Algarve antecipa fogos rurais com dispositivo «robusto e eficaz»

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15 medidas de antecipação refletem a preparação do
Plano de Operações Distrital – Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) Algarve 2020, um dispositivo que as autoridades consideram «robusto e eficaz».

O Plano de Operações Distrital – Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) Algarve 2020, apresentado na segunda-feira, dia 18 de maio por Vítor Vaz Pinto, pelo Comandante Operacional Distrital da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em conferência de imprensa no Comando Regional de Emergência e Proteção Civil, prevê que, através da elevação do estado de alerta especial, automaticamente, são antecipadas proporcionalmente 15 diferentes medidas operacionais.

Os indicadores de desempenho do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), no Algarve, reforçam a confiança num mecanismo de resposta que garantiu no ano transato o despacho de meios, após a localização do incêndio, em 49 segundos, a chegada do primeiro meio ao Teatro de Operações em 12 minutos, a resolução das ocorrências em 36 minutos, das quais 96,6 por cento na fase de ataque inicial e, principalmente, com zero acidentes.

A perceção do risco e a monitorização permanente, 24 horas por dia, continuam a ser a base para uma capacidade de antecipar medidas operacionais onde e quando necessário, com recurso a um dispositivo que conta este ano, no período de maior empenhamento, com 833 operacionais, 206 meios terrestres organizados em 166 unidades operacionais, complementado por sete meios aéreos, cujo raio de cobertura abrange o Algarve, nomeadamente quatro Helicópteros Bombardeiros Ligeiros (HEBL), que operam a partir dos Centros de Meios Aéreos (CMA) de Monchique, de Loulé, de Tavira (Cachopo) e de Ourique (este último no distrito de Beja), um Helicóptero Bombardeiro Pesado, que irá operar a partir da Base de Helicópteros em Serviço Permanente (BHSP) de Loulé e dois Aviões Bombardeiros Médios (AVBM), que irão operar a partir da Base Aérea de Beja, contando ainda com uma rede de deteção precoce, assente em 12 postos de vigia, estrategicamente colocados.

Por outro lado, também há um aumento do valor da comparticipação paga pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) aos Bombeiros que voluntariamente integram o DECIR, em mais 4 euros/Bombeiro/dia, ou seja, 54 euros por dia, que corresponde a um aumento de 8 por cento em relação ao ano transato e que no Algarve corresponde a um investimento de 1332380 euros.

Também a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve volta a aliar-se, promovendo o habitual protocolo de cooperação com a ANEPC, a Federação dos Bombeiros do Algarve, as Câmaras Municipais e as Associações Humanitárias de Bombeiros, reforçando em 20 euros (mais 2 euros/Bombeiro/dia que no ano de 2019) que corresponde a um aumento de seis por cento relativamente ao ano transato e representa um investimento, distribuído, equitativamente, pelas 16 Câmaras Municipais, no valor total de 513300,00 euros.

Vítor Vaz Pinto.

Assim, cada Bombeiro, que no Algarve integre o DECIR, voluntariamente, aufere de um prémio de participação no valor de 74 euros, por 24 horas de serviço, isento de tributações, a que corresponde um aumento de nove por cento relativamente ao ano anterior.

Em suma, o Plano de Operações Distrital – DECIR Algarve 2020 prevê:

  • O reforço da capacidade de monitorização da Sala de Operações e Gestão de Emergência (SALOGE) do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil (CREPC), que opera ao longo das 24 horas, todos os dias do ano;
  • A ampliação da atividade das estruturas de coordenação institucional, nomeadamente os briefings do Centro de Coordenação Operacional Distrital (CCOD), com vista a incrementar os períodos de análise da situação regional, bem como na determinação de medidas suplementares;
  • O pré-posicionamento de meios de ataque inicial, nas áreas de maior perigosidade a incêndios rurais;
  • A antecipação do ataque ampliado, para reduzir os tempos de chegada de reforço, nas situações de maior complexidade, balanceando meios das três forças de empenhamento permanente (dos Bombeiros, da Força Especial de Proteção Civil da ANEPC e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR) para os sete locais estratégicos de pré-posicionamento espalhados pelo território regional;
  • A organização precoce dos teatros de operações, através da pré-formatação e aumento de prontidão de unidades de comando dos bombeiros dedicadas à plena operacionalização do Sistema de Gestão de Operações logo que reconhecida a necessidade de reforços, incluindo desde logo Oficiais de Ligação dos demais Agentes de Proteção Civil e das forças e serviços que concorrem para a resposta;
  • A projeção de uma capacidade de apoio à decisão, nas vertentes de informação geográfica, reconhecimento e avaliação da situação, processamento da informação operacional e análise do comportamento do incêndio, para acompanhar a evolução da organização do teatro de operações, com a rápida instalação de Postos de Comando Operacional;
  • A mobilização de maquinaria pesada, com base numa bateria de 11 máquinas de rastos, provenientes dos Municípios e do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, coordenadas por elementos de comando e de chefia dos Bombeiros, habilitados para o efeito;
  • A preparação da capacidade de sustentação logística das operações, materializada pelos Serviços Municipais de Proteção Civil, que acompanham a evolução das ocorrências desde o primeiro momento, acautelando uma capacidade de reserva regional para situações de exceção na recentemente inaugurada Base de Apoio Logístico do Algarve em Quarteira;
  • O despacho do Veículo de Planeamento, Comando e Comunicações (VPCC) e da estação móvel do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) para assegurar gestão e a capacidade de estabelecer as comunicações de emergência sustentadas nas diferentes redes, com destaque para a rede satélite;
  • O sistema de notificações operacionais, envolvendo, desde a fase inicial, todos as autoridades, serviços e estruturas de proteção civil do patamar municipal e regional, bem como todos os atores relevantes em matéria de defesa da floresta contra incêndios;
  • A garantia da existência de um Oficial de Segurança nos teatros de operações com um número significativo de operacionais que pugne pela salvaguarda de todos os envolvidos, em especial nas matérias relacionadas com a proteção individual face à COVID-19 de acordo com as normas da Direção-Geral de Saúde (DGS);
  • A afetação dos meios de vigilância coordenados pela GNR, com capacidade para primeira intervenção, nomeadamente as equipas de Sapadores Florestais, Equipas Municipais de Intervenção Florestal e Vigilantes da Natureza, ao ataque inicial, com particular incidência nas áreas mais vulneráveis;
  • O desencadear do processo de informação pública e de aviso à população, envolvendo os órgãos de comunicação social, as Juntas de Freguesia e demais atores locais próximos da população, com especial enfoque no Programa «Aldeias Seguras Pessoas Seguras» já implementado em 42 aglomerados populacionais de elevada perigosidade;
  • Aprontamento de meios destinados às operações de consolidação da extinção e vigilância pós-rescaldo, através do envolvimento de meios e recursos organizados dos Bombeiros e Sapadores Florestais com o apoio de máquinas de rastos;
  • Mobilização preventiva, em articulação com o Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil, de meios de reforço nacionais nos períodos de maior severidade e probabilidade de ocorrência de incêndios com elevado potencial de desenvolvimento, instalando preventivamente numa das oito zonas de receção de reforços consideradas na rede estratégica regional de infraestruturas de proteção civil.