Ana Castro: fim do CHUA Arena marca «regresso à normalidade»

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Fim do CHUA Arena em Portimão marca «regresso à normalidade» disse hoje Ana Castro aos jornalistas.

Sobre a notícia do encerramento do Hospital de Campanha no Portimão Arena, criado para fazer face ao aumento do número de internamentos por COVID-19, Ana Castro, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), afirmou hoje aos jornalistas que, neste momento, «já estamos a voltar àquilo que é a nossa atividade normal e as cirurgias programadas».

Durante aproximadamente um mês, o CHUA, à semelhança de outros hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), teve de adiar consultas presenciais e algumas cirurgias, segundo disse a responsável à margem da inauguração do novo Serviço de Cardiologia do Hospital de Faro, que decorreu esta manhã.

«Continuámos a realizar intervenções cirúrgicas de emergência, urgência e de oncologia. A Traumatologia, a Cirurgia Geral e a Neurocirugia mantiveram-se sempre com atividade. As cirurgias suspensas foram aquelas que não tinham estes três critérios: emergência, urgência ou oncologia. Todas as outras foram proteladas, porque eram situações que podiam aguardar. Diria que todas as especialidades, que não têm situações com estes critérios, foram afetadas», disse Ana Castro.

Com o número de casos positivos de COVID-19 a diminuir, o CHUA «está agora a recuperar a atividade cirúrgica e voltámos a pôr todos os blocos operatórios em funcionamento. Estamos a voltar às consultas presenciais, que estavam um pouco mais diminuídas e a atividade da instituição está já a voltar àquilo que era antes», concluiu a presidente.

Hospital desativado, mas continua pronto a operar garante autarquia de Portimão

Em 35 dias de funcionamento, foram admitidos 170 pacientes com COVID-19, oriundos de oito unidades hospitalares de diferentes regiões do país.

Foi desmobilizada na segunda-feira, 15 de fevereiro, a operação que durante 35 dias decorreu no hospital de campanha montado no Portimão Arena e destinada a receber doentes com COVID-19, uma vez que as unidades do Centro Universitário Hospitalar do Algarve (CHUA) voltaram a uma taxa de ocupação abaixo dos 80 por cento.

Para o efeito, foram retirados todos os consumíveis com data de validade, bem como removidas roupas e outros artigos para lavagem, a que se segue agora uma intervenção de fundo naquele equipamento, a cargo da brigada de descontaminação em risco biológico dos Bombeiros de Portimão.

Durante o período de ativação, iniciado em 10 de janeiro, foram admitidos no CHUA Arena 170 doentes com COVID-19, oriundos de oito unidades hospitalares de diferentes regiões do país – Hospital de Elvas, Hospital de Portalegre, Hospital de Setúbal, Hospital de Vila Franca de Xira, Hospital do Barreiro, Hospital de Beja, Hospital de Almada, Hospital Amadora-Sintra e Hospitais do Algarve.

Com uma média de idades na ordem dos 75,2 anos, o doente mais novo que passou pela unidade tinha 35 anos e o mais velho 97 anos.

No total, foram concedidas 148 altas, havendo a lamentar 22 falecimentos, a cujas famílias o município de Portimão endereça «sentidas condolências», em nota enviada esta tarde à redação do barlavento.

Segundo as contas da autarquia de Portimão, empenharam-se neste projeto 80 profissionais de saúde e de apoio (29 médicos, 27 enfermeiros, 20 assistentes operacionais, dois motoristas e dois administrativos), aos quais se juntaram técnicos do Serviço Municipal de Proteção Civil e operacionais dos Bombeiros de Portimão.

Um grupo de trabalho, que «revelou elevado espirito de missão, conseguiu dar corpo a uma obra dirigida às pessoas que mais precisavam, num momento de extrema complexidade».

«Porque não pensaram em horários ou na gestão do seu esforço», Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão considera que aqueles profissionais «foram os verdadeiros heróis deste marco na vida do nosso município, constituindo motivo de orgulho para os portimonenses, devido a uma ajuda nunca antes vista, não só à região do Algarve, mas, sobretudo, ao país, porque esta foi mais uma prova da solidariedade deste concelho e da capacidade de extrapolar quaisquer expetativas».

Hospital de Campanha do CHUA Arena acolheu 170 doentes no primeiro mês de atividade, garantindo apoio a várias unidades hospitalares nacionais

Hospital de campanha fica em regime de prontidão

Por decisão camarária, o hospital de campanha do Portimão Arena ficará devidamente estabelecido até que a situação ofereça as necessárias garantias de sustentabilidade para a sua desmontagem, possibilitando que a unidade volte a ficar operacional em menos de 24 horas, caso se justifique.

Esta valência da Proteção Civil Municipal, quando for dada a ordem de «arrumação» será acondicionada em dois contentores modelares, o que permitirá a sua total mobilidade (aérea, rodoviária, ferroviária ou marítima) e a plena implementação no terreno com recurso a tendas insufláveis, que integram o respetivo kit, totalmente autónomo, podendo ser operado por qualquer equipa habilitada para o efeito.

Valência disponível desde abril passado

A Câmara Municipal de Portimão adquiriu e instalou em abril de 2020 um hospital de campanha no Portimão Arena, com capacidade para 100 camas, seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) constituindo desde então uma valência disponível na unidade de reserva logística da Proteção Civil Municipal para qualquer situação de acidente grave ou catástrofe.

Esta medida de antecipação, uma das principais ações do plano de resposta municipal de combate à atual pandemia, viabilizou que, em apenas 24 horas, fosse possível responder no início deste ano às necessidades do Serviço Nacional de Saúde, operacionalizando uma estrutura de retaguarda que materializou a fase 4 do plano de contingência interno do CHUA, entidade a quem competiu operar este equipamento de exceção.

A versatilidade e capacidade de resposta social do Portimão Arena já haviam sido comprovadas na sequência do grande incêndio que deflagrou no concelho de Monchique em agosto de 2018, quando nesse local foram alojadas em contexto de emergência 246 pessoas, registando-se 411 dormidas e servidas 845 refeições, para além do apoio psicossocial prestado.