Associação de Basquetebol do Algarve nega discriminação religiosa

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Na sequência da informação veiculada ontem alusiva ao impedimento de uma jogadora do Clube de Basquetebol de Tavira ser utilizada no jogo nº 186 do Campeonato Regional de Sub 16 Femininos, aludindo a factos de cariz religioso, a Associação de Basquetebol do Algarve enviou um comunicado no qual diz recusar «frontalmente na sua regulamentação, na sua organização e na sua cultura, qualquer tipo de descriminação, seja ela de etnia, de género ou de religião».

Fatima Habib, de 13 anos, jogadora da equipa dos sub-16 do Clube de Basquetebol de Tavira, terá sido impedida de defrontar, no domingo, o Imortal de Albufeira, depois de recusar despir a camisola que tinha vestida debaixo do equipamento oficial.

A equipa de arbitragem não terá aceite o argumento de que a religião lhe vedava a possibilidade de mostrar os braços, tendo forçado a jovem muçulmana a abandonar o campo. As colegas foram-na resgatar, num cativante gesto de solidariedade, ao balneário, local onde se refugiou a chorar.

Segundo o deputado do PSD Cristóvão Norte, «trata-se de uma jovem de origem paquistanesa, completamente identificada com o nosso país de que provavelmente solicitará a nacionalidade, e que professa a sua religião, a qual, como qualquer outra, a remete para determinadas regras. Nestas situações, o bom senso e a tolerância deve imperar, desde que o exercício de liberdade de uns não fira os de outros. Usar por debaixo do equipamento qualquer proteção não viola ninguém, nem a liberdade da própria nem dos demais».

O parlamentar diz que vai avançar com uma pergunta ao governo «sobre este assunto, para chamar a atenção. Educar é integrar, não excluir; praticar desporto é um dos fenómenos mais democráticos que ajuda a construir pontes de diálogo entre culturas e religiões e civilizações, como tantas vezes testemunhamos nos jogos olímpicos. Estes jovens não devem ficar de fora, ser estigmatizados. Desse modo, criaremos ódio e intolerância, jamais compreensão e respeito pelo outro».

No entanto, a Associação de Basquetebol do Algarve esclarece que o jogo 186 realizou-se no dia 10 de novembro e «até ao presente, passados três dias da realização do mesmo, não recebemos qualquer informação do Clube de Basquetebol de Tavira ou de qualquer entidade referente a qualquer ocorrência no jogo supracitado».

A Associação de Basquetebol do Algarve «apenas teve conhecimento da situação ocorrida, hoje no período da manhá, através da comunicação social, desconhecendo como o processo e informações propagadas, algumas incorretas e divulgadas com total desconhecimento dos regulamentos em vigor, chegaram à comunicação social».

Após ter conhecimento da ocorrência «e no sentido de aprofundar a realidade dos factos solicitámos o relatório do jogo ao árbitro principal nomeado para o mesmo. Além disso, foram mantidos contactos informais com o treinador da equipa de Sub 16 Femininos do Clube de Basquetebol de Tavira e com elementos da arbitragem presentes no jogo».

«Não foi permitida a participação da atleta no jogo devido à utilização de equipamento não-regulamentar, uma vez que a atleta utilizava uma blusa de mangas compridas e largas. Os juízes no decorrer do aquecimento da equipa, cumprindo as suas funções, informaram o treinador desta situação», esclarece ainda aquela entidade.

O pai da atleta «foi contactado pelos dirigentes da Associação de Basquetebol do Algarve e da Federação Portuguesa de Basquetebol no sentido de lhe transmitirmos o motivo pelo qual não foi permitida a utilização da sua educanda no jogo – utilização de equipamento não-regulamentar. Ao mesmo tempo, no sentido de evitar constrangimentos futuros e de modo a proporcionar a continuidade da prática da modalidade pela atleta, o seu familiar foi devidamente informado acerca dos procedimentos exigidos pela FIBA para os equipamentos.

Por fim, «lamentamos que tenham sido efetuadas publicações de notícias referentes a competições da Associação de Basquetebol do Algarve sem que antecipadamente a mesma tenha sido auscultada como entidade organizadora do evento».

A Associação de Basquetebol do Algarve «somente foi contactada por alguns órgãos de comunicação social, posteriormente à notícia ter sido difundida, proporcionando os mesmos com os títulos utilizados, lamentavelmente, para denegrir a imagem da modalidade e dos seus agentes».