Associação Comercial de Albufeira fala em «desânimo»

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Associação Comercial de Albufeira fala em «desânimo» perante a decisão do governo em travar o processo de desconfinamento.

Albufeira, capital do turismo nacional «está a ser vítima do seu próprio sucesso. Uma cidade com mais de 44 mil habitantes residentes, com cerca de mais de 5 mil habitantes não residentes, com uma oferta 50 mil camas turísticas, com uma população de facto e efectiva muito superior, vê-se na contingência de regredir no desconfinamento porque o cálculo é feito apenas de acordo com a população residente», lamenta a direção da Associação Comercial de Albufeira, em nota enviada à redação do barlavento.

«Os albufeirenses acreditaram nas palavras do primeiro-ministro António Costa, quando afirmou que os casos detetados de COVID-19, seriam atribuídos ao local onde essas pessoas residem, mas tal não está a ser cumprido. Os indicadores de risco não podem ter por base apenas a população residente, mas a soma desta com o número de camas de oferta turística e dos não residentes, que se encontram no município de Albufeira», entende aquele coletivo.

Assim, «a penalização que esta situação causa aos comerciantes de Albufeira, que contribuem para os cofres do Estado com cerca de metade da receita gerada pelo turismo do Algarve, é atroz e incompreensível, provocando uma insegurança desumana a empresários, trabalhadores e agregados familiares».

Sérgio Brito, presidente da direção da Associação Comercial de Albufeira.

A Associação Comercial de Albufeira manifesta a «solidariedade para com cada um dos comerciantes, ao mesmo tempo que lamenta que o Algarve não tenha uma diferenciação regional em relação ao resto do país. O princípio da igualdade não se traduz no tratamento igual para todos, mas no tratar de forma igual o que é igual, e de forma diferente o que é diferente, sendo que a região algarvia em geral e Albufeira em particular são diferentes do todo nacional e merecem um tratamento diferente», lê-se na nota.

O surgimento da pandemia de COVID-19 «tem exigido de todos os albufeirenses um esforço hercúleo no combate à doença consubstanciado no cumprimento das regras definidas, não podem agora ser prejudicados por mais uma decisão injusta».

A Associação Comercial de Albufeira lembra que desde outubro de 2019, mais de 80 por cento das empresas só retomaram a atividade em julho de 2020, tendo encerrado, de novo, de outubro de 2020 até maio de 2021, o que representa 15 meses de inatividade, «sendo que se perspetiva de novo um longo inverno».

Albufeira conta ainda com mais de 7 mil desempregados, «uma das taxas mais elevadas de Portugal, muitos profissionais abandonaram a cidade, procurando alternativas de emprego noutros países, com prejuízos económicos e sociais para toda a comunidade».

Por fim, a Associação Comercial de Albufeira exige «a alteração ao critério atual na contagem dos casos detetados e reivindica imperativamente novos apoios para o sector turístico com uma descriminação positiva para o Algarve, de forma a que empresas e empresários consigam sobreviver e poder receber os nossos turistas, como tão bem o sabem fazer».