Associação da Hotelaria de Portugal pede apoio «urgente» às empresas

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Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) pede «urgente apoio» às empresas do sector. Linha de 150 milhões de apoio não está disponível.

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), a maior e mais representativa associação da indústria hoteleira em Portugal, alerta para a grave situação que os hotéis nacionais estão a atravessar perante a evolução da situação pandémica. E antevê com pessimismo os próximos tempos, na ausência de apoios específicos às empresas por parte do governo.

Raul Martins, presidente da AHP, comenta que «depois de um verão que deu sinais de retoma e dos hotéis se prepararem para o arranque, este volte-face na pandemia e as medidas restritivas anunciadas, aliás, confusas, erráticas e de última hora, significaram um terrível abanão nas nossas empresas».

«Muitos hotéis que tinham aberto para o verão e que ainda tiveram um mês de outubro razoável, quando comparado com 2020, note-se, fizeram o esforço de preparar a operação para o Natal e Passagem de Ano, entraram em despesas importantes e reativaram canais de venda e distribuição. O que se seguiu é o que sabemos: se alguns hotéis nalgumas regiões ainda conseguiram resultados positivos, o grosso da nossa hotelaria está completamente descapitalizada, com uma tesouraria esgotada e sem possibilidades de sobreviver aos tempos que se adivinham. E mais, o primeiro trimestre de 2022 vai ser muito pior do que tínhamos previsto».

O presidente da AHP acrescenta que «se o verão de 2021 foi melhor em comparação com 2020, ficou muito aquém do de 2019 e soma-se a quase dois anos de resultados zero. E o mês de novembro, tal como o INE divulgou ontem, foi muito pior. O número de hóspedes e de dormidas caiu -17,0 por cento e -12,4 por cento, respetivamente, perante 2019».

«A gravidade é tanto maior quando as dormidas registadas nos primeiros onze meses de 2021, comparando com o mesmo período de 2019, diminuíram 47,7 por cento (-10,8 por cento nos residentes e -63,3 por cento nos não residentes)».

Ainda segundo as estimativas do presidente da AHP, em novembro, «33,8 por cento dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não registaram movimento de hóspedes. Infelizmente, os apoios públicos são imprescindíveis para ultrapassarmos as consequências económicas da quinta vaga e prepararmos a retoma futura».

A verdade é que «depois dos anúncios feitos e do Banco de Fomento fazer publicidade à linha de apoio ao turismo de 150 milhões de euros, por via da qual se pretende apoiar a retoma sustentável do Turismo, nomeadamente através ​do reforço de fundo de maneio das empresas viáveis, note-se, e da dinamização dos investimentos relevantes para o setor, nada aconteceu!».

Na prática, «onde estão os protocolos bancários? Que bancos aderiram? Quando é que de facto os empresários se podem dirigir ao seu banco?».

Raul Martins remata que «da nossa parte, tudo estamos a fazer para sobreviver a esta tempestade. A incerteza é grande e os momentos que atravessamos exigem disponibilidade e concretização dos apoios públicos o quanto antes. Só assim estaremos de pé para a retoma, que esperamos e desejamos possa acontecer no segundo semestre de 2022».