Arqueólogos regressam ao Cerro do Castelo de Alferce

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Campanha arqueológica de 2021 a realizar no Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce.

«Da Pré-história Recente ao Medieval Islâmico: antigas ocupações humanas no Cerro do Castelo de Alferce» é a designação do projeto de investigação plurianual em arqueologia que se encontra em vigor desde 2020.

Trata-se de um projeto de investigação promovido pelo município de Monchique, em parceria com a Universidade do Algarve, a Universidade de Évora e o Campo Arqueológico de Mértola, que conta com o apoio de várias entidades, nomeadamente a Junta de Freguesia de Alferce e a Associação Arqueológica do Algarve.

Formado por uma equipa de investigação multidisciplinar que inclui investigadores com diversas competências técnico-científicas, o objetivo principal do projeto é, estudar o Cerro do Castelo de Alferce e o território circundante, mediante o rastreio das suas antigas ocupações humanas e análise dos respetivos vestígios.

O Cerro do Castelo de Alferce corresponde a um povoado fortificado que ocupa uma elevação rochosa com 487 metros de altitude máxima.

O sítio arqueológico é composto por três recintos amuralhados não concêntricos, realçando-se que o maior desses recintos define uma área intramuros com aproximadamente 9,1 hectares.

O Castelo de Alferce corresponde ao primeiro de dois recintos fortificados que coroam o cerro.

Além da ocupação islâmica-omíada (séculos IX-XI d.C.), este cerro encerra vestígios arqueológicos enquadráveis na Pré-história recente, nomeadamente entre meados do III e o II milénios a.C.

Constata-se, assim, que este local foi ocupado por diferentes comunidades humanas e em distintos momentos civilizacionais.

A campanha arqueológica a realizar este ano terá uma duração de oito semanas, entre os dias 12 de julho e 3 de setembro de 2021.

Tendo em conta os resultados da campanha arqueológica realizada no verão de 2020, pretende-se este ano continuar a investigar o espaço localizado entre os tramos de muralha oeste dos dois recintos fortificados existentes no topo do cerro.

Com efeito, essa área encerra ainda muitos vestígios arqueológicos que, se devidamente investigados, possibilitarão uma melhor compreensão deste sítio arqueológico.

Também se irá proceder à limpeza e ao registo de alguns segmentos amuralhados que integram os dois referidos recintos fortificados, bem como serão realizadas novas prospeções arqueológicas (que também incidirão no território envolvente).

Ademais, intervencionar-se-á arqueologicamente o local de entrada para o recinto fortificado superior e, ainda, prevê-se a concretização de uma sondagem arqueológica na designada «plataforma pré-histórica» – com o intuito de apurar se efetivamente subsistem estruturas arqueológicas soterradas nessa área.

Considerando o propósito formativo inerente a este projeto de investigação, esta segunda campanha arqueológica contará com a presença de estudantes e investigadores associados a diferentes instituições de ensino superior, sobretudo relacionados com as áreas de arqueologia, zooarqueologia e património cultural, perspetivando-se a constituição de um campo-escola.

É expectável que o desenvolvimento desta campanha arqueológica contribua para a produção de conhecimento científico atualizado, mas também para a valorização patrimonial do arqueossítio.

Face à atual situação de pandemia causada pela pandemia de COVID-19, e de modo a assegurar que se cumpre com todas as condições de segurança, a intervenção arqueológica terá necessariamente uma equipa de campo reduzida.

Consoante a evolução da situação pandémica, perspetiva-se a concretização de um «dia aberto» à população em agosto.