Albufeira insiste em novos critérios de classificação epidemiológica

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Albufeira quer ver critérios de classificação epidemiológica alterados com urgência.

Numa reunião de emergência realizada ontem, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira declarou não aceitar a atual metodologia de classificação do município de Albufeira, na medida em que «os critérios de cálculo adotados pelo Ministério da Saúde, estão errados», partindo de «uma base de cálculo desfasada da realidade. O universo de Albufeira não é de 45 mil habitantes, é bastante superior», referiu José Carlos Rolo.

Juntando diversas entidades da Saúde e Segurança, bem como associações empresariais locais e regionais, o autarca exortou presentes e munícipes a serem uma só voz, pois «esperávamos que o verão fosse melhor, queremos que seja melhor e por isso, temos que lutar para que assim seja».

Após um comunicado emitido na passada quinta-feira, dia 17, insurgindo-se contra a metodologia da Direção-Geral de Saúde no que concerne ao levantamento diário de dados referentes ao contágio no âmbito da COVID-19, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira reuniu ontem com diversas entidades e empresários.

Tratou-se de «uma reunião de emergência numa tentativa de nos constituirmos numa só voz naquilo que consideramos, como já o disse em comunicado oficial recente, ser uma grande injustiça para Albufeira, e para o Algarve, os cálculos adotados pelo Ministério da Saúde, até porque o pressuposto está errado, na medida em que parte de uma base de cálculo desfasada da realidade. O universo de Albufeira não é de 45 mil habitantes, é bastante superior», refere José Carlos Rolo.

O autarca vai mais longe: «o governo mostra-se intransigente neste tipo de medidas, mas é preciso que resolva esta situação o quanto antes. Dou o exemplo, no qual, de oito pessoas infetadas, seis são estrangeiros!».

Sobre a questão do descontentamento do município face à atitude do poder central nesta questão, José Carlos Rolo avança que «a secretária de Estado do Turismo recebeu já e atempadamente as nossas reclamações e apresentou-as ao sector da Saúde. Estamos num ponto que é lesivo para a nossa economia, e não sei o que vai suceder amanhã aquando da revisão dos critérios».

A reunião contou com a presença de responsáveis regionais pela área da Saúde, GNR, Bombeiros Voluntários de Albufeira, Proteção Civil, Cruz Vermelha, Policia Marítima, associações sectoriais e empresariais, além de entidades várias.

Os presentes, especialmente da área hoteleira e restauração, mostraram-se severamente preocupados com um eventual retrocesso da situação epidemiológica, «que será um descalabro evidente para todo o concelho», alertaram.

«As empresas estiveram encerradas 15 meses, e se não houver uma faturação consecutiva de três ou quatro meses, o problema vai agravar-se substancialmente do ponto de vista económico-social», disseram ainda.

José Carlos Rolo alerta no entanto que «a testagem não é um fator negativo, e quer ao nível dos privados, quer das associações aqui representadas deverá existir a preocupação para que as regras sejam cumpridas. E nesse aspeto, as forças de segurança devem ter um papel pedagógico e persuasivo», insistiu.

Por seu turno, o delegado de Saúde local, Joaquim Bodião, acrescentou que «a testagem é uma forma de garantir a possibilidade das pessoas poderem viajar por meio aéreo e outros e é normal que os turistas também nos procurem nos postos de saúde. De tudo isto, o fundamental, é que as pessoas se vacinem, é preciso insistir nessa informação».

Este responsável reitera que «as pessoas e as empresas têm que interiorizar a imperiosa necessidade de haver uma mudança de comportamentos, especialmente no que se refere a situações de elevada concentração de pessoas na malha urbana do concelho».

O autarca mencionou que irá contactar a Ministra da Saúde, Marta Temido, para esclarecer a situação dos critérios da fórmula de contagem de casos ativos; assim como contactará o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, «a fim de plasmar a grave situação da falta de receitas e as consequências para os trabalhadores, assim como a reiterada falta de apoios económicos para as empresas».

José Carlos Rolo garantiu que não vai baixar os braços quanto ao futuro de Albufeira e aponta que «estamos todos na mesma situação, é necessário equilibrar necessidades com os factos reais e não está a ser nada fácil. Esperávamos que o verão fosse melhor, queremos que seja melhor e por isso, temos que lutar para que assim seja. Novamente, exorto a que cada um por si, dê o exemplo de boa cidadania nesta situação, pois só desse modo teremos mudanças e argumentos para poder lutar contra as muitas adversidades que assolam atualmente Albufeira».

Horários da restauração e comércio recuam em Lisboa e Albufeira

Albufeira e Lisboa recuam no plano de desconfinamento e juntam-se a Sesimbra que já se encontrava no nível de risco muito elevado de incidência de covid-19, existindo ainda outros 25 concelhos em risco elevado, anunciou hoje o Governo.

Em conferência de imprensa, após a reunião do Conselho de Ministros, em Lisboa, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, disse que existe «um conjunto de 25 concelhos» no nível de risco elevado, sendo no Algarve Lagos e Loulé.

Mariana Vieira da Silva disse ainda que no nível de risco muito elevado estão os concelhos de Albufeira, Lisboa e Sesimbra.

O nível de risco muito elevado de transmissibilidade da covid-19 identifica os concelhos que registem, pela segunda avaliação consecutiva, uma taxa de incidência superior a 240 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 480 se forem concelhos de baixa densidade populacional).

O nível de risco elevado aplica-se aos concelhos que registem, pela segunda avaliação consecutiva, uma taxa de incidência superior a 120 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 240 se forem concelhos de baixa densidade populacional).

O horário dos restaurantes e similares e do comércio vai recuar em Lisboa e Albufeira, passando a ter de encerrar às 15h30 aos fins de semana, juntando às regras que já vigoram em Sesimbra.

A decisão de recuo no desconfinamento foi tomada hoje no Conselho de Ministros, implicando ainda, no caso daqueles três concelhos, que os supermercados e restantes retalho alimentar encerrem às 19h00 aos fins de semana.

Durante a semana, restaurantes, cafés e pastelarias podem funcionar até às 22h30, com as regras de lotação a determinarem um máximo de quatro pessoas por grupo no interior e de seis pessoas por grupo nas esplanadas.