Catálogo do Tesouro Nacional «Deus Oceano» apresentado este sábado

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O mosaico romano «Deus Oceano», classificado Tesouro Nacional em 2018, será o protagonista de uma publicação que vai ser apresentada no sábado, dia 28 de setembro, às 17 horas, naquele que será dos momentos altos das Jornadas Europeias do Património em Faro.

«É importante por várias razões. Faz um ponto de situação do conhecimento que temos com as informações mais atualizadas. Além disso, este catálogo apresenta um estudo sobre todas as peças que acompanham o museu na sala de exposição, neste momento. E também porque tem várias colaborações de especialistas reconhecidos neste período, como o João Pedro Bernardes e a Catarina Viegas que colaboraram também na candidatura a tesouro nacional desta peça fantástica», descreve Marco Lopes, diretor do Museu Municipal de Faro.

«Ao longo dos anos, temos feito um esforço notável para ter um catálogo em cada uma das nossas salas de exposição. Este era o único que faltava e que no fundo, vem concluir, uma lacuna. Já existia um para a sala islâmica, para os caminhos do Algarve Romano, para o Carlos Porfírio e para a sala da pintura antiga. Este era o que faltava. Era importante haver um suporte informativo».

Em relação ao significado desta personagem, Marco Lopes refere que «representa um lado místico espiritual, de proteção ligado a uma comunidade de pescadores e marítimos que faziam comércio no porto de Ossónoba. Mas tem também um significado de estatuto social e económico de quem encomendou o mosaico», explica.

O catálogo também lança nova luz sobre «outras peças que resgatamos das reservas, como as lucernas, em que o Carlos Pereira faz um estudo muito aprofundado, e as ânforas».

Interesse acrescido desde que foi considerado tesouro nacional? «Sim. Há muitos visitantes que vêm em função dessa classificação. Percebemos até pelo comportamento e pelo reação do público. Há uma série de questões que coloca, a sala presta algumas informações sucintas, breves e este catálogo vem dar resposta», diz o responsável.

Museu precisa de mais espaço

Uma das reivindicações da equipa do Museu Municipal de Faro tem a ver com as condições de trabalho do Serviço de Conservação e Restauro.

Esta importante núcleo precisa de uma sala mais espaçosa, melhor arejada (por causa dos produtos químicos) e com luz natural, indispensável ao trabalho.

Questionado pelo «barlavento», Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro apenas deixa a intenção. «Tendo em conta a dinâmica que esta equipa imprimiu ao museu, desde a investigação, ao restauro, as exposições que organiza até este novo catálogo que vamos apresentar sobre o mosaico do deus Oceano, tudo isto é fruto de muito trabalho de fundo. Esta equipa tem feito maravilhas e começa a precisar de mais espaço, e até para podermos vir a ter outro tipo de exposições».

O autarca refere-se à antiga carpintaria municipal que poderá vir a ser anexada. «É evidente que isso não é para hoje, mas é a vontade deste executivo. Hoje o museu tem uma grande pujança, e isso é visto inclusive pelo número de visitantes que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Precisamos de dar um salto para que esta cultura que está aqui fechada, que é nossa, dos farenses, do Algarve, da região possa ser melhor disseminada por quem nos visita e pelas escolas, através do serviço educativo», concluiu o autarca.

Neste momento, a equipa do Serviço de Conservação e Restauro está a preparar uma exposição inédita sobre o mestre escultor e entalhador barroco Manuel Martins.