ANJE abre gabinete de crise para apoiar sócios e empresários

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Perante as repercussões que o surto do novo coronavírus está a ter na economia portuguesa, e que se vão «inevitavelmente agravar com o evoluir da pandemia», a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários decidiu criar um Gabinete de Crise.

O objetivo é apoiar os associados e outros empresários afetados pelo surto do novo Coronavírus (COVID-19), no esclarecimento das medidas avançadas pelo governo para minorar os efeitos económicos da pandemia. Este gabinete será constituído por quadros técnicos da ANJE com conhecimento e experiência empresarial.

Em relação ao reforço das medidas de apoio às empresas anunciadas hoje pelo governo, destacando com agrado a flexibilização do acesso às linhas de crédito (é extinta a obrigatoriedade de haver uma quebra de 20 por cento na faturação), os diferimentos no cumprimento das obrigações fiscais e as moratórias no pagamento de créditos bancários, a ANJE congratula-se por ver este avanço.

«Advertimos, contudo, que será necessário um grande esforço de divulgação e esclarecimento das medidas governamentais junto do tecido empresarial, para que estas surtam efeito. Há questões de alguma complexidade, como o novo regime de lay-off, que exigem uma cabal clarificação», considera a associação em nota enviada às redações.

Importa também que «o acesso aos apoios anunciados seja otimizado e facilitado, o que implica a desburocratização do respetivo processo administrativo. Neste particular, há que acautelar a situação das microempresas, que habitualmente não têm a mesma capacidade e os mesmos meios das grandes empresas para tirarem partido das linhas de crédito e dos incentivos fiscais».

A ANJE defende ainda que, «perante a brusca redução da atividade empresarial provocada pela covid-19, é fundamental injetar liquidez no tecido produtivo, algo que poderá ser feito facilitando e acelerando o acesso aos fundos do Portugal 2020».

Sobre as moratórias no pagamento das prestações de crédito, a ANJE considera «ser esta uma matéria da maior importância para o futuro das empresas. As obrigações para com os bancos têm um grande peso nas tesourarias das empresas e há que evitar situações de crédito malparado. Convém, por isso, que o Governo esclareça rapidamente quais são os critérios que as empresas devem observar para poderem beneficiar deste sistema de moratórias. É ao Executivo que compete definir quem é elegível para aceder ao sistema».

Para analisar e discutir estas e outras medidas para minorar o impacto económico do surto do novo coronavírus, a ANJE vai solicitar uma audiência ao Governo, através de videoconferência e apela ao executivo de António Costa para que, «caso a situação económica do país se agrave além do previsto, sejam tomadas medidas mais profundas de estímulo orçamental e isenção fiscal dirigidas às empresas, mesmo que isso implique diferir o processo de consolidação das contas públicas».