Cestaria: artesanato algarvio inspira novo bistro de Olhão

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Cestaria tem mais de uma centena de peças feitas à mão com palma algarvia, que contrasta com a dedicação do que é servido à mesa.

Há um restaurante que não passa despercebido a quem tem o ritual de frequentar os Mercados de Olhão. O edifício é contemporâneo, mas as paredes brancas e dois grandes tapetes redondos de palma algarvia mostram o que a casa defende.

No interior do Cestaria – Bistro de artesão, há mais de 90 cestas, com e sem pegas, grandes e pequenas, todas feitas à mão e com palma algarvia, produzidas com sabedoria por artesãs de Loulé. São estas peças que dão vida ao Cestaria Bistro de Artesão, «um restaurante único, cheio de história e com alma do Algarve», descreve o proprietário Joseph Viegas, 33 anos.

A ideia surgiu durante a pandemia, foi inspirada na envolvência da zona e foram precisos dois anos para poder ser executada. «Antes, e ainda hoje, as pessoas vão às compras ao mercado com cestas de palma» que são práticas e leves. «Visitei muitos sítios onde ainda são feitas, conheci os artesãos e adquiri o máximo de conhecimento que consegui sobre esta arte», diz o empreendedor.

Um passo determinante foi o trabalho do Loulé Criativo, laboratório de design promovido pela autarquia daquele concelho, que promove a revitalização das artes tradicionais numa perspetiva atual, que fez com que o proprietário conhecesse as nove artesãs que fizeram as 94 cestas, tapetes e dezenas de individuais da casa.

«Tinham todas mais de 70 anos e percebi que é um ofício em vias de extinção, embora também seja uma arte que está a ter destaque na moda e a nível internacional». Apesar disso, no Algarve «é pouco valorizada. Há muitas peças de imitação importadas de países estrangeiros onde a mão de obra é muito mais barata», aponta. Contudo, «o meu foco é a sustentabilidade social e portanto fez sentido ajudar esta arte algarvia», sobretudo em Olhão, terra de pescadores e de conservas do mar.

Este conceito focado no artesanato, com peças que se encontram em todo o restaurante, desde tetos e paredes, cozinha, acessórios de casa de banho e alguns pratos para partihar, é provavelmente único no país e até já possui marca registada.

Também na cozinha, esse conceito está presente. «Somos um restaurante bistro em que a arte é escolhida por nós. Não temos chefs, nem barman, nem pasteleira, são todos artesãos. É assim que funcionamos. Cada artesão tem vários pratos que pode recomendar aos clientes. A culinária também é a nossa arte porque é feita à mão. Não estamos fechados a um tipo de cozinha específico, mas à liberdade de escolhermos a arte que pretendemos servir. Esse é o conceito aliado a um produto de qualidade muito elevada», assegura.

Carne maturada, enoteca e cocktails de autor

No menu, os responsáveis pela cozinha, neste caso os artesãos, prepararam uma lista de pratos que possibilitam uma refeição em modo partilha, com várias entradas, doses individuais, opções vegetarianas e para crianças.

A maioria dos fornecedores são regionais, embora com exceções. Nos petiscos, destacam-se os secretos de porco preto com alhinho e coentros e a burrata derretida no josper (forno assador a carvão), com gaspacho de tomate rosa. A casa aposta nas carnes grain fed (alimentadas a grão) provenientes do Uruguai, onde há diversos cortes e a cesta Parrilha, para partilhar e que oferece um pouco de cada.

A carne de porto preto é de Denomição de Origem Protegida (DOP) e as carnes com osso são todas maturadas a 45 dias.

As especialidades da casa são as mais pedidas, sobretudo o lombo de bacalhau meia cura com crosta de amêndoas, puré de batata doce e lima. «É a loucura e numa noite servimos cerca de 40 doses», refere Joseph Viegas. Outro dos pratos que também tem bastante adesão é a carbonara de muxama de atum com linguini nero.

Por fim, nas sobremesas, todas confecionadas pela artesã do Cestaria, merece destaque o folhado Dom Rodrigo e a tarte de chocolate branco com calda de chocolate negro.
Este menu vai sempre sofrer alterações consoante a época do ano e o empreendedor garante ainda que, para ocasiões especiais, haverá também uma carta correspondente, como é o caso do jantar de Natal e de passagem de ano.

Na enoteca que foi também «uma grande aposta nossa», segundo o responsável, a maioria dos rótulos são algarvios, e há vinhos tintos, verdes, Late Harvest [sobremesa], rosés e Porto, todos portugueses, mas também espumantes e champanhes. Ao todo são 600 garrafas e 82 referências diferentes.

Nos cocktails, além dos clássicos e dos mocktails [sem álcool], há os de autor, todos inspirados no artesanato nacional e criados pelo artesão Liberto Viegas, o coordenador do bar.

Pouco mais de quatro meses se passaram desde a inauguração do Cestaria e, até ao momento, a recetividade tem sido muito boa. «O difícil, às vezes, é conseguir-se reservas porque quase todas as noites temos a casa cheia», diz Joseph Viegas.

Com lotação total para 108 pessoas, na esplanada e no interior, o Bistro de Artesão está aberto todos os dias, de segunda a quinta-feira das 18h30 às 00h00 e de sexta a domingo das 12h00 às 00h00. Para reservas e mais pormenores basta consultar as redes sociais (@cestaria.bistrodeartesao), contactar via telefone (912 349 590), ou e-mail (geral@cestariabistro.pt).