Central Artes junta cinco municípios em rede cultural

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Albufeira, Loulé, Faro, Olhão e Tavira vão acolher, em conjunto, durante dois anos, cinco espetáculos internacionais, seis nacionais e 40 workshops para todas as idades, no âmbito do projeto Central Artes – programação cultural em rede.

Dança, música, teatro, literatura, novo circo, performance e manualidades dão o mote ao projeto Central Artes, apresentado no final da tarde de segunda-feira, dia 2 de março no Auditório do Solar da Música Nova, em Loulé, com produção conjunta entre as empresas Eventors’Lab e Spira – Revitalização Patrimonial.

Dália Paulo, diretora municipal da Câmara de Loulé, explicou que se trata de «um programa aprovado em 2016. É apresentado agora porque só o terceiro concurso público internacional é que teve candidaturas».

Apesar disso, a diretora acredita «que vai fazer a diferença. Esta programação está ligada às estratégias dos municípios, é pluriartística e é arrojada. Vai deixar sementes e tocar as pessoas. No fundo, vamos criar identidade a partir da arte», sublinhou.

Para Adriana Freire Nogueira, diretora regional da Cultura do Algarve, o trabalho em rede «é o caminho. Estou muito expectante e com muita vontade de participar nas atividades», disse.

Opinião partilhada por Ana Pífaro, vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira, que, no uso da palavra, realçou que só com esforços coletivos é que a região «se consegue tornar mais forte e capaz de divulgar aquilo que de bom tem para oferecer aos residentes e aos que nos visitam».

Com Faro a candidatar-se a Capital Europeia da Cultura 2027, Paulo Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Faro, realçou importância de promover eventos culturais para esse processo.

«Já havia uma clara vontade política de se programar em rede e de olharmos o território além fronteiras. Um bom exemplo disso é também o Algarve 365, crucial para a cultura e o turismo na região. Só assim será natural uma candidatura europeia. Faro encabeça, mas sem os municípios e sem bases alargadas de apoio, não fazia sentido nenhum avançarmos. A cultura pode ser a área que mais pode unir o Algarve».

Por fim, Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, seguiu a mesma linha de pensamento e mostrou-se cooperante na candidatura do concelho vizinho. «Juntos valemos muito mais do que isolados. Isso tem vindo a ser demonstrado. Que este exemplo possa frutificar porque o Algarve atingiu um nível de maturidade e de desenvolvimento que precisa, cada vez mais, de se capacitar no sentido de se projetar no país como um conjunto. Isso é que nos pode levar mais longe e esta programação é mais um exemplo. Para que a candidatura de Faro possa ser bem sucedida, precisamos destes e de outros projetos no ramo da cultura, em rede, e ter isso como objetivo. Quem trabalha na cultura deseja e está disposto a dar o seu contributo para que a candidatura de Faro possa ser bem sucedida, porque todos ganhamos», enfatizou.

O projeto «Central Artes – Programação Cultural em Rede» é uma iniciativa conjunta dos cinco municípios do centro do Algarve (Loulé, Albufeira, Faro, Olhão e Tavira) e surge de uma candidatura realizada ao Programa Operacional CRESC Algarve 2020, um instrumento financeiro, com fundos comunitários, que visa o apoio ao desenvolvimento da região.

Música com legumes, maestro!

O arranque do Central Artes está marcado para sábado, dia 14 de março, no Mercado da Ribeira, em Tavira, que, às 21h30 recebe a «The Vegetable Orchestra», um grupo de Viena conhecido por tocar com instrumentos criados a partir de legumes. No final, os músicos irão distribuir uma sopa de vegetais frescos confecionada pelos próprios. Este concerto servirá ainda de mote a cinco workshops de «Construção de instrumentos musicais com vegetais», a decorrerem nos cinco municípios, entre os dias 12 e 14 do mesmo mês.

A curto prazo, destaca-se também a música com a «Presença das Formigas» a 12 de maio no Cineteatro Louletano, Celina da Piedade, a 23 de maio no Auditório Municipal de Albufeira, e os «Olive Tree Dance», na Praceta de Agadir, em Olhão, no dia 31.

A acompanhar cada um dos eventos o programa apresentará workshops de canto tradicional português, cante alentejano e alguns instrumentos musicais como o didgeridoo.

Em Faro, o dia 16 de maio fica marcado com os «Percursos pela Arquitetura», a cargo da companhia Instável, que promete descobrir uma forma de diálogo com cinco espaços em Vila Adentro, às 18h00. Antecede-se o workshop de «Dança Contemporânea em Espaços Urbanos».

Mais tarde é a vez do Jardim da Igreja de São Francisco, em Tavira, onde no dia 30 de maio, às 18 horas decorre a performance/instalação «Passagem» da companhia PIA – Projetos de Intervenção Artística. Pela manhã os mais novos terão a oportunidade de aprender a construir as suas próprias máscaras.

A terminar a programação de 2020, acontece de 26 a 30 de outubro, o workshop «Pinto-me Dançando» que passará pelos cinco concelhos, com atividades para todos os públicos.

Grandes produções chegam em 2021

Com a chegada de 2021 chegam também cinco espetáculos internacionais, provenientes do Brasil, França, Alemanha, Espanha e Itália.

Em janeiro, a dupla Ana Borralho e João Galante, da casaBranca irão produzir um espetáculo com a comunidade.

A literatura será o destaque do mês de março com o workshop «Através dos Livros», a decorrer nos cinco municípios e para um público infantojuvenil. 7

Depois, a 30 de abril, a performance «Borderline» pela companhia alemã Wang Ramirez juntará, em Faro, acrobacias e a poesia visual.

A brasileira «Pianorquestra» atua no dia 8 de maio no Auditório Municipal de Olhão enquanto que o teatro espanhol «Isla», da companhia D’click apresenta-se no Jardim do Mercado da Ribeira, em Tavira, no dia 22 de maio.

Já a companhia alemã de novo circo Zirkus Morsa, com o «Rohol» encerra a programação no Cineteatro Louletano, a dia 29 de maio. De realçar que todos os eventos são antecedidos por workshops que permitem a conversa com os artistas.