Barbearia Social de Portimão ganha Prémio Municipal do Voluntariado

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Na tarde de quinta-feira, dia 5 de dezembro, foi entregue pela primeira vez o Prémio Municipal de Voluntariado, em cumprimento a uma promessa feita há cerca de um ano pela presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes, tendo sido distinguido o projeto Barbearia Social da Cáritas Paroquial de Nossa Senhora da Conceição – Matriz de Portimão.

A cerimónia, integrada nas comemorações do Dia Internacional do Voluntariado, teve lugar no auditório do Museu de Portimão após a mesa-redonda «Voluntariado em Portimão – Um ato de cidadania», moderada pela jornalista Diana Gomez e que motivou uma reflexão sobre a cidadania e a responsabilidade social com a participação de representantes de algumas das instituições e projetos locais na área do voluntariado, nomeadamente Associação Elos de Esperança; Banco Alimentar do Algarve, Projeto de Voluntariado da Cidade Europeia do Desporto 2019 e do Projeto Corpo Europeu de Solidariedade – Dypall Network.

Na sua intervenção, Isilda Gomes afirmou que subscreveu a proposta de criação do Prémio Municipal de Voluntariado «como forma de reconhecer e recompensar o empenho de cidadãos e entidades, cujo trabalho é de relevante interesse social e de impacto muito visível na nossa comunidade».

A autarca defendeu que « além do apoio anual destinado às associações, deve existir um prémio especial para quem dá tanto de si sem pedir nada em troca”, porque somos um município solidário».

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A propósito, enalteceu «o magnífico papel do associativismo local, no apoio àqueles que mais precisam e que vivem em completo abandono».

«Nesta época solidária do Natal, em que ficamos mais sensíveis às vulnerabilidades dos outros, não posso deixar de agradecer com muito carinho a quem diariamente dá o seu contributo para que este mundo seja melhor», sublinhou Isilda Gomes, que deixou em aberto a possibilidade de a segunda edição do prémio, atualmente no valor de 5000 euros, «ter um pequeno aumento, como incentivo ao surgimento de mais candidaturas».

O projeto Barbearia Social distinguido com o Prémio Municipal do Voluntariado deverá funcionar nas instalações da Cáritas de Portimão e pretende criar as condições para a abertura de uma barbearia acessível a todos aqueles que dela queiram usufruir, com vista a fomentar a integração social através da mudança de imagem, facilitando a sua integração no mercado de trabalho.

O júri do Prémio Municipal de Voluntariado, de entre as oito candidaturas admitidas na categoria coletivo, decidiu ainda atribuir uma menção honrosa ao projeto «Filhos de Ninguém» da Associação Elos de Esperança.

Voluntariado é uma questão de cidadania

Maria Cabral Teixeira, presidente da Associação Elos de Esperança classificou como «uma paixão e uma vocação o voluntariado hospitalar, pois tem que se sentir o compromisso e a responsabilidade que se assumem perante aqueles que desejamos ajudar, sejam doentes, sejam pessoas à espera de uma consulta».

Colaborando todos os dias do ano, entre as 9h00 e as 21h00, com a unidade de Portimão do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, a associação a que preside tem pouco mais de cem sócios, entre os 39 e os 85 anos que, entre janeiro e novembro deste ano, fizeram cerca de 21 mil horas de voluntariado.

«O que se pretende é humanizar os serviços e, para além das refeições aos doentes, também temos o acolhimento ao utente, ou seja, muitas pessoas que aguardam exames ou análises ficam à toa naquele autêntico labirinto e nós encaminhamo-las para as salas das consultas, para o Raio-X, para todo o lado. Além disso, criámos a Hora da Partilha, na qual oferecemos um chazinho e umas bolachinhas, a todos os doentes, sem exceção», explicou a responsável, para quem «somos assim como que o coração do hospital. Em troca, basta-nos um sorriso de gratidão com que nos brindam e a alegria que partilham connosco… Não há maior recompensa!».

Na ocasião, o presidente do Banco Alimentar do Algarve, Nuno Alves, lamentou a dificuldade na angariação de voluntários, defendendo a importância da captação de mais jovens. Na sua ótica, «Portugal não tem uma cultura de voluntariado e se notamos uma maior mobilização nas recolhas que fazemos em maio e dezembro, no resto do ano torna-se muito complicado haver voluntários envolvidos nas tarefas da associação, porque as pessoas não querem assumir compromissos».

Ainda assim, a campanha do Banco Alimentar realizada passado fim-de-semana  terá sido «um sucesso na região algarvia, com mais dez toneladas do que em igual período de 2018 e cerca de dois mil voluntários, muitos dos quais de instituições envolvidas no projeto», explicou Nuno Alves.

Com cerca de 60 elementos em toda a região, dos 35 aos 55 anos, o responsável defende que o Banco Alimentar «deve tentar sensibilizar a juventude, mas também os reformados, que atualmente são pouquíssimos – afinal, este exercício de cidadania apenas requer um pouco de boa-vontade e o deixarmos de lado a inércia e a ideia de que há sempre alguém que resolve os problemas por nós».

Pelo Corpo Europeu de Solidariedade – Dypall Network, iniciativa da União Europeia dirigida aos jovens, estiveram presentes Giovanni Macaluso, Verónica Vismara e David Cardoso, que exercem atividade na Loja Ponto Já, no Centro Comunitário da Cruz da Parteira e na Dypall Network de Portimão. Os jovens deram o seu testemunho acerca das suas experiências e os motivos pelos quais abraçaram o voluntariado e os projetos que têm para o futuro.

Portimão Cidade Europeia do Desporto foi também uma boa prática de voluntariado no município, através da criação de uma Bolsa de Voluntariado com 416 inscritos e 191 participantes ativos, dos 16 aos 69 anos que ao longo do ano deram um importante apoio.

Presente no debate, Helena Moreira, representante deste grupo de voluntários confessou que o seu objetivo em participar neste grande projeto foi «ajudar Portimão a fazer história».

«Senti-me muito feliz e orgulhosa por saber que tínhamos recebido o prémio de Melhor Cidade Europeia do Desporto 2019, após um ano de loucura saudável, frenético e cansativo, mas muito gratificante. Do meu ponto de vista, isto é um bom vício que se cria, pois haverá sempre um tempinho para ajudar o próximo e para participar em projetos de alcance social», destacou a voluntária.