Bistro Ambrósia quer ser «Olimpo» gastronómico de Almancil

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Bistro Ambrósia, inaugurado no final de dezembro, oferece uma cozinha de influências francesas e portuguesas, em Almancil.

Na mitologia grega, Ambrósia era o nome dado ao manjar, de divino sabor, dos deuses do Olimpo. É o conceito que serve de mote para o restaurante homónimo, inaugurado a 27 de dezembro último, na Estrada de Vale Formoso, em Almancil, pelas mãos do chef Luís Duarte e de Sílvia Reis.

Serve refeições com inspiração mediterrânea, mas com foco, sobretudo, na cozinha francesa e portuguesa. O espaço já estava a ser pensado há anos pelo casal, devido à experiência profissional de ambos na área da hotelaria.

Depois de concluir o Curso de Cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, em Faro, Luís Duarte trabalhou em Londres e concluiu o prestigiado Professional Chef Diploma – Le Cordon Bleu.

Depois, regressou ao Algarve e trabalhou em vários restaurantes da Quinta do Lago, como subchef e mais tarde como chef. Já Sílvia Reis, apesar de ter concluído a licenciatura e mestrado em Artes Plásticas, foi também na Quinta do Lago onde trabalhou durante seis anos e cresceu no sector hoteleiro. Como «sempre tivemos vontade de abrir um espaço nosso, achámos que faria sentido avançar», explica a gerente de sala.

Em relação ao conceito, «quisemos elevar um pouco o nível e oferecer algo um pouco superior. Não somos nem queremos ser uma taberna. Mas também não somos um restaurante com estrela Michelin. Já há oferta desse género na região. Queremos ser uma casa acolhedora, a pensar num cliente que gosta de comer bem, de ser bem recebido, num espaço com bons produtos, mas que não precise de pagar exorbitâncias, algo que é comum a estabelecimentos com estas características», refere o chef.

Menu diversificado e de produtos locais

Luís descreve as suas receitas como «muito simples. Não gosto de cozinhados complexos, apesar de ter trabalhado em várias cozinhas com esse conceito. Sempre dei primazia ao equilíbrio, entre o produto e a qualidade, ao respeito pela temperatura correta dos alimentos, às proteínas bem cozinhadas e molhos bem equilibrados» no sabor. A maioria dos produtos que usa são locais e frescos.

«No Algarve, nem faria sentido que fosse de outra forma», afirma Sílvia. «Todas as manhãs vamos à peixaria. E como estamos neste ramo há vários anos, já conhecíamos os melhores fornecedores», explicita o chef.

«O queijo de cabra fresco é de São Brás de Alportel, o pão é do Cerro do Galo, a manteiga é produzida de forma artesanal em Almancil e ostras são criadas na Ria Formosa», enumera. Há também cervejas artesanais algarvias.

O menu é sazonal, conforme as épocas, e há uma carta diferente para almoço e jantar. O objetivo é «diversificar para incluirmos todos os gostos. E como somos bistro temos vários pratos para partilhar», apontam, como é o caso do bife tártaro, parfait de foi gras, tiras de choco frito e ostras, as opções com maior saída e as preferidas também do chef, e ainda ceviche, pica-pau, vieiras e morcela.

Também ao almoço, existe sempre uma sugestão diária, que altera todos os dias, a um preço mais económico (12 euros), que inclui um prato principal, um couvert, uma bebida e um café. Há sempre a opção de carne, peixe e vegetariana e, segundo os responsáveis, tem sido a escolha da maioria dos locais que escolhem o Ambrósia para almoçar.

Para o jantar, aos pratos para partilhar junta-se o peixe do dia, lombo de bacalhau fresco, bife do lombo, coxa de frango Med e magret de pato.

Nos vinhos não há referências de supermercados, e há opções de tintos, brancos, verdes, rosés, espumantes e champanhes. A grande maioria são portugueses, mas há também rótulos franceses. Os preços variam entre os 12 e os 82 euros.

Feedback «espetacular»

As portas abriram durante um dos picos da pandemia de COVID-19, mas o casal nunca duvidou da sua aposta. «Era um sonho nosso», assegura Sílvia. «Ao almoço temos muitos trabalhadores da zona e o feedback tem sido espetacular. Temos clientes que vêm com frequência e que já nos pedem desculpa quando passam algum tempo sem nos visitar. Os estrangeiros residentes também começam a aparecer, sobretudo holandeses e franceses que gostam deste tipo de cozinha», explica o casal.

Sobre o futuro, há já algumas ideias. «Talvez criar um deck, expandir ou ter uma roulote só com ostras e tártaro. A prioridade é afinar este espaço e só depois se pensa numa loucura igual».

Horários para todos

Um dos aspetos que o casal Luís Duarte e Sílvia Reis tiveram em conta foi um horário adaptado a vários públicos. «É compatível com a vida familiar, mas também com as horas das pessoas que trabalham em hotelaria ou noutros sectores que acabam por acordar mais tarde e já não conseguem fazer refeições a partir das 15 horas na restauração. Como não servimos jantares às terças e quartas, abrimos toda a tarde e conseguimos dar esse conforto aos locais», assegura Sílvia Reis.

Mas não só. «Também os estrangeiros que muitas vezes não almoçam nem jantam, gostam de se encontrar com os amigos a meio da tarde para beberem e comerem algo, mas a partir de uma certa hora, já não encontram» muitas opções.

O Ambrósia tem capacidade para 40 lugares sentados e funciona das 12h00 às 18h30 às terças e quartas-feiras e das 12h00 às 22h00 de quinta a sábado. As reservas podem ser feitas por email (ambrosia.bistro.vf@gmail.com) ou telefone (926741739).

Espaço aberto a artistas

O Ambrósia dedica um espaço expositivo para peças de artesãos algarvios. «A ideia é dar a conhecer alguns projetos regionais. Temos sabonaria, mandalas e alguma louça», garante Sílvia Reis. «Além disso, queremos dar oportunidade a vários pintores algarvios de exporem aqui os seus trabalhos».

Domingo é dia de sushi

Apesar de ao domingo o casal não servir refeições no Ambrósia, será ainda durante o mês de abril que o restaurante dará início a um novo projeto. Sob a responsabilidade do chef Diogo Martins, o espaço terá vários pratos de sushi para almoço e jantar.