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A quarta edição do 365 Algarve arranca já em outubro e traz um novo conceito, além de novas propostas culturais. São mais de 400 iniciativas culturais por toda a região e que incluem mais de uma centena de concertos, cerca de 50 espetáculos de teatro e 100 ações relacionadas com o património, entre outras propostas.

Desta vez, o ciclo de programação do 365 Algarve, que decorre entre outubro de 2019 a maio de 2020, «parte de uma ideia de território enquanto paisagem à escala humana, que se pode percorrer a pé. Um dos principais eixos para refletirmos sobre a ideia de Europa é exatamente a relação com a geografia que habitamos», segundo informa o Turismo de Portugal.

A programação deste ciclo sublinha esta ligação à terra e a um território à escala humana. Exemplo disso é o Festival da Comida Esquecida.

Festival da Comida Esquecida.

Pelos trilhos da memória de um Algarve dos anos 1930 e 1940, este novo projeto oferece experiências culinárias em locais monumentais, passeios nas hortas, com colheita de alimentos e aulas de culinária, numa grande festa dedicada à mesa das famílias algarvias.

Com atividades em outubro, novembro e dezembro de 2019, e depois mensalmente entre fevereiro e maio de 2020, este é um elogio à mesa da avó, para que todos o possam experienciar, num festival que quer sentar à mesa gerações de residentes e visitantes, numa grande festa familiar.

Outra novidade que frisa o tema desta quarta edição é o programa (A)Prender-me no Algarve. «A bordo de uma carrinha pão de forma revisitamos e aprendemos sobre o património, costumes, tradições e musicalidades do que constitui e formou o povo algarvio. Uma vez por mês, entre outubro de 2019 e maio de 2020, esta é uma experiência que nos vai levar a viajar, física e metaforicamente pelo tempo e pela história da paisagem humana local», explica a organização.

(A)Prender-me no Algarve.

Pela primeira vez na programação do 365 Algarve, o Out (In)verno traz uma oferta na área do astro-turismo, fazendo a ligação entre as artes e a divulgação científica através de concertos temáticos, caminhadas e oficinas de ciências. Um evento que vai animar as noites entre 1 a 3 de novembro e que se repete em janeiro e maio de 2020.

Out (In)verno.

Mas o 365 Algarve não se faz apenas de novidades e o público pode contar com a continuação de eventos de referência como o Lavrar o Mar, que vai trazer cerca de 90 sessões, entre Aljezur e Monchique, neste novo ciclo de programação, com especial destaque para as já tradicionais sessões de novo circo na passagem de ano, reunindo algumas das melhores companhias europeias do género.

Outro emblemático projeto do 365 Algarve que agora retorna é o Jazz nas Adegas. Entre outubro e maio, este evento que tem tido cada vez mais procura de público, quer nacional, quer internacional continuará com sessões duplas por concerto, de forma a dar resposta à enorme procura.

Em novembro, o LUZA- Festival Internacional de Luz do Algarve, muda-se para Faro, invadindo o seu centro histórico para um fim de semana inigualável. Esta é uma das propostas mais inovadoras do 365 Algarve uma vez que não há outro projeto que se assemelhe, na região.

Em março, o Festival do Contrabando regressa à Vila de Alcoutim para recordar os trilhos que os contrabandistas tinham na região raiana. Centrando-se num legado cultural e histórico de memória coletiva recente na região e em toda a zona fronteiriça, ainda é possível recordar os percursos e procedimentos dos contrabandistas dos anos 1930 e início dos anos 1940, com o fim da guerra civil espanhola e o início da Segunda Grande Guerra a moldarem as vivências das populações.

Festival do Contrabando.

A propósito dos 120 anos do nascimento do poeta popular, António Aleixo, a Rede Azul – Rede de teatros do Algarve, encomendou o espetáculo «Diz-me António» a três artistas algarvios. Entre dezembro e maio, este projeto que inclui dança, música e spoken word vai envolver os espetadores e pessoas da comunidade incluindo ainda uma visita guiada que permitirá um envolvimento muito concreto com o local de acolhimento do espetáculo.

Com enorme destaque a nível nacional, na sua estreia, a segunda edição do FICLO- Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão, integra a programação do 365 Algarve, contando com uma residência artística de um argumentista de renome internacional; além do festival, que ocorre entre fins de março e inícios de abril, em vários espaços do concelho de Olhão. Promovido pelo Cineclube de Tavira, esta é uma nova proposta na região, que foi também convidada a estar representada no Festival de Cannes 2019.

Festival Verão Azul – Projeto Pergunta.

O Festival Verão Azul, acontece em plena época baixa – entre outubro e novembro – e traz ao Algarve nomes de internacional relevo nas artes performativas contemporâneas, como Niño de Elche (música/flamenco) e Alessandro Sciarroni (Leão de Ouro da Bienal de Veneza de 2019). Nesta que é a nona edição deste festival, é de destacar o investimento na criação de espaços de interação e encontro entre artistas, a comunidade e o público, em Faro, Lagos e Loulé.

Ainda durante o mês de outubro o evento Poesia a Sul vai invadir a cidade de Olhão com inúmeras atividades ligadas à poesia, incluindo música, exposições, workshops e mesas redondas. Poetas de cerca de 30 nacionalidades reúnem-se neste encontro internacional que vai ainda promover sessões em Tavira, Faro e Sevilha.

Proposta estreante no 365 Algarve, o LAC Open Days – LAC Laboratório de Atividades Criativas tem uma forte componente de arte urbana e pretende mostrar o trabalho dos artistas em residência no espaço do LAC, em Lagos. Integrado no projeto estão ainda visitas ao circuito de arte urbana em Lagos, workshops de stencil e um roteiro de arte contemporâneo por territórios de baixa densidade que foram alvo de intervenções artísticas criadas no âmbito do projeto WATT?: um projeto artístico para a comunidade, promovido em 2016. As várias propostas acontecem em outubro e dezembro de 2019 e em 2020, mensalmente até ao mês de maio.

Em Canto pela Algarviana é outro projeto inédito que se mostra, pela primeira vez, na programação do 365 Algarve, promovido pelo Grupo Coral Ossónoba.

Um conjunto de seis passeios em troços específicos da Via Algarviana, que serão complementados com momentos musicais feitos a partir do reportório do grupo. A experiência é complementada com momentos gastronómicos em restaurantes do percurso ou com a participação em festas tradicionais de algumas das localidades, como é o caso da Festa do Pão Quente e do Queijo Fresco de Vaqueiros, em Alcoutim. Mensalmente entre outubro de 2019 e março de 2020.

Após uma concorrida terceira edição, o Festival Internacional de Piano do Algarve regressa para a sua quarta edição, entre Portimão, Loulé e Faro. Com um total de 10 concertos, o festival tem início em novembro de 2019, com um concerto da Zhejiang Symphony Orchestra, da China, regressando depois todos os meses, entre janeiro e abril de 2020.

Em fevereiro será a oportunidade de receber o Festival Amendoeiras em Flor. Um festival de que, durante dois dias, trás ao sítio da Cumeada de Alta Mora, em Castro Marim, um mercado de produtos e artesanato local e regional, com uma forte programação musical tradicional e popular, teatro de rua, atividades para crianças, assentes em jogos tradicionais, gastronomia típica e vários percursos pedestres.

LUZA – Festival Internacional de Luz do Algarve 2020.

A estrela da festa é a amêndoa algarvia, que será celebrada com a confecção de uma torta de amêndoa gigante e com workshops de plantio de amendoeiras, num território tão marcado pela desertificação, despovoamento e envelhecimento da população.

Em fevereiro, abril e maio vamos poder estar À Babuja. Com encenação de João de Brito, esta é uma nova criação que conta com uma das mais inovadoras e originais vozes da jovem literatura portuguesa, Joana Bértholo. Uma narrativa que tem como inspiração cinco palavras profundamente ligadas ao universo gastronómico algarvio: Alfarroba, Anchova, Medronho, Muxama e Dom Rodrigo. Um cheirinho a Algarve que, com uma original roulotte de comida, vai ocupar zonas públicas de destaque, indo ao encontro dos locais e visitantes.

À Babuja de João de Brito.

Entre fevereiro e maio, os Encontros do Devir regressam a Faro, Lagos e Loulé. Um projeto que se mantém na programação do 365 Algarve e que se tem consolidado junto do público, com propostas cada vez mais em linha com os grandes desafios sociais e culturais que enfrentamos coletivamente. O festival, que tem o propósito de pensar o território, tornando as distâncias geográficas, político-sociais e artísticas mais curtas e compreensíveis, tem como tema deste ano o «Resgate». Vão-se recuperar obras e criadores que foram marcos da história e da arte contemporânea, cruzando esses temas com as questões do combate às alterações climáticas

Em março o tempo já é de calor no Algarve e a proposta dos Percursos Performativos no Património instala-se em Lagoa para promover passeios encenados a locais marcantes da história e do património do concelho. Em março, abril e maio de 2020

Março não costuma ser mês de ventos fortes mas o Ventania – Festival de Artes Performativas do Barlavento, regressa nesse mês para a sua segunda edição. Um projeto que inclui diversas linguagens artísticas, com predomínio das artes de rua e que, em 2020 terá, mais uma vez, como base programática, as questões ambientais mais diretamente ligadas à água enquanto recurso precioso e escasso.

Ventania – Festival de Artes Performativas do Barlavento. Foto: Frederico Borges.

Em maio o Algarve Jazz Gourmet Moments regressa para a sua quarta edição, expandindo-se para fora dos limites do concelho de Lagos, com concertos previstos em Lagoa e Loulé. Serão três dias em que o público poderá ver nomes consagrados do jazz como Jane Monheit. Além desta programação, as Smooth Jazz Gourmet Sessions vão oferecer 35 concertos, distribuídos por restaurantes dos três concelhos envolvidos que acompanharão menus especialmente concebidos para os dias do festival.

Algarve Jazz Gourmet Moments – Jane Monheit.

«A ideia de Europa» inspira 365 Algarve

Nesta quarta edição, o 365 Algarve propõe uma programação que vai permitir, através do ritmo do caminhante, conhecer melhor praças e ruas, os detalhes do espaço comum e a beleza do nosso património. Uma premissa inspirada no ensaio «A Ideia de Europa», de George Steiner.

«Como explica Steiner no seu ensaio de 1966, só num continente com as características do europeu, onde as ligações eram facilmente feitas a pé poderiam ter surgido as figuras, primeiramente dos peripatéticos – palavra grega para ambulantes e nome pelo qual ficaram conhecidos os discípulos de Aristóteles, por o seu mestre os incentivar a caminhar – , os que se deslocavam a pé, de polis em polis, ensinando de forma itinerante, e posteriormente dos peregrinos e pedintes; e mais tarde a ideia de flanêurs, os errantes observadores. Um continente onde as ligações são feitas à distância de uma caminhada e que adotamos como o fio condutor desta edição: a profunda ligação humana ao território, quer física quer metaforicamente», detalha o Turismo de Portugal.