Aljezur mostra «Olhares sobre os Cuidados Paliativos»

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Exposição de fotografia «Olhares sobre os Cuidados Paliativos» está patente até 15 de agosto no Espaço +, em Aljezur.

Como resposta à falta de formação dos profissionais de saúde foi desenvolvido o projeto PALLIARE+, em parceria com o município de Aljezur e com as equipas de Cuidados Paliativos do ACES Barlavento (Equipa Comunitária) e do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) Unidade Portimão (Unidade de Internamento de Cuidados Paliativos, Equipa Intra-Hospitalar e Equipa de Apoio Psicossocial).

«Pretendemos com este projeto que o concelho de Aljezur seja pioneiro na identificação do número real de pessoas que podem beneficiar de Cuidados Paliativos e que os profissionais consigam dar uma resposta (abordagem paliativa) o mais cedo possível a essas necessidades. Pretendemos que este projeto na região sirva para combater uma das maiores disparidades na saúde, o acesso aos Cuidados Paliativos», explica o enfermeiro Rui Correia.

Com o objetivo de aumentar a literacia em saúde da população, foi desenvolvido, com o apoio da autarquia, a exposição fotográfica «Olhares sobre os Cuidados Paliativos».
Esta exposição pretende levar a uma reflexão da população sobre o que são os Cuidados Paliativos, desmistificar os mitos associados e elucidar para o direito que os cidadãos têm de receber estes cuidados em tempo útil, caso necessitem.

Para a Organização Mundial da Saúde é imprescindível que todos os profissionais de saúde tenham formação básica (nível A) em Cuidados Paliativos, de modo a assegurar a qualidade dos cuidados no fim de vida.

Seguindo as orientações do Plano Estratégico Nacional para o Desenvolvimento dos Cuidados Paliativos foi definido como objetivo do projeto, capacitar os profissionais de saúde para a identificação de necessidades paliativas dos doentes com doença crónica e avançada.

Para alcançar este objetivo foi garantida formação e treino em Cuidados Paliativos, aos profissionais de saúde da Unidade Funcional de Aljezur, durante os meses de junho e julho.

O projeto foi desenvolvido no âmbito do Mestrado de Especialização em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública, da Escola Superior de Saúde de Beja.

Os Cuidados Paliativos representam uma abordagem que permite a melhoria da qualidade de vida dos utentes e familiares, decorrente de uma doença avançada, incurável ou com prognóstico de vida limitado através da prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual.

São cuidados de saúde humanizados e de elevado rigor científico representando uma resposta eficaz ao sofrimento intenso decorrente de uma doença crónica, avançada e incurável. Conseguem-no através do correto controlo sintomático e da intervenção em todas as esferas do sofrimento dos utentes, das famílias e dos cuidadores e prolongam-se no luto.

Oferecem o conceito mais básico do cuidar: a satisfação das necessidades do individuo, independentemente de este se encontrar no domicílio ou numa instituição de saúde.

O acesso aos Cuidados Paliativos representa uma obrigação legal por parte dos Estados sendo que atualmente vários organismos internacionais reclamam estes cuidados como um direito humano. O não acesso dos doentes a estes cuidados de saúde é considerado como um tratamento cruel, degradante e desumano.

Em Portugal a acessibilidade dos cidadãos aos Cuidados Paliativos é regulado e garantindo pelo Estado português e está consagrado na Constituição Portuguesa, através da Lei nº 52/2012.

«No entanto, importa refletir sobre se, efetivamente o Estado consegue assegurar o acesso dos seus cidadãos a estes cuidados. O que verificamos é que Portugal é marcado por questões de desigualdade e iniquidade no acesso a estes cuidados», acrescenta Rui Correia.

De acordo com a OMS, as principais barreiras no acesso dos cidadãos aos Cuidados Paliativos deve-se à falta de políticas de saúde que deem uma resposta mais eficiente a estes doentes, à necessidade de integrar estes cuidados em todos os níveis dos sistemas de saúde, a importância de disponibilizar fármacos indispensáveis para o controlo de sintomas e por último assegurar aos profissionais de saúde formação e treino nesta área específica.