são processados e como são investidos».

Por fim, Duncan Irvine adianta ainda que «foi-nos transmitido pelo Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve que os primeiros frutos desta iniciativa já serão visíveis» hoje, terça-feira, dia 7 de abril, «com a entrega de uma unidade de Raio-X portátil, cuja encomenda ocorreu menos de 48 horas após a entrega do primeiro donativo proveniente desta iniciativa, facto que, a confirmar-se como todos desejamos, será a primeira demonstração da sua eficácia».