Art Expo Algarve junta mais de 140 artistas no Portimão Arena

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A Art Expo Algarve apresenta-se como a maior feira de arte contemporânea em Portugal, com a presença de mais de 140 artistas internacionais, a partir do dia 10 de fevereiro.

Com raízes familiares em Portimão, João (John) Ganhão viveu nos últimos 25 anos no Reino Unido e também nos Estados Unidos da América. O advento recente do Brexit, contudo, levou-o a regressar ao sul de Portugal.

Durante o tempo que viveu no estrangeiro, «comecei a apaixonar-me pela arte, a conhecer muitos artistas diferentes, a ver como utilizavam as suas técnicas e estilos, e sobretudo a ver a camaradagem que muitos pareciam ter entre si quando estavam a participar neste tipo de eventos», explica.

Então, «decidi voltar e começar a trabalhar neste projeto porque me apercebi que, em Portugal e no sul de Espanha, não há nenhum evento de grande envergadura a nível internacional onde os artistas tenham possibilidade de ir mostrar a sua arte, onde possa acontecer um intercâmbio e, sobretudo, uma grande afluência de pessoas interessadas em ver muita arte num muito curto espaço de tempo», revela.

«Existe uma feira na capital, a ARCOlisboa, que funciona como complemento a um evento congénere em Madrid», compara.

Ganhão apresentou a ideia à Câmara Municipal de Portimão, em 2020, que «foi muito bem acolhida. Negociámos o pavilhão, o Portimão Arena, que é a maior área de exposições a sul. Decidimos avançar» no ano seguinte. Entretanto veio a pandemia de COVID-19 «e fomos obrigados a abandonar» todo o trabalho.

Desde então, «o evento tem vindo a passar por várias fases. Era para ter acontecido em setembro último, mas a guerra na Ucrânia causou um caos na parte logística e obrigou-nos, mais uma vez, a adiar a exposição», até porque os custos começaram a escalar o orçamento previsto.

Agora, não já volta a dar. «Toda a preparação anterior foi enorme, nunca se parou de trabalhar. Temos mais de 140 artistas internacionais a participar nesta feira. Teremos várias galerias de França, Espanha e Portugal, que representam 10 a 15 artistas diferentes, e que estarão presentes em Portimão. Nesse aspeto, estamos muito satisfeitos com a aceitação. O pavilhão está cheio, estamos com a capacidade a 100 por cento do que podemos expor».

A Art Expo Algarve apresenta-se como a maior feira de arte contemporânea em Portugal, com a presença de mais de 140 artistas internacionais, a partir do dia 10 de fevereiro.

Questionado acerca do calendário, na época baixa, Ganhão explica que foi devido à disponibilidade do Portimão Arena. Havia uma alternativa em Vilamoura, «que custa dezenas de milhares de euros para alugar, com instalação e desinstalação incluída. De facto, pedimos um orçamento, mas a verba era tão elevada que seria impossível para qualquer dos artistas. Isso, inviabilizou logo o projeto».

E o que se poderá apreciar? «Vamos ver arte contemporânea, muitas peças de design, de escultura, técnicas mistas de pinturas a óleo, aguarelas, pintura acrílica, cerâmicas, vidro. Vamos também ter tatuagem com alguns artistas a expor os seus trabalhos. Será uma grande coleção de arte moderna. Aparentemente, alguns artistas podem parecer semelhantes, mas com uma análise mais detalhada será possível ver que todos têm uma marca pessoal e própria. É por isso mesmo que vão estar presentes para um novo mercado e para acolher um novo tipo de clientela que existe aqui no Algarve».

Quase todos os presentes responderam a um desafio.

«Sim, lançámos uma call para artistas nas redes sociais. Mesmo com todos os adiamentos, a maioria manteve o interesse em participar. Houve dois por cento de desistência devido a questões de agenda própria. Todo esse período de incerteza criou instabilidade, sobretudo no meio cultural, porque um artista que vive do rendimento proporcionado por poder mostrar as suas obras para vender, e não o conseguir fazer durante dois anos, foi muito atingido a nível financeiro. Nunca desistimos deste projeto e tivemos de continuar a investir e a promovê-lo».

Por outro lado, o organizador confirma que a marca Algarve foi, sem dúvida, «um fator de atração. Muitos vêm a Portugal pela primeira vez, porque já ouviram falar do Algarve. A palavra é atrativa e penso que é um fator a ter em consideração. Há outras exibições semelhantes de mais pequena envergadura em Lisboa, mas que nunca foram atrativas para estes artistas, porque o mercado está muito saturado. Não têm expressão coletiva», compara.

Em relação aos critérios de escolha, entre os 140 presentes, há artistas em início de carreira e outros de renome já estabelecidos no circuito da arte, em igual proporção.

«A escolha foi feita de modo a que os artistas emergentes venham um pouco beneficiar o renome de alguns artistas já conceituados no mercado para que haja visitas e obras a custo acessível para muitos dos visitantes que vão ver arte pela primeira vez. Mas, sobretudo, que a publicidade dos artistas que já têm renome também atraia outro tipo de público e que todos possam confraternizar e tirar dessa experiência uma evolução para a sua própria arte».

Segundo Ganhão, os preços serão para todos as bolsas. «Como é óbvio, gostamos que as obras não passem dos 10 mil euros e quando se fala desses valores, falamos de obras de artistas muito conceituados. O leque será muito grande, desde os 50 euros até os 10 mil euros. Diria que a obra média estará à volta dos 1000 euros. Quando falo de preço médio, é referente a autores cujo trabalho já está presente noutros mercados internacionais», estima.

Está previsto também um catálogo, em suporte papel, com todos os envolvidos, incluindo os parceiros que se associaram à feira. «No fundo, os nossos custos são os da instalação dos equipamentos que os artistas vão usufruir», como a iluminação a preparação dos espaços expositivos. «A organização não cobra nenhuma percentagem da venda das obras. Não cobramos nenhum fee», garante.

A Art Expo Algarve apresenta-se como a maior feira de arte contemporânea em Portugal, com a presença de mais de 140 artistas internacionais, a partir do dia 10 de fevereiro.
João Ganhão.

«Como é óbvio, temos sempre de agradecer à Câmara Municipal de Portimão pela cedência do espaço, pela equipa que têm a trabalhar nesse espaço, pelo acompanhamento que tem havido ao longo deste tempo e por nunca terem desistido do projeto», frisou. Além disso, «recebemos um pequeno apoio financeiro para gastarmos ao nível da divulgação», explica o organizador da feira.

A exposição vai abrir na sexta-feira, dia 10 de fevereiro, às 11h00. O horário de abertura será das 11h00 às 21h00, todos os dias, até domingo.

«Esperamos uma grande afluência de pessoas que estão no Algarve nesta altura do ano. É uma altura do ano em que muitos estrangeiros que vivem em Portugal estão aborrecidos. Mas porque é uma época mais fraca, a mobilidade também está facilitada».

Mundo da arte «está a crescer»

Apesar de toda a instabilidade recente, «a nossa perceção é que o mercado da arte está a crescer», diz João Ganhão.

«Houve um interregno, muitas exposições pararam nos anos da pandemia. Não houve exposições abertas ao público, mas o mercado moveu-se online, com a criação de muitos websites onde as pessoas tentaram vender as suas obras. E isso cresceu. Agora, desde que houve a abertura, o público começou a surgir e vemos isso por outras feiras internacionais. O público voltou porque quer sair de casa e é diferente ver uma obra ao vivo do que através de uma fotografia ou de um vídeo», opina.

E tanto assim é, que já está a ser pensada a segunda edição, e uma continuidade com periodicidade anual. «Penso que será bom para Portimão, ao nível do movimento não só de artistas, mas porque há oferta de camas, hotéis, restaurantes e porque é uma época do ano em que normalmente não há muitos turistas. Por isso, estamos a tentar criar as condições para que este primeiro evento seja um sucesso e que possa ter continuidade».